Frases de Carlos Drummond de Andrade - E cada instante é diferente, ...

E cada instante é diferente, e cada homem é diferente, e somos todos iguais. No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra o silêncio global, mas não seja logo.
Carlos Drummond de Andrade
Significado e Contexto
A citação apresenta uma reflexão sobre a condição humana através de três movimentos poéticos. Primeiro, afirma a singularidade de cada instante e indivíduo ('cada instante é diferente, e cada homem é diferente'), destacando a diversidade e particularidade da experiência. Em seguida, contrapõe com a afirmação 'e somos todos iguais', estabelecendo uma paradoxal unidade na diversidade. Finalmente, evoca a origem comum ('No mesmo ventre o escuro inicial') e o destino compartilhado ('na mesma terra o silêncio global'), referindo-se ao nascimento e à morte como experiências universais, mas conclui com um apelo à resistência ('mas não seja logo'), valorizando a vida presente. Esta construção dialética explora temas caros ao existencialismo e à poesia moderna: a tensão entre individualidade e coletividade, a consciência da mortalidade como elemento unificador, e a urgência de viver plenamente apesar do destino comum. Drummond utiliza imagens contrastantes (instante/eternidade, diferença/igualdade, ventre/terra) para criar uma meditação sobre o significado da existência humana.
Origem Histórica
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi um dos maiores poetas brasileiros do século XX, figura central da segunda geração do Modernismo brasileiro. A citação reflete características marcantes da sua obra: o tom filosófico, a preocupação com questões existenciais, e a linguagem aparentemente simples que esconde profundidade conceptual. Embora a origem exata desta citação não seja especificada nos registos mais conhecidos, ela sintetiza temas recorrentes na sua produção, especialmente dos períodos em que explorou a condição humana perante o tempo e a morte.
Relevância Atual
Esta frase mantém relevância contemporânea por abordar questões universais que transcendem contextos históricos específicos. Na era digital, onde frequentemente se valoriza a individualidade extrema ou, paradoxalmente, a padronização cultural, a reflexão de Drummond sobre equilibrar singularidade e humanidade comum oferece uma perspetiva necessária. Além disso, num mundo marcado por divisões sociais e políticas, a lembrança da nossa origem e destino compartilhados serve como apelo à empatia e compreensão mútua.
Fonte Original: A citação não está identificada com uma obra específica nos arquivos principais de Drummond, mas reflete temas consistentes da sua poesia, particularmente de coletâneas como 'A Rosa do Povo' (1945) e 'Claro Enigma' (1951), onde explora questões existenciais e sociais.
Citação Original: E cada instante é diferente, e cada homem é diferente, e somos todos iguais. No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra o silêncio global, mas não seja logo.
Exemplos de Uso
- Em discursos sobre diversidade e inclusão, para destacar que as diferenças individuais não anulam a humanidade comum.
- Em contextos de reflexão sobre mortalidade, como em cerimónias memoriais que celebram vidas únicas mas compartilham o mesmo destino.
- Em discussões filosóficas ou de autoajuda, para enfatizar a importância de viver o presente plenamente, consciente da transitoriedade da vida.
Variações e Sinônimos
- "Todos somos diferentes, mas todos somos iguais na essência"
- "Da poeira viemos, à poeira retornaremos" (alusão bíblica)
- "Cada homem é um universo, mas compartilhamos a mesma condição humana"
- "Na diversidade, a unidade" (princípio filosófico)
Curiosidades
Carlos Drummond de Andrade trabalhou grande parte da vida como funcionário público, escrevendo sua poesia revolucionária enquanto desempenhava funções burocráticas no Ministério da Educação brasileiro, demonstrando como a profundidade criativa pode florescer em contextos aparentemente comuns.


