Frases de Blaise Pascal - Os incrédulos são os mais cr...

Os incrédulos são os mais crédulos. Crêem nos milagres de Vespasiano para não crer nos de Moisés.
Blaise Pascal
Significado e Contexto
A citação de Blaise Pascal critica uma forma específica de cepticismo que não é genuinamente racional, mas sim selectiva. Ele observa que os 'incrédulos' (aqui referindo-se frequentemente a cépticos em relação ao cristianismo ou a milagres bíblicos) estão dispostos a acreditar em relatos de milagres atribuídos a figuras como o imperador romano Vespasiano, que eram por vezes usados para legitimar o poder político pagão. A ironia reside no facto de que rejeitam os milagres de Moisés (fundamentais para a tradição judaico-cristã) não por uma análise objectiva, mas por um preconceito contra a fonte religiosa. Pascal argumenta que esta descrença é, na realidade, uma forma de credulidade – acredita-se numa narrativa (mesmo duvidosa) simplesmente porque se alinha com a vontade de não acreditar noutra. É uma crítica à parcialidade intelectual e à falácia de considerar uma posição como neutra apenas por ser contrária a uma tradição estabelecida.
Origem Histórica
Blaise Pascal (1623-1662) foi um matemático, físico e filósofo francês do século XVII, um período de intenso debate entre a ciência emergente, a filosofia e a religião. Esta citação provém provavelmente dos seus 'Pensamentos' ('Pensées'), uma obra póstuma e fragmentária onde defendia a fé cristã, particularmente o jansenismo, contra os ataques dos cépticos e libertinos da sua época. O contexto é a apologética cristã, onde Pascal procurava demonstrar as limitações da razão pura e a necessidade da fé, argumentando que o ateísmo ou o cepticismo radical não eram posições mais racionais, mas sim outras formas de crença, por vezes baseadas em pressupostos não examinados.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância impressionante na era da informação e das 'bolhas' ideológicas. Ilustra o fenómeno moderno onde indivíduos ou grupos rejeitam veementemente evidências ou narrativas de um lado (por exemplo, da ciência mainstream ou de fontes mediáticas tradicionais) apenas para abraçar acriticamente teorias alternativas, por vezes conspiratórias ou não verificadas, que se alinham com a sua visão de mundo pré-existente. É um alerta contra o viés de confirmação e um lembrete de que a descrença dogmática pode ser tão pouco crítica quanto a crença dogmática. Aplica-se a debates sobre política, saúde pública, ciência do clima e notícias falsas.
Fonte Original: A obra 'Pensamentos' ('Pensées'), uma colecção de notas e fragmentos preparados para uma apologia da religião cristã, publicada postumamente em 1670.
Citação Original: Les incrédules sont les plus crédules. Ils croient les miracles de Vespasien, pour ne pas croire ceux de Moïse.
Exemplos de Uso
- Um político que nega consensos científicos sobre alterações climáticas, mas acredita em teorias da conspiração sem evidências sólidas.
- Uma pessoa que desconfia de todas as vacinas por princípio, mas segue religiosamente dietas ou curas alternativas sem base científica.
- Um crítico que rejeita todas as notícias da imprensa tradicional como 'falsa', consumindo apenas fontes que confirmam os seus preconceitos, sem as questionar.
Variações e Sinônimos
- A descrença mais obstinada é, muitas vezes, uma forma de fé.
- Quem tudo nega, tudo acredita.
- O cepticismo selectivo é a nova credulidade.
- Não acreditar em nada é estar pronto para acreditar em tudo.
Curiosidades
Blaise Pascal, além de filósofo, foi um prodígio da matemática e física. Aos 16 anos, escreveu um tratado seminal sobre geometria projectiva, e mais tarde inventou a máquina de calcular (a 'Pascaline') e realizou experiências pioneiras sobre o vácuo e a pressão atmosférica (a unidade de pressão 'pascal' tem o seu nome).


