Frases de Clarice Lispector - Sou apego pelo que vale a pena...

Sou apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer.
Clarice Lispector
Significado e Contexto
A citação 'Sou apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer' encapsula uma filosofia de vida baseada no discernimento ativo. O 'apego' não é apresentado como algo negativo, mas como uma escolha consciente e positiva direcionada para aquilo que tem valor genuíno – sejam relações, ideais, projetos ou paixões. Por outro lado, o 'desapego' é a resposta igualmente consciente e libertadora perante tudo o que se recusa a ter valor, que é fútil, tóxico ou inautêntico. Lispector não propõe uma renúncia universal, mas uma seleção criteriosa guiada pela percepção do que verdadeiramente 'vale a pena'. Esta ideia desafia visões simplistas que condenam todo o apego. Em vez disso, ela defende uma postura ativa de avaliação constante. O sujeito ('Sou') afirma a sua identidade como sendo essa dualidade dinâmica. A frase 'não quer valer' é particularmente poderosa, implicando que a falta de valor pode ser uma escolha ou característica inerente do objeto, e não uma mera perceção subjetiva. Assim, a liberdade e a autenticidade residem nesta capacidade de se ligar profundamente ao que é significativo e de se soltar do que é vazio.
Origem Histórica
Clarice Lispector (1920-1977) foi uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX, conhecida pela sua prosa introspetiva e filosófica que explora a condição humana, a identidade e a existência. A sua obra, inserida no modernismo brasileiro, afasta-se do realismo social para mergulhar no fluxo de consciência e nos dramas íntimos. Esta citação reflete a sua constante busca por autenticidade e verdade interior, temas centrais em romances como 'A Paixão Segundo G.H.' e 'A Hora da Estrela'. O contexto histórico pós-guerra e de modernização acelerada do Brasil pode ter alimentado a sua reflexão sobre valores autênticos versus superficialidades.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância extraordinária no mundo contemporâneo, marcado pelo excesso de informação, consumismo e relações superficiais promovidas pelas redes sociais. Ela serve como um antídoto filosófico contra a dispersão e a ansiedade, lembrando-nos da importância de priorizar o que é essencial. Num contexto de 'cultura do cancelamento' e polarização, a ideia de 'desapego pelo que não quer valer' pode ser aplicada a discussões infrutíferas ou fontes de informação tóxicas. A nível pessoal, ressoa com movimentos como o minimalismo e a atenção plena (mindfulness), que enfatizam a qualidade sobre a quantidade e a intencionalidade nas escolhas.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Clarice Lispector em antologias e coleções de suas frases, embora a origem exata (livro, entrevista ou carta específica) não seja universalmente documentada em fontes canónicas principais. É amplamente circulada como representativa do seu pensamento.
Citação Original: Sou apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer. (A citação já está na língua original, português.)
Exemplos de Uso
- Na gestão do tempo: aplicar o 'apego' a projetos profissionais significativos e o 'desapego' a distrações digitais constantes que 'não querem valer'.
- Nas relações interpessoais: cultivar apego a amizades recíprocas e nutritivas, praticando o desapego de relações tóxicas ou unilaterais.
- No consumo de informação: ter apego a fontes de notícias credíveis e análises profundas, e desapego de conteúdos sensacionalistas ou 'clickbait' nas redes sociais.
Variações e Sinônimos
- "Amar o que merece, abandonar o que não dignifica."
- "Saber segurar o que importa e soltar o que pesa."
- "A virtude está em distinguir o essencial do acessório." (adaptação de um princípio estoico)
- "Valorize o que tem valor, ignore o que não tem."
Curiosidades
Clarice Lispector nasceu na Ucrânia e chegou ao Brasil ainda bebé, fugindo da perseguição aos judeus. O seu nome de batismo era Chaya Pinkhasivna Lispector. A profundidade filosófica da sua escrita, visível em frases como esta, levou-a a ser comparada a autores como Virginia Woolf e James Joyce.


