Frases de Mário Quintana - Clair de lune, chiaro de luna,...

Clair de lune, chiaro de luna, claro de luna... jamais os franceses, os italianos e os espanhóis saberão mesmo o que seja o luar, que nós bebemos de um trago numa palavra só.
Mário Quintana
Significado e Contexto
Esta citação de Mário Quintana explora a relação íntima entre linguagem e experiência sensorial. O poeta sugere que enquanto outras línguas românicas necessitam de múltiplas palavras para descrever o luar ('clair de lune', 'chiaro de luna', 'claro de luna'), o português condensa esta experiência numa única palavra que permite 'beber' o luar 'de um trago'. Esta metáfora transforma o acto linguístico num gesto quase físico, onde a palavra não apenas descreve, mas incorpora a experiência. Quintana celebra assim a capacidade única da língua portuguesa para capturar nuances emocionais e sensoriais. A citação vai além de um mero exercício comparativo entre línguas, tornando-se uma afirmação sobre identidade cultural e a forma como cada povo experiencia e conceptualiza o mundo através do seu vocabulário. O 'luar' deixa de ser apenas um fenómeno astronómico para se tornar uma experiência culturalmente mediada.
Origem Histórica
Mário Quintana (1906-1994) foi um importante poeta, tradutor e jornalista brasileiro do século XX, associado à segunda geração do Modernismo brasileiro. A sua obra caracteriza-se por um lirismo aparentemente simples mas profundamente filosófico, frequentemente explorando temas como a passagem do tempo, a memória e a relação do ser humano com a linguagem. Esta citação reflecte o interesse constante de Quintana pela capacidade expressiva da língua portuguesa, tema recorrente na sua produção literária.
Relevância Atual
A frase mantém relevância contemporânea por abordar questões actuais sobre identidade linguística e cultural num mundo globalizado. Num contexto onde muitas línguas enfrentam pressões homogeneizadoras, a reflexão de Quintana recorda-nos o valor das especificidades linguísticas. Além disso, a citação ressoa com discussões actuais sobre intraduzibilidade e a forma como diferentes línguas estruturam experiências humanas únicas, tema relevante em estudos de linguística cognitiva e antropologia cultural.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Mário Quintana em antologias e colectâneas das suas obras, embora a fonte específica (livro ou poema) não seja universalmente documentada nas referências comuns. Faz parte do corpus de aforismos e pensamentos que caracterizam o estilo quintanesco.
Citação Original: Clair de lune, chiaro de luna, claro de luna... jamais os franceses, os italianos e os espanhóis saberão mesmo o que seja o luar, que nós bebemos de um trago numa palavra só.
Exemplos de Uso
- Num debate sobre intraduzibilidade cultural, um académico pode citar Quintana para ilustrar como certas experiências são indissociáveis da sua expressão linguística específica.
- Num workshop de escrita criativa, o formador pode usar esta citação para estimular os participantes a explorar palavras que condensam experiências complexas.
- Num artigo sobre património linguístico, um jornalista pode referir-se a esta frase para defender a preservação das nuances expressivas da língua portuguesa.
Variações e Sinônimos
- "Cada língua é um modo diferente de ver o mundo" - Wilhelm von Humboldt
- "Os limites da minha linguagem significam os limites do meu mundo" - Ludwig Wittgenstein
- "A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem a escuta" - Michel de Montaigne
- Ditado popular: "Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso"
Curiosidades
Mário Quintana, apesar de ser considerado um dos maiores poetas brasileiros do século XX, nunca foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Recusou por três vezes convites para candidatura, afirmando que academias 'fazem de um escritor um funcionário público'.


