Frases de Ariano Suassuna - A massificação procura baixa

Frases de Ariano Suassuna - A massificação procura baixa...


Frases de Ariano Suassuna


A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com gosto médio.

Ariano Suassuna

Ariano Suassuna alerta para o perigo da uniformização cultural, defendendo que a busca pelo consenso generalizado esvazia a arte da sua essência mais genuína e corajosa. A mediocridade, disfarçada de acessibilidade, revela-se mais nociva do que a ousadia do mau gosto, pois anestesia a capacidade crítica e sufoca a genialidade.

Significado e Contexto

A citação de Ariano Suassuna critica o processo de 'massificação' cultural, onde a produção artística é nivelada por baixo para se tornar acessível ao maior número possível de pessoas, o chamado 'gosto médio'. Ele argumenta que este nivelamento, ao evitar riscos e singularidades, resulta numa arte diluída e sem carácter, mais prejudicial do que uma obra de 'mau gosto'. O 'mau gosto', por ser marcado por uma escolha autoral (mesmo que polémica), contém uma intenção e uma identidade. Já o 'gosto médio' é sinónimo de ausência de coragem, de uma neutralidade que não desafia, não emociona profundamente e não contribui para a evolução cultural. A afirmação final – 'Nunca vi um gênio com gosto médio' – reforça a ideia de que a verdadeira inovação e genialidade nascem da autenticidade e da ruptura com o convencional, nunca da submissão ao padrão comum.

Origem Histórica

Ariano Suassuna (1927-2014) foi um dramaturgo, romancista e poeta brasileiro, figura central na cultura nordestina. A sua crítica ao 'gosto médio' está enraizada no seu envolvimento com o Movimento Armorial, que ele fundou na década de 1970. Este movimento buscava criar uma arte erudita brasileira a partir das raízes da cultura popular nordestina, opondo-se à importação acrítica de modelos culturais estrangeiros e à padronização imposta pela indústria cultural. A frase reflete a sua luta contra a homogeneização e em defesa de uma arte com identidade nacional profunda e autêntica.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância aguda na era dos algoritmos e das redes sociais. Os mecanismos de recomendação de plataformas como Netflix, Spotify ou YouTube muitas vezes promovem conteúdos que se assemelham ao que o utilizador já consumiu, criando um ciclo de 'gosto médio' digital e limitando a descoberta do radicalmente novo. Na publicidade e no entretenimento mainstream, a aversão ao risco e a busca pelo apelo massivo frequentemente resultam em produtos culturais previsíveis e pouco desafiantes. A crítica de Suassuna serve como um alerta contra a complacência estética e um apelo à valorização de vozes originais e marginais que fogem à norma.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a discursos, entrevistas e aulas proferidas por Ariano Suassuna. Embora não haja uma obra escrita específica que seja a fonte única e canónica, a ideia é um pilar central do seu pensamento estético, disseminado nas suas conferências e no seu legado intelectual.

Citação Original: A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com gosto médio.

Exemplos de Uso

  • Um crítico de cinema pode usar a frase para argumentar que os filmes de super-heróis, ao priorizarem fórmulas de sucesso garantido, representam o 'gosto médio' que Suassuna criticava, em detrimento de cinema de autor mais arriscado.
  • Num debate sobre educação artística, um professor pode citar Suassuna para defender a exposição dos alunos a obras complexas e desafiadoras, em vez de se limitar ao que é considerado 'acessível' ou 'apropriado' para a idade.
  • Um curador de uma exposição de arte contemporânea pode invocar a citação para justificar a inclusão de obras polémicas ou de difícil digestão, argumentando que o 'mau gosto' propositado é mais valioso que uma arte decorativa e consensual.

Variações e Sinônimos

  • A mediocridade é o inimigo da excelência.
  • O pior inimigo da arte não é a crítica, mas a indiferença.
  • A arte que agrada a todos não desafia ninguém.
  • Prefiro o exagero do mau gosto à tibieza do gosto médio.

Curiosidades

Ariano Suassuna era conhecido pelas suas aulas-espetáculo, onde, vestido tradicionalmente e de forma carismática, discorria por horas sobre cultura, arte e filosofia, cativando plateias e disseminando ideias como esta sobre o gosto médio de forma performática e acessível.

Perguntas Frequentes

O que Ariano Suassuna entende por 'gosto médio'?
Suassuna define 'gosto médio' como um padrão estético neutro, inócuo e amplamente aceite, resultante da massificação cultural, que prioriza a acessibilidade e o consenso em detrimento da originalidade, coragem e profundidade artística.
Por que o 'gosto médio' é pior que o 'mau gosto' na arte?
Porque o 'mau gosto' implica uma escolha autoral, uma posição (mesmo que considerada errónea), e pode conter energia e identidade. O 'gosto médio', por outro lado, é a ausência de posição, uma arte 'lisa' que não provoca, não comove profundamente e estagna a evolução cultural.
Como aplicar esta crítica ao contexto digital atual?
Aplica-se directamente aos algoritmos de recomendação e às bolhas das redes sociais, que tendem a homogeneizar o consumo cultural, promovendo conteúdos semelhantes ao já visto e dificultando a descoberta de obras genuinamente inovadoras e desafiadoras.
Ariano Suassuna era contra a arte popular?
Absolutamente não. Pelo contrário, era um grande defensor da cultura popular nordestina autêntica. A sua crítica era dirigida à arte industrializada e desenraizada, que perde o seu carácter para se tornar um produto massificado e insípido, não à arte genuinamente popular.

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