Frases de Nicolau Maquiavel - Pois o homem que queira profes

Frases de Nicolau Maquiavel - Pois o homem que queira profes...


Frases de Nicolau Maquiavel


Pois o homem que queira professar o bem por toda parte é natural que se arruíne entre tantos que não são bons.

Nicolau Maquiavel

Esta citação revela a tensão entre o idealismo moral e a realidade pragmática. Maquiavel alerta que a virtude absoluta pode tornar-se uma vulnerabilidade num mundo imperfeito.

Significado e Contexto

Esta frase de Nicolau Maquiavel encapsula um dos princípios centrais do seu pensamento político: o conflito entre a moralidade ideal e as exigências práticas da governação. Maquiavel argumenta que um indivíduo que insiste em praticar o bem de forma absoluta e incondicional, ignorando as realidades do contexto social, está condenado ao fracasso. Isto porque o mundo está repleto de pessoas que não partilham esses valores elevados, criando uma assimetria que pode ser explorada. A citação não defende o abandono da ética, mas sim a necessidade de uma abordagem pragmática que reconheça a natureza humana e as dinâmicas de poder. Num sentido mais amplo, a frase questiona a viabilidade do idealismo puro em ambientes complexos. Sugere que a sobrevivência e a eficácia – seja na política, nos negócios ou na vida social – exigem por vezes compromissos e uma compreensão das motivações alheias. A virtude, quando divorciada da prudência e da leitura realista das circunstâncias, pode tornar-se uma fraqueza estratégica. Esta perspetiva convida à reflexão sobre como equilibrar princípios com pragmatismo.

Origem Histórica

Nicolau Maquiavel (1469-1527) viveu durante o Renascimento italiano, um período marcado por intensas lutas políticas, guerras entre cidades-estado e a influência da Igreja. A sua experiência como diplomata em Florença expô-lo diretamente às maquinações do poder. A citação reflete o seu realismo político, desenvolvido em obras como 'O Príncipe' (1513), escrita para orientar governantes na conquista e manutenção do poder. Maquiavel rompeu com a tradição filosófica que subordinava a política à ética, argumentando que os líderes devem, por vezes, adotar medidas consideradas imorais para garantir a estabilidade do Estado.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância profunda nos dias de hoje, aplicando-se a diversos contextos. Na política, ilustra os desafios enfrentados por líderes idealistas em sistemas corruptos ou partidários. No mundo empresarial, alerta para os riscos de uma ética rígida em mercados altamente competitivos. Nas relações sociais, fala da dificuldade de manter integridade em ambientes tóxicos. Num era de ativismo e polarização, a citação serve como um lembrete de que a mudança eficaz requer não apenas bons princípios, mas também estratégia e compreensão das realidades existentes.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída à obra 'O Príncipe' (Il Principe) de Nicolau Maquiavel, embora a localização exata no texto possa variar conforme a tradução. É um dos aforismos mais conhecidos que sintetizam o seu pensamento.

Citação Original: Perché l'uomo che voglia fare in tutte le parti professione di buono, conviene che rovini infra tanti che non sono buoni.

Exemplos de Uso

  • Um político honesto que se recusa a fazer alianças pragmáticas pode ser marginalizado por colegas mais oportunistas.
  • Um gestor que aplica regras éticas de forma inflexível, sem considerar o contexto, pode prejudicar a equipa e a empresa.
  • Um ativista que ignora completamente as dinâmicas de poder da sociedade pode ver as suas causas nobres falharem por falta de apoio.

Variações e Sinônimos

  • "Quem com lobos anda, a uivar aprende."
  • "O bom é inimigo do ótimo."
  • "A estrada para o inferno está pavimentada de boas intenções."
  • "Em terra de cego, quem tem um olho é rei."
  • "Adaptar-se ou perecer."

Curiosidades

Maquiavel escreveu 'O Príncipe' numa tentativa de recuperar o favor dos Medici, a família governante de Florença, após ter sido afastado do cargo. Ironia do destino, a obra que o tornou famoso não lhe garantiu o emprego que desejava.

Perguntas Frequentes

Maquiavel estava a defender a imoralidade?
Não. Maquiavel defendia o pragmatismo. Acreditava que, em política, ações consideradas imorais podem ser necessárias para o bem maior da estabilidade do Estado, mas não promovia a maldade por si só.
Esta citação aplica-se apenas à política?
Não. O princípio é universal. Aplica-se a qualquer contexto onde ideais elevados colidem com realidades complexas, como nos negócios, na liderança ou até nas dinâmicas sociais pessoais.
Qual é a principal lição desta frase?
A principal lição é a importância do realismo. A virtude incondicional, sem adaptação ao contexto e à natureza dos outros, pode levar ao fracasso. É um alerta para a necessidade de estratégia e discernimento.
Esta ideia contradiz a ética tradicional?
Sim, em parte. Maquiavel separou a ética pessoal da razão de Estado, um rompimento com o pensamento clássico e cristão que subordinava o poder a princípios morais absolutos.

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