Frases de Bernardo Soares - Mesmo eu, o que sonha tanto, t...

Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge.
Bernardo Soares
Significado e Contexto
A citação expressa a experiência paradoxal de quem, apesar de dedicar a vida ao sonho e à imaginação, enfrenta momentos em que essa capacidade parece abandoná-lo. Bernardo Soares, heterónimo de Fernando Pessoa, capta aqui a fragilidade inerente ao processo criativo e existencial. Não se trata apenas de falta de inspiração, mas de uma desconexão temporária com o próprio eu que sonha, revelando como mesmo os mais visionários não estão imunes ao desânimo ou à realidade prosaica. Num sentido mais amplo, a frase ilustra a condição humana de oscilação entre o ideal e o real, entre a aspiração e a limitação. O 'intervalo' mencionado não é um fracasso permanente, mas uma pausa necessária que faz parte do ciclo do sonhar. Esta perspetiva educa sobre a importância de aceitar os momentos de vazio criativo como parte natural do processo, em vez de os ver como defeitos pessoais.
Origem Histórica
Bernardo Soares é um dos principais heterónimos de Fernando Pessoa, criado na primeira metade do século XX em Lisboa. Esta citação provém provavelmente do 'Livro do Desassossego', obra fragmentária escrita sob este heterónimo entre 1913 e 1935. O contexto histórico é o Portugal da Primeira República, marcado por instabilidade política e transformações sociais, onde a introspeção e o desencanto encontravam expressão literária.
Relevância Atual
Esta frase mantém relevância hoje porque capta a experiência contemporânea de 'burnout' criativo e emocional. Numa sociedade que valoriza a produtividade constante e a positividade, a aceitação dos 'intervalos' do sonho torna-se um antídoto necessário. Ressoa com discussões modernas sobre saúde mental, mostrando que mesmo os mais realizados enfrentam momentos de desconexão.
Fonte Original: Livro do Desassossego (atribuído a Bernardo Soares, heterónimo de Fernando Pessoa)
Citação Original: Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge.
Exemplos de Uso
- Num contexto terapêutico: 'Como artista, reconheço que tenho intervalos em que o sonho me foge, e isso faz parte do processo criativo.'
- Na autoajuda: 'Não te culpes se, mesmo sendo sonhador, às vezes o sonho te foge - é humano.'
- Na educação: 'Ensinamos os alunos que até os grandes pensadores tinham intervalos em que o sonho lhes fugia.'
Variações e Sinônimos
- "Até os poetas têm dias sem poesia."
- "Não há fogo que sempre arda sem se apagar."
- "A inspiração é uma visita, não uma residente." (Rilke)
- "Até o sol tem manchas."
Curiosidades
Bernardo Soares era considerado por Fernando Pessoa como um 'semi-heterónimo', pois partilhava muitas características com o autor real, incluindo a profissão de auxiliar de escritório em Lisboa, contrastando com a sua vida interior intensamente sonhadora.


