Frases de Clarice Lispector - E doidamente me apodero dos de

Frases de Clarice Lispector - E doidamente me apodero dos de...


Frases de Clarice Lispector


E doidamente me apodero dos desvãos de mim, meus desvarios me sufocam de tanta beleza. Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca.

Clarice Lispector

Esta citação captura a luta interior entre a consciência fragmentada e a busca de identidade, revelando como a beleza pode ser sufocante na sua intensidade. Expressa a condição humana de existir num limbo entre o ser e o não-ser.

Significado e Contexto

Esta citação de Clarice Lispector explora a complexidade da identidade através de uma linguagem poética e introspetiva. 'Apropriar-se dos desvãos de mim' sugere uma busca pelos recantos mais obscuros e inacessíveis do ser, enquanto 'desvarios me sufocam de tanta beleza' apresenta uma paradoxal experiência onde o excesso de beleza se torna opressivo. A frase final 'Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca' encapsula a condição humana de existência liminar – nunca totalmente presente, sempre em transição entre o que foi, o que poderia ser e o que nunca será. A obra de Lispector frequentemente aborda temas de fragmentação identitária e a dificuldade de autoconhecimento. Aqui, a beleza não é apenas estética, mas uma força quase violenta que desestabiliza o eu. A repetição 'eu sou' seguida de advérbios de negação ou incompletude reflete a impossibilidade de uma identidade fixa, característica do pensamento existencialista que influenciou a autora.

Origem Histórica

Clarice Lispector (1920-1977) foi uma escritora brasileira de origem ucraniana, figura central do modernismo brasileiro e da literatura psicológica. A citação reflete o contexto pós-Segunda Guerra Mundial, onde questões existenciais, identitárias e a fragmentação do sujeito ganharam relevância. Lispector escreveu durante um período de intensa experimentação literária no Brasil, influenciada por correntes filosóficas como o existencialismo e a fenomenologia.

Relevância Atual

Esta frase mantém relevância contemporânea por abordar temas universais como a crise de identidade, a sobrecarga emocional na era digital e a busca de autenticidade numa sociedade de aparências. A sensação de 'sufoco pela beleza' ressoa com a experiência moderna de excesso de estímulos estéticos e pressões para perfeição. A ideia de ser 'antes, quase, nunca' reflete a ansiedade geracional sobre realização pessoal e propósito.

Fonte Original: A citação é atribuída a Clarice Lispector, possivelmente proveniente de sua obra 'Água Viva' (1973) ou de textos fragmentários, embora a localização exata varie entre fontes. Caracteriza-se pelo estilo introspetivo e linguagem poética típica da sua fase madura.

Citação Original: E doidamente me apodero dos desvãos de mim, meus desvarios me sufocam de tanta beleza. Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca.

Exemplos de Uso

  • Na terapia, João descreveu sua ansiedade como 'apoderar-se dos desvãos de si mesmo', citando Lispector para expressar a complexidade do autoconhecimento.
  • Um artigo sobre burnout mencionou como 'a beleza das conquistas pode sufocar' quando se perde o equilíbrio, ecoando a paradoxalidade lispectoriana.
  • Num discurso sobre identidade de género, a oradora usou 'eu sou antes, quase, nunca' para descrever a experiência de transição pessoal.

Variações e Sinônimos

  • 'Conhece-te a ti mesmo' (provérbio socrático)
  • 'O inferno são os outros' (Jean-Paul Sartre)
  • 'Só sei que nada sei' (Sócrates)
  • 'Viver é perigosamente' (Clarice Lispector)
  • 'A vida é um sopro' (expressão popular)

Curiosidades

Clarice Lispector começou a escrever seu primeiro romance, 'Perto do Coração Selvagem', aos 19 anos, enquanto estudava Direito. A obra, publicada quando tinha 23 anos, foi imediatamente aclamada pela crítica e estabeleceu seu estilo introspetivo característico.

Perguntas Frequentes

O que significa 'desvãos de mim' na citação?
'Desvãos de mim' refere-se aos recantos mais íntimos, obscuros e inacessíveis da psique humana – aquelas partes do ser que normalmente permanecem escondidas ou não exploradas.
Por que a beleza é descrita como sufocante?
Lispector apresenta a beleza como uma experiência intensa e avassaladora que, em excesso, pode oprimir em vez de elevar, refletindo a complexidade das emoções humanas onde o sublime pode tornar-se angustiante.
Qual é o significado de 'eu sou antes, quase, nunca'?
Esta tríade expressa a condição liminar da existência: 'antes' refere-se ao passado ou potencial não realizado, 'quase' à proximidade nunca alcançada, e 'nunca' à impossibilidade de plenitude, capturando a natureza fugaz da identidade.
Como esta citação se relaciona com o existencialismo?
A frase reflete temas existenciais como a angústia perante a liberdade, a fragmentação do sujeito e a busca de significado numa existência sem essência pré-definida, alinhando-se com pensadores como Sartre e Kierkegaard.

Podem-te interessar também


Mais frases de Clarice Lispector




Mais vistos