Frases de Pietro Aretino - Escondemos o nosso sexo e pomo...

Escondemos o nosso sexo e pomos à vista as mãos que roubam e matam, e a boca que jura em falso.
Pietro Aretino
Significado e Contexto
A citação de Pietro Aretino expõe a contradição fundamental do comportamento humano: escondemos as características naturais e íntimas (como o sexo), consideradas tabus sociais, enquanto exibimos sem pudor as ações moralmente condenáveis – as mãos que roubam e matam, e a boca que mente sob juramento. Esta metáfora sugere que a sociedade valoriza mais a aparência de virtude do que a verdadeira integridade, permitindo que os vícios sejam praticados abertamente enquanto a natureza humana é reprimida. Num sentido mais amplo, Aretino critica a dupla moral vigente no seu tempo (e ainda hoje), onde os indivíduos e as instituições condenam publicamente certos comportamentos, mas toleram ou mesmo praticam atos de corrupção, violência e falsidade. A frase desafia o leitor a refletir sobre o que realmente escondemos e mostramos, questionando as prioridades morais da civilização.
Origem Histórica
Pietro Aretino (1492-1556) foi um escritor, poeta e dramaturgo italiano do Renascimento, conhecido como 'o flagelo dos príncipes' devido às suas sátiras mordazes contra a corrupção da Igreja, da nobreza e das elites políticas. Viveu numa época de grande efervescência cultural e religiosa, marcada pela Reforma Protestante e pela Contra-Reforma, onde a hipocrisia religiosa e social era um tema frequente. Aretino utilizava a sua escrita para denunciar a falsidade dos poderosos, muitas vezes arriscando a sua própria segurança.
Relevância Atual
Esta frase mantém-se relevante porque a hipocrisia continua a ser uma característica omnipresente nas sociedades contemporâneas. Podemos observá-la na política, onde discursos moralistas escondem corrupção; nas redes sociais, onde se projetam imagens perfeitas que ocultam realidades complexas; ou nas relações interpessoais, onde se criticam os erros alheios enquanto se cometem falhas semelhantes. A reflexão de Aretino convida a uma autocrítica constante sobre a coerência entre os nossos valores declarados e as nossas ações.
Fonte Original: A citação é atribuída a Pietro Aretino, mas a fonte exata (obra específica) não é consensual entre os estudiosos. É frequentemente citada em antologias de aforismos e pensamentos do Renascimento, refletindo o estilo satírico característico do autor.
Citação Original: Nascondiamo il nostro sesso e mettiamo in mostra le mani che rubano e uccidono, e la bocca che giura il falso.
Exemplos de Uso
- Na crítica a um político corrupto: 'Ele esconde a sua vida privada, mas põe à vista as mãos que desviam fundos públicos, tal como dizia Aretino.'
- Para descrever a falsidade nas redes sociais: 'Muitos escondem as suas vulnerabilidades e exibem apenas sucessos, uma versão moderna de esconder o sexo e mostrar a boca que jura em falso.'
- Em discussões éticas: 'A empresa esconde as suas práticas laborais exploradoras, mas mostra filantropia – é o clássico esconder o sexo e exibir as mãos que roubam.'
Variações e Sinônimos
- 'Dizem uma coisa e fazem outra'
- 'Aparências enganam'
- 'O hábito não faz o monge'
- 'Quem vê caras não vê corações'
- 'A hipocrisia é o tributo que o vício paga à virtude' (La Rochefoucauld)
Curiosidades
Pietro Aretino era tão influente e temido pela sua pena satírica que recebia 'pensões' de governantes e nobres para não os criticar nas suas obras, um fenómeno que alguns historiadores chamam de 'chantagem literária' do Renascimento.


