Frases de Mário de Andrade - Ninguém escreve para si mesmo

Frases de Mário de Andrade - Ninguém escreve para si mesmo...


Frases de Mário  de Andrade


Ninguém escreve para si mesmo, a não ser um monstro de orgulho. A gente escreve pra ser amado, pra atrair, encantar, etc.

Mário de Andrade

Esta citação revela a natureza social da escrita, sugerindo que o ato de escrever é, em essência, um gesto de conexão humana. O orgulho solitário contrasta com o desejo universal de ser compreendido e apreciado.

Significado e Contexto

A citação de Mário de Andrade desafia a noção romântica do escritor solitário que cria apenas para si mesmo. Ele argumenta que tal postura seria um 'monstro de orgulho', sugerindo que o isolamento criativo completo é uma forma de arrogância. Em contraste, propõe que a escrita é fundamentalmente um ato social e relacional: escrevemos para estabelecer laços, para provocar emoções nos outros (como o amor, a atração ou o encantamento) e, assim, participar do tecido da comunidade humana. A escrita torna-se então uma ponte entre o eu e o outro, um meio de partilha e de busca de reconhecimento.

Origem Histórica

Mário de Andrade (1893-1945) foi uma figura central do Modernismo brasileiro, um movimento artístico e literário que, nas décadas de 1920 e 1930, procurou romper com tradições académicas e valorizar a identidade nacional. Neste contexto, a reflexão sobre o papel social do artista e do intelectual era crucial. Andrade, além de escritor, foi musicólogo, crítico de arte e professor, atividades que o colocavam em constante diálogo com o público. A sua visão da escrita como um ato comunicativo e social reflete este engajamento com a cultura e a sociedade do seu tempo.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância profunda na era digital, onde a escrita (em blogs, redes sociais, emails, mensagens) é ubíqua. Questiona as motivações por trás de cada publicação online: será por partilha genuína, por validação social ('likes'), por influência ou por simples exibicionismo? A discussão sobre autenticidade versus performance, sobre o desejo de conexão versus o 'orgulho' da auto-suficiência digital, é mais atual do que nunca. A citação convida a uma autorreflexão sobre por que e para quem comunicamos.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Mário de Andrade em contextos de entrevistas, cartas ou discursos, mas não está identificada com precisão numa obra publicada específica (como um romance ou livro de ensaios). É amplamente citada como uma reflexão pessoal sua sobre o ofício de escrever.

Citação Original: Ninguém escreve para si mesmo, a não ser um monstro de orgulho. A gente escreve pra ser amado, pra atrair, encantar, etc.

Exemplos de Uso

  • Um blogger reflete: 'Escrevo estas crónicas não por vaidade, mas na esperança de que toquem alguém. Como dizia Mário de Andrade, escrevemos para ser amados.'
  • Num workshop de escrita criativa, o formador usa a citação para discutir a importância de considerar o leitor durante o processo de criação.
  • Num post sobre saúde mental, um psicólogo cita a frase para falar da necessidade humana de expressão e validação através da escrita em diários ou partilhas online.

Variações e Sinônimos

  • Escrever é um ato de esperança dirigido a um leitor desconhecido.
  • A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem a escuta.
  • Ninguém é uma ilha; toda a escrita busca um continente.
  • Comunicar é tornar comum.

Curiosidades

Mário de Andrade era tão multifacetado que, além da literatura, teve um papel fundamental na criação do Serviço do Património Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) no Brasil, demonstrando o seu profundo compromisso com a partilha e preservação da cultura – uma extensão prática da sua crença na comunicação como ato social.

Perguntas Frequentes

Mário de Andrade considerava o orgulho sempre negativo?
Não necessariamente. Na citação, ele usa 'monstro de orgulho' para criticar uma forma extrema de auto-suficiência e isolamento na criação. O orgulho, em moderação, pode ser saudável, mas aqui simboliza uma recusa egoísta de se conectar com os outros.
Esta ideia aplica-se apenas à escrita literária?
Não. A reflexão é ampla e aplica-se a qualquer forma de escrita (académica, jornalística, publicitária, pessoal) e, por extensão, a muitas outras formas de expressão artística ou comunicação. O núcleo da ideia é a intenção comunicativa e relacional.
A citação contradiz a ideia de escrever por terapia pessoal?
Não contradiz totalmente. Escrever por terapia pode ser um processo inicialmente privado, mas muitas vezes evolui ou contém a esperança implícita de compreensão futura (própria ou alheia). Andrade fala da motivação fundamental última, não de todos os estágios do processo.
Onde posso ler mais obras de Mário de Andrade?
A sua obra mais famosa é o romance 'Macunaíma' (1928), um marco do Modernismo. Também escreveu poesia (como em 'Pauliceia Desvairada'), ensaios e contos. As suas obras estão amplamente disponíveis em edições brasileiras.

Podem-te interessar também


Mais frases de Mário de Andrade




Mais vistos