Frases de Baltasar Gracián - O que é excesso para uns é f...

O que é excesso para uns é fome para outros. Alguns desperdiçam alimentos finos porque não têm como digeri-los: Não nasceram para ocupações elevadas e não estão acostumados a elas.
Baltasar Gracián
Significado e Contexto
A citação de Baltasar Gracián explora a dualidade entre excesso e carência na sociedade. No primeiro nível, critica o desperdício dos privilegiados que possuem mais do que conseguem aproveitar, enquanto outros carecem do essencial. No segundo nível, introduz uma visão mais controversa: sugere que algumas pessoas não estão preparadas para 'ocupações elevadas' devido à sua natureza ou educação, justificando assim as diferenças sociais através de uma suposta hierarquia natural. Esta perspetiva reflete o pensamento barroco espanhol, que frequentemente via a sociedade como organicamente estratificada.
Origem Histórica
Baltasar Gracián (1601-1658) foi um jesuíta, escritor e filósofo espanhol do Século de Ouro. Viveu durante o Barroco, período marcado por contrastes sociais acentuados, decadência política e intensa reflexão moral. Sua obra, especialmente 'Oráculo Manual e Arte de Prudência' (1647), caracteriza-se por aforismos que analisam o comportamento humano, a política e a ética numa sociedade cortesã complexa.
Relevância Atual
Esta frase mantém relevância por abordar temas contemporâneos como a desigualdade económica, o desperdício alimentar global e os debates sobre meritocracia versus privilégio. A ideia de que nem todos estão preparados para certas posições ressoa em discussões modernas sobre educação, mobilidade social e justiça distributiva.
Fonte Original: Provavelmente do livro 'Oráculo Manual e Arte de Prudência' (1647), uma coleção de 300 aforismos sobre sabedoria prática e comportamento social.
Citação Original: Lo que para unos es exceso, para otros es hambre. Algunos desperdician manjares finos porque no tienen cómo digerirlos: No nacieron para ocupaciones elevadas y no están acostumbrados a ellas.
Exemplos de Uso
- Num contexto corporativo: 'A empresa ofereceu formação avançada a todos, mas alguns colaboradores não a aproveitaram - como diz Gracián, nem todos estão preparados para ocupações elevadas.'
- Na crítica social: 'Enquanto toneladas de alimentos são desperdiçadas, milhões passam fome - um exemplo perfeito do que Gracián chamou "o que é excesso para uns é fome para outros".'
- Na educação: 'Oferecer os mesmos recursos a todos os alunos nem sempre produz igualdade de resultados, pois fatores como background familiar criam diferenças na capacidade de "digerir" oportunidades.'
Variações e Sinônimos
- "Uns têm tanto que não sabem o que fazer, outros não têm nada para sobreviver."
- "Cada um no seu quadrado" (ditado popular sobre limites pessoais)
- "Nem todos nasceram para ser reis."
- "A fome de uns é o banquete de outros."
Curiosidades
Gracián escreveu sob pseudónimo (Lorenzo Gracián) para evitar problemas com a Companhia de Jesus, que desaprovava que seus membros publicassem obras seculares sem autorização.


