Frases de Florbela Espanca - A questão dinheiro não me pr

Frases de Florbela Espanca - A questão dinheiro não me pr...


Frases de Florbela Espanca


A questão dinheiro não me prende duma maneira exagerada, se bem que me não desagradasse ganhar algum para satisfazer os meus dois vícios: flores e livros.

Florbela Espanca

Esta citação revela uma elegante contradição humana: a desvalorização do dinheiro material em prol de paixões que alimentam a alma. Florbela Espanca transforma vícios aparentemente mundanos em metáforas da busca pela beleza e conhecimento.

Significado e Contexto

Esta citação encapsula a filosofia de vida de Florbela Espanca, onde o dinheiro é visto como um meio instrumental para alcançar fins mais elevados, não como um fim em si mesmo. A autora reconhece a necessidade prática do dinheiro ('não me desagradasse ganhar algum'), mas subordina-o claramente às suas verdadeiras paixões: as flores (símbolo da beleza efêmera, da natureza e da sensibilidade estética) e os livros (representação do conhecimento, da fuga e do crescimento intelectual). A expressão 'dois vícios' é particularmente reveladora, pois transforma o que a sociedade poderia considerar frivolidades (flores) ou luxos (livros) em necessidades vitais. Esta inversão de valores desafia a noção convencional de produtividade, sugerindo que a verdadeira riqueza reside na capacidade de cultivar a sensibilidade e o intelecto. A estrutura da frase, com sua cadência poética, reforça esta ideia de priorização emocional sobre a material.

Origem Histórica

Florbela Espanca (1894-1930) foi uma poetisa portuguesa do início do século XX, associada ao modernismo e conhecida pela sua escrita intensamente emocional e confessional. Viveu numa época de transição social em Portugal, onde os papéis femininos eram ainda muito restritivos. A sua obra, marcada por temas como o amor, a dor, a morte e a busca de identidade, reflecte uma mulher que desafiava convenções. Esta citação provavelmente surge do seu contexto pessoal de dificuldades financeiras e do seu compromisso absoluto com a criação literária e a experiência estética.

Relevância Atual

Num mundo cada vez mais orientado para o consumo e o sucesso material, esta frase mantém uma relevância pungente. Ela ressoa com movimentos contemporâneos que valorizam o minimalismo, a experiência sobre a posse, e a saúde mental. A ideia de que o dinheiro deve servir para alimentar paixões genuínas, em vez de se tornar o objectivo central da vida, é um antídoto potente para a cultura do 'workaholism' e do consumismo vazio. Além disso, num contexto de crise ambiental, a valorização simbólica das flores pode ser lida como um apelo à reconexão com a natureza.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída à correspondência ou diários de Florbela Espanca, sendo um reflexo da sua personalidade e filosofia de vida, mais do que a uma obra publicada específica. É citada em antologias e estudos sobre a autora como uma síntese do seu carácter.

Citação Original: A questão dinheiro não me prende duma maneira exagerada, se bem que me não desagradasse ganhar algum para satisfazer os meus dois vícios: flores e livros.

Exemplos de Uso

  • Num perfil de redes sociais de alguém que prioriza hobbies criativos sobre a carreira corporativa: 'Como diria Florbela, trabalho para sustentar meus vícios: a pintura e a jardinagem.'
  • Num artigo sobre finanças pessoais com enfoque no bem-estar: 'A gestão financeira deve servir, em última análise, para alimentar as nossas paixões, sejam elas flores, livros ou viagens.'
  • Num discurso sobre educação e cultura: 'Investir em livros e beleza não é um gasto, é um investimento na alma, ecoando o vício sublime de Florbela Espanca.'

Variações e Sinônimos

  • O dinheiro é um bom servo, mas um mau mestre.
  • Não é rico quem tem muito, mas quem precisa de pouco.
  • Viver não é necessário; necessário é criar. (Fernando Pessoa)
  • A felicidade não está em ter, mas em ser.
  • O essencial é invisível aos olhos. (Antoine de Saint-Exupéry)

Curiosidades

Florbela Espanca foi a primeira mulher em Portugal a frequentar o curso de Direito na Universidade de Lisboa, um feito notável para a época, demonstrando a sua busca por conhecimento (um dos seus 'vícios') para além das barreiras de género.

Perguntas Frequentes

O que Florbela Espanca quis dizer com 'dois vícios'?
Ela usou 'vícios' de forma irónica e positiva, referindo-se às suas paixões mais profundas: as flores (beleza, natureza, sensibilidade) e os livros (conhecimento, evasão, intelecto). São 'vícios' no sentido de serem necessidades vitais que a definiam.
Esta citação reflecte uma postura anti-materialista?
Não é estritamente anti-materialista, mas sim uma hierarquização de valores. Florbela reconhece a utilidade do dinheiro, mas apenas como ferramenta para alcançar bens imateriais (beleza e conhecimento) que considera superiores.
Por que é Florbela Espanca uma figura importante na literatura portuguesa?
Florbela Espanca é uma figura pioneira pela intensidade confessional da sua poesia, que explorou temas como o desejo, a angústia e a identidade feminina de forma inédita em Portugal, influenciando gerações posteriores.
Como posso aplicar esta filosofia na vida moderna?
Priorizando gastos e tempo em actividades que verdadeiramente enriquecem o seu espírito (como ler, apreciar arte ou a natureza) em detrimento do consumo por impulso ou da busca cega por mais rendimento.

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