Frases de Thomas Hobbes - A curiosidade e a produção d

Frases de Thomas Hobbes - A curiosidade e a produção d...


Frases de Thomas Hobbes


A curiosidade e a produção do conhecimento no homem muitas vezes supera qualquer prazer carnal, distinguindo-o dessa forma de qualquer animal.

Thomas Hobbes

Esta citação de Hobbes convida-nos a refletir sobre o que verdadeiramente nos define como humanos. Sugere que a busca pelo conhecimento, movida por uma curiosidade insaciável, é uma força mais poderosa e distintiva do que os nossos instintos mais básicos.

Significado e Contexto

Thomas Hobbes, nesta citação, estabelece um contraste fundamental entre o ser humano e os outros animais. Enquanto os animais são, na sua visão, largamente governados por impulsos e prazeres sensoriais (os 'prazeres carnais'), o homem é caracterizado por uma capacidade única: a curiosidade intelectual e a consequente produção de conhecimento. Esta não é uma atividade meramente utilitária, mas um impulso profundo que define a nossa essência. Para Hobbes, esta busca racional pelo saber é o que nos permite transcender a mera condição animal, construir sociedades complexas e estabelecer contratos sociais, temas centrais na sua obra 'Leviatã'.

Origem Histórica

Thomas Hobbes (1588-1679) foi um filósofo inglês do período moderno, marcado por guerras civis e profundas transformações políticas, como a Guerra Civil Inglesa. A sua filosofia é materialista e mecanicista, vendo o homem como movido por desejos e aversões. Neste contexto, a afirmação surge como parte da sua tentativa de definir a natureza humana de forma científica, separando claramente o homem, dotado de razão e linguagem, do resto do reino animal. A frase reflete o espírito do início da Revolução Científica, que valorizava a razão e a investigação metódica.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância extraordinária. Num mundo inundado de estímulos sensoriais e prazeres imediatos (redes sociais, entretenimento digital), a citação de Hobbes serve como um lembrete poderoso do valor da curiosidade profunda, da investigação científica e do pensamento crítico. É um argumento a favor da educação, da ciência básica e da reflexão filosófica como pilares do progresso humano, que nos distinguem da mera satisfação de necessidades primárias. A discussão sobre inteligência artificial também revive este debate: o que distingue uma mente que calcula de uma que é curiosa e cria conhecimento novo?

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Thomas Hobbes e alinhada com o pensamento expresso na sua obra magna, 'Leviatã' (1651), particularmente nos capítulos onde discute as faculdades do homem, a diferença entre prudência e ciência, e as paixões humanas. No entanto, uma localização exata no texto do 'Leviatã' é difícil de precisar para esta formulação específica, sendo mais uma síntese do seu pensamento sobre a natureza humana.

Citação Original: The curiosity and knowledge production in man often surpasses any carnal pleasure, thus distinguishing him from any animal.

Exemplos de Uso

  • Num discurso sobre a importância do investimento em investigação científica fundamental, que não tem aplicação comercial imediata.
  • Para defender a importância das humanidades e da filosofia num currículo escolar focado em resultados práticos.
  • Num debate sobre os limites da inteligência artificial, argumentando que a verdadeira curiosidade e a criação de novo conhecimento são traços distintivamente humanos.

Variações e Sinônimos

  • A sede de saber é o que nos torna humanos.
  • O homem é um animal racional. (Aristóteles)
  • Penso, logo existo. (René Descartes) - foca na consciência como distintivo.
  • A maravilha é o princípio de toda a filosofia. (atribuída a Aristóteles) - sobre a curiosidade como origem.

Curiosidades

Hobbes traduziu a 'Odisseia' e a 'Ilíada' de Homero para inglês aos 80 anos, demonstrando uma curiosidade e uma capacidade de produção intelectual que perdurou até ao fim da sua longa vida, um exemplo vivo da sua própria afirmação.

Perguntas Frequentes

Hobbes considerava a curiosidade uma emoção positiva?
Na visão mecanicista de Hobbes, a curiosidade era uma paixão ou deseio fundamental, derivado do medo e da necessidade de prever o futuro. Não era inerentemente 'boa' ou 'má', mas sim uma força motriz poderosa que, quando guiada pela razão, podia levar ao conhecimento e à construção de uma sociedade estável.
Esta visão contradiz a ideia de que os animais também aprendem?
Hobbes não negaria que os animais aprendem por experiência (a que chamava 'prudência'). A sua tese é que o homem vai além disso: usa a linguagem e a razão para produzir ciência – conhecimento causal geral e abstracto – e para satisfazer uma curiosidade desinteressada sobre causas últimas, algo que ele não atribuía aos animais.
Como é que esta ideia se relaciona com o 'Leviatã'?
É fundamental. Para Hobbes, são precisamente a razão e a capacidade de prever consequências (fruto da curiosidade e do conhecimento) que permitem aos humanos perceber o estado de natureza como insuportável e, por via de um contrato social, criar o Estado soberano (o Leviatã) para garantir a paz e a segurança.
Esta frase justifica o antropocentrismo?
Sim, a citação é profundamente antropocêntrica, refletindo a visão do seu tempo. Hobbes estabelece uma hierarquia clara onde o homem, pela sua capacidade racional e curiosa, se coloca acima e aparte de todos os outros animais. A biologia e a etologia modernas questionaram esta separação rígida.

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