Frases de Platão - O castigo dos bons que não fa

Frases de Platão - O castigo dos bons que não fa...


Frases de Platão


O castigo dos bons que não fazem política é ser governados pelos maus

Platão

Esta citação de Platão alerta para o perigo da apatia cívica. Sugere que a inação dos virtuosos permite que os menos escrupulosos ascendam ao poder, com consequências para toda a sociedade.

Significado e Contexto

A citação de Platão, frequentemente atribuída a ele, encapsula um princípio central da sua filosofia política. Ela argumenta que a virtude por si só não é suficiente para garantir uma sociedade justa; requer ação ativa. Os 'bons' – aqueles guiados pela razão, justiça e preocupação pelo bem comum – têm uma obrigação moral de participar na vida política. Se se abstiverem, seja por desinteresse, comodismo ou descrença no sistema, criam um vácuo de poder. Esse vácuo será inevitavelmente preenchido pelos 'maus' – indivíduos movidos por ambição pessoal, paixões descontroladas ou interesses mesquinhos, conforme descrito na sua teoria da alma e dos tipos de governo em 'A República'. O 'castigo' não é apenas para os bons que se abstêm, mas para toda a comunidade, que ficará sujeita a leis e líderes injustos, degradando a qualidade da vida coletiva.

Origem Histórica

Platão (428/427–348/347 a.C.) viveu na Atenas clássica, uma cidade-Estado (pólis) que experimentou a democracia, a oligarquia e a tirania. A sua obra é profundamente marcada pela execução do seu mestre, Sócrates, pela democracia ateniense. Este evento levou-o a questionar os fundamentos dos sistemas políticos e a idealizar um Estado governado por filósofos-reis, os verdadeiros 'bons' preparados pela razão. A citação reflete a sua convicção de que a política é uma arte e uma ciência essencial para o florescimento humano, não um mero jogo de poder.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância extraordinária. Em democracias modernas, alerta para os perigos da abstenção eleitoral, do desengajamento cívico e do cinismo político. É um apelo à participação informada e ética, seja através do voto, do associativismo, do debate público ou da candidatura a cargos. Num contexto mais amplo, aplica-se a qualquer esfera onde a inação dos éticos permite que comportamentos oportunistas ou corruptos prevaleçam, como em empresas, organizações não-governamentais ou comunidades locais. É um lembrete de que a liberdade e a justiça requerem vigilância e envolvimento contínuos.

Fonte Original: A atribuição direta a uma obra específica de Platão é incerta. A frase é frequentemente associada ao seu pensamento e espírito, mas não aparece textualmente nos seus diálogos conhecidos. É considerada uma paráfrase ou síntema poderosa das suas ideias, particularmente de 'A República' e de 'As Leis', onde discute a degeneração dos regimes políticos e o papel do cidadão virtuoso.

Citação Original: Não há uma citação exata em grego antigo que corresponda literalmente a esta formulação em português. É uma interpretação moderna do seu pensamento. Uma possível tradução próxima do espírito seria: 'A pena para os homens bons, por não se interessarem pelos assuntos públicos, é serem governados por homens piores.'

Exemplos de Uso

  • A baixa participação eleitoral entre os jovens é um exemplo clássico: se os mais educados e idealistas não votarem, outros grupos com agendas menos inclusivas podem determinar o resultado.
  • Num condomínio, se os moradores responsáveis não participarem nas assembleias, as decisões podem ficar nas mãos de um pequeno grupo com interesses particulares, prejudicando a comunidade.
  • Numa empresa, se os funcionários éticos se calarem perante más práticas por medo ou comodismo, a cultura organizacional pode deteriorar-se, permitindo a ascensão de gestores sem escrúpulos.

Variações e Sinônimos

  • 'O preço da liberdade é a vigilância eterna.' (Atribuída a Thomas Jefferson)
  • 'Para o triunfo do mal, basta que os bons não façam nada.' (Atribuída frequentemente a Edmund Burke)
  • 'A política é demasiado importante para ser deixada aos políticos.' (Ditado popular)
  • 'Quem cala, consente.' (Provérbio popular)

Curiosidades

Apesar de a citação ser mundialmente famosa e atribuída a Platão, os estudiosos não encontraram uma versão exata nos seus textos originais. É um caso notável de uma 'citação errónea' que, no entanto, capta com perfeição a essência do pensamento do filósofo, demonstrando o seu impacto duradouro na cultura popular.

Perguntas Frequentes

Platão disse exatamente estas palavras?
Provavelmente não. É uma paráfrase moderna que sintetiza fielmente o seu pensamento político, especialmente das ideias presentes em 'A República'. Não é uma citação textual encontrada nos seus diálogos.
O que Platão considerava um 'bom' cidadão?
Para Platão, o 'bom' cidadão era aquele guiado pela parte racional da alma, que busca a verdade, a justiça e o bem comum. Na sua cidade ideal, seriam os filósofos, educados para governar com sabedoria.
Esta citação aplica-se apenas à política partidária?
Não. O conceito de 'política' aqui é amplo, referindo-se à gestão da 'pólis' (cidade/comunidade). Aplica-se a qualquer participação ativa nos assuntos comuns, desde o associativismo local até à defesa de causas éticas no local de trabalho.
Qual é a principal lição desta citação para hoje?
A principal lição é que a cidadania passiva é perigosa. A saúde de uma democracia ou de qualquer comunidade depende do envolvimento ativo, informado e responsável dos seus membros mais virtuosos e preocupados.

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