Frases de Allan Kardec - A paixão está no excesso acr...

A paixão está no excesso acrescentado à vontade, porque o princípio foi dado ao homem para o bem e as paixões podem levá-lo a grandes coisas, sendo o abuso que delas se faz que causa o mal.
Allan Kardec
Significado e Contexto
A citação de Allan Kardec distingue entre a paixão como um 'excesso acrescentado à vontade' e o seu potencial inato para o bem. O 'princípio' refere-se à natureza essencial do ser humano, orientada para o bem, enquanto as paixões são intensificações emocionais dessa vontade. Kardec argumenta que as paixões, por si só, não são negativas; pelo contrário, podem ser motores para realizações significativas. O problema surge com o 'abuso', ou seja, quando a paixão é exercida sem moderação, discernimento ou consideração ética, levando a consequências prejudiciais. Assim, a frase enfatiza a responsabilidade humana em canalizar as emoções intensas de forma construtiva, alinhando-as com o propósito moral original.
Origem Histórica
Allan Kardec (pseudónimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, 1804-1869) foi o codificador do Espiritismo, um movimento filosófico-religioso que surgiu em França no século XIX. O contexto é o do Iluminismo e do Romantismo, onde se discutia a natureza humana, a razão e as emoções. Kardec, através de obras como 'O Livro dos Espíritos' (1857) e 'O Evangelho Segundo o Espiritismo' (1864), procurou integrar conceitos científicos, filosóficos e morais, defendendo a ideia de progresso espiritual através de sucessivas encarnações. Esta citação reflete a visão espírita de que o ser humano é um espírito em evolução, dotado de livre-arbítrio, que deve aprender a dominar as suas paixões para avançar moralmente.
Relevância Atual
Esta frase mantém-se relevante porque aborda temas perenes da condição humana: a gestão das emoções, o equilíbrio entre impulso e razão, e a ética na ação. Num mundo moderno frequentemente movido por paixões intensas (seja no activismo, nos negócios, nas relações ou no consumo), a reflexão de Kardec serve como um alerta sobre os perigos do excesso e uma inspiração para direcionar a energia emocional para fins construtivos. É particularmente pertinente em discussões sobre saúde mental, liderança ética e desenvolvimento pessoal, onde o autocontrolo e a motivação são cruciais.
Fonte Original: A citação é atribuída a Allan Kardec, provavelmente derivada das suas obras fundamentais do Espiritismo, como 'O Livro dos Espíritos' ou 'O Evangelho Segundo o Espiritismo', que abordam frequentemente temas morais e o papel das paixões na evolução espiritual. No entanto, a localização exata (capítulo, questão) não é especificada na citação fornecida.
Citação Original: A paixão está no excesso acrescentado à vontade, porque o princípio foi dado ao homem para o bem e as paixões podem levá-lo a grandes coisas, sendo o abuso que delas se faz que causa o mal.
Exemplos de Uso
- Um activista ambiental, movido pela paixão pela natureza, pode liderar grandes campanhas de conservação, mas se essa paixão se tornar fanatismo, pode levar a actos de vandalismo ou intolerância.
- Um empreendedor, com paixão pelo seu projecto, pode inovar e criar empregos, mas se abusar dessa paixão (ex.: trabalho excessivo, desconsideração pela equipa), pode causar burnout ou falência ética.
- Num relacionamento, a paixão amorosa pode fortalecer os laços e inspirar gestos generosos, mas o seu abuso (ex.: ciúmes possessivos) pode gerar conflitos e sofrimento.
Variações e Sinônimos
- A paixão é o vento que enche as velas, mas pode afundar o barco se não for dominada.
- O fogo da paixão aquece, mas também consome.
- As emoções são como cavalos: úteis quando controladas, perigosas quando descontroladas.
- A paixão é uma espada de dois gumes.
- A virtude está no meio-termo (conceito aristotélico de 'mediania').
Curiosidades
Allan Kardec, antes de se dedicar ao Espiritismo, foi um educador e discípulo do pedagogo suíço Johann Heinrich Pestalozzi, o que influenciou a sua abordagem didáctica e moral nas obras espíritas. O seu pseudónimo 'Kardec' terá sido sugerido por um espírito durante uma sessão mediúnica.


