Frases de Santo Agostinho - Casar-se está bem. Não se ca...

Casar-se está bem. Não se casar está melhor.
Santo Agostinho
Significado e Contexto
Esta citação, atribuída a Santo Agostinho, expressa uma visão hierárquica sobre o estado civil, enquadrada no pensamento cristão primitivo. Enquanto reconhece o casamento como um estado válido e digno ("está bem"), sugere que o celibato ("não se casar") é superior ("está melhor"), pois permite uma dedicação mais exclusiva a Deus e à vida espiritual, livre das distrações e responsabilidades familiares. Esta perspectiva reflete a influência do ascetismo e do ideal monástico que valorizavam a renúncia aos prazeres mundanos como caminho para a santidade. No contexto da obra de Agostinho, esta ideia está alinhada com a sua visão de que os bens terrenos, incluindo o matrimónio, são legítimos mas inferiores aos bens espirituais. Ele defendia que o celibato facilitava uma busca mais intensa pela verdade divina e pela prática das virtudes, embora sem condenar o casamento, que considerava um sacramento instituído por Deus. Esta dualidade ilustra a tensão entre a vida ativa no mundo e a contemplativa, comum na teologia medieval.
Origem Histórica
Santo Agostinho (354-430 d.C.) foi um dos mais influentes teólogos e filósofos do cristianismo primitivo, bispo de Hipona, no Norte de África. Viveu numa época de transição entre o Império Romano e a Idade Média, marcada por debates intensos sobre moralidade, ascetismo e a natureza do pecado. A sua obra, como "A Cidade de Deus" e "Confissões", aborda frequentemente temas como a sexualidade, o casamento e a renúncia, influenciada pelas suas próprias experiências de conversão e pelo contexto cultural romano-cristão.
Relevância Atual
Esta frase mantém relevância hoje como ponto de partida para discussões sobre liberdade individual, escolhas de vida e a relação entre compromissos pessoais e realização espiritual ou profissional. Num mundo secularizado, pode ser interpretada metaforicamente, questionando se certas renúncias (como ao casamento ou a outras convenções sociais) podem levar a uma vida mais autêntica ou focada em objetivos maiores. Também ressoa em debates sobre diversidade de estilos de vida e a valorização do celibato em contextos religiosos ou de autocuidado.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Santo Agostinho em compilações de ditados e reflexões cristãs, embora a origem exata possa ser de obras como "Sobre o Bem do Casamento" ("De bono coniugali") ou "Sobre a Virgindade" ("De sancta virginitate"), onde ele discute a superioridade do celibato sem desprezar o matrimónio.
Citação Original: Bene nubere, melius non nubere. (Latim)
Exemplos de Uso
- Num debate sobre estilos de vida, alguém pode citar Agostinho para defender que a solteirice permite maior dedicação a projetos pessoais.
- Em contextos religiosos, a frase é usada para explicar a opção pelo celibato clerical como um caminho de serviço a Deus.
- Na literatura de autoajuda, pode ser adaptada para encorajar a reflexão sobre prioridades: "Comprometer-se está bem, mas manter a liberdade pode ser melhor".
Variações e Sinônimos
- "O casamento é bom, mas o celibato é melhor."
- "É louvável casar, mas mais louvável não casar."
- Ditado popular: "Solteiro e rico, casado e pobre."
- Reflexão similar: "A liberdade tem um preço, mas o compromisso tem outro."
Curiosidades
Santo Agostinho teve um filho fora do casamento antes da sua conversão ao cristianismo, o que pode ter influenciado as suas reflexões críticas sobre a sexualidade e a valorização do celibato como caminho de redenção.


