Frases de Allan Kardec - Não são os da consanguinidad...

Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família, e sim os da simpatia e da comunhão de ideais, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações.
Allan Kardec
Significado e Contexto
A afirmação sublinha uma visão ética e metafísica das relações humanas: o que une verdadeiramente as pessoas são valores partilhados, afinidades emocionais e intenções morais, mais do que laços sanguíneos. Numa perspetiva espírita, estes vínculos transcendem a existência física, indicando continuidades entre as almas que se encontram antes de cada encarnação e permanecem depois dela, orientando escolhas, aprendizagens e responsabilidades mútuas. Em termos pedagógicos, a frase convida à reflexão sobre o conceito de «família» como algo dinâmico e eleito, onde a empatia e os objetivos partilhados constroem comunidades afetivas e éticas. Isso tem implicações práticas em temas como educação, apoio social e saúde mental: promove a ideia de que relações saudáveis se fundamentam na sintonia de valores e no crescimento comum.
Origem Histórica
Allan Kardec (1804–1869), pseudónimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, foi o codificador do Espiritismo no século XIX na França. As suas obras — entre as quais se destacam O Livro dos Espíritos (1857) e O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864) — sistematizam comunicações mediúnicas e princípios morais sobre a reencarnação, a interexistência dos Espíritos e a progressão moral da Humanidade. A citação insere-se neste quadro doutrinário que procura explicar laços afetivos à luz da continuidade espiritual.
Relevância Atual
A frase mantém relevância porque dialoga com debates contemporâneos sobre família, identidade e redes de apoio: em sociedades onde famílias nucleares tradicionais se transformam, a ideia de «família escolhida» ganha força. Além disso, ressalta a importância de valores partilhados na coesão de grupos sociais e nas práticas de cuidado, algo útil em contextos de terapia, educação e comunidades online que procuram sentido e pertença.
Fonte Original: Atribuída a Allan Kardec e presente nos textos doutrinários do Espiritismo; aparece em compilações e citações relacionadas a O Livro dos Espíritos e a obras espiritistas, embora a referência exacta à frase possa variar entre edições e traduções.
Exemplos de Uso
- Num contexto terapêutico: um psicoterapeuta usa a ideia para explicar que laços afetivos saudáveis se baseiam em valores e cumplicidade, não só em relações de sangue.
- Em comunidades de voluntariado: organizações que formam «famílias» de trabalho, unidas pela missão e ideais comuns, referem-se à citação para reforçar a pertença e o compromisso.
- Em cerimónias e memoriais: a frase é citada em tributos para destacar que a ligação entre pessoas pode continuar para além da ausência física quando há afinidade espiritual.
Variações e Sinônimos
- A família é definida pela afinidade de corações, não apenas pelo sangue.
- Os verdadeiros laços são os do carinho e da comunhão de ideias.
- Família escolhida: laços de afeto e valores partilhados.
- Não é o sangue que nos une, é a simpatia e a alma.
Curiosidades
Allan Kardec, além de autor espírita, foi professor e pedagogo que reuniu comunicações mediúnicas para formular uma doutrina ética e científica do seu ponto de vista. A noção de laços espirituais tem sido amplamente divulgada em línguas latinas e frequentemente citada em contextos religiosos, funerários e comunitários no mundo lusófono.


