Frases de Mário Quintana - Quem é que pode parar os cami...

Quem é que pode parar os caminhos? E os rios cantando e correndo? E as folhas ao vento? E os ninhos? E a poesia? A poesia como um seio nascendo...
Mário Quintana
Significado e Contexto
A citação de Mário Quintana estabelece um paralelo entre fenómenos naturais incontroláveis (caminhos, rios, folhas ao vento, ninhos) e a poesia, apresentando esta última como uma força igualmente espontânea e inevitável. A expressão 'como um seio nascendo' é particularmente poderosa, pois sugere um processo orgânico, natural e vital – a poesia não é fabricada, mas brota, cresce e manifesta-se com a mesma necessidade biológica e beleza intrínseca. Quintana defende assim que a verdadeira criação artística não pode ser reprimida ou planeada de forma rígida; ela emerge da vida com a sua própria força e ritmo, tal como os elementos da natureza que cita. É uma visão que coloca a arte no domínio do orgânico e do essencial, em oposição ao artificial ou ao meramente técnico.
Origem Histórica
Mário Quintana (1906-1994) foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro, uma figura central do modernismo brasileiro na sua fase mais madura. A sua obra é conhecida pela simplicidade aparente, pelo lirismo profundo e por uma visão muitas vezes melancólica, mas também esperançosa, da condição humana. Esta citação reflete o seu estilo: usa imagens concretas e cotidianas (caminhos, rios, folhas) para chegar a uma reflexão transcendente sobre a arte. O contexto histórico é o do século XX, marcado por guerras e transformações sociais, onde a poesia de Quintana oferecia um refúgio de humanidade e uma celebração das coisas simples e eternas.
Relevância Atual
Esta frase mantém-se profundamente relevante hoje, num mundo muitas vezes acelerado, tecnocrático e que tenta controlar ou optimizar tudo, inclusive a criatividade. Ela lembra-nos que há forças – na natureza, no ser humano, na arte – que são inerentemente livres e não podem ser totalmente dominadas. Num contexto educativo, inspira a valorizar a espontaneidade e a expressão autêntica. Num contexto mais amplo, serve como metáfora para movimentos sociais, ideias inovadoras ou qualquer manifestação de vida que brota apesar das adversidades. Reafirma a importância de deixar espaço para o imprevisto, o orgânico e o belo.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Mário Quintana em antologias e coletâneas da sua obra, embora a origem exata (livro ou poema específico) seja por vezes difícil de precisar, sendo parte do seu vasto legado de aforismos e pensamentos poéticos.
Citação Original: Quem é que pode parar os caminhos? E os rios cantando e correndo? E as folhas ao vento? E os ninhos? E a poesia? A poesia como um seio nascendo...
Exemplos de Uso
- Num discurso sobre inovação: 'A verdadeira criatividade na nossa empresa deve fluir como os rios de Quintana – não pode ser totalmente contida.'
- Num workshop de escrita criativa: 'Não force as palavras. Lembre-se de Quintana: a poesia surge como um seio nascendo, orgânica e necessária.'
- Num artigo sobre ecologia: 'A natureza tem a sua própria voz e ritmo, como lembrou o poeta: quem pode parar os rios cantando e correndo?'
Variações e Sinônimos
- "A arte brota da vida como a água da fonte."
- "A criatividade é um rio que não se pode represar."
- "A poesia é um sopro de vida, inevitável como o vento."
- Ditado popular: "Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura." (sobre persistência natural)
Curiosidades
Mário Quintana nunca se formou formalmente em Letras e trabalhou grande parte da vida como jornalista e tradutor. Era conhecido por viver de forma simples e por hospedar-se durante décadas no Hotel Majestic, em Porto Alegre, que hoje abriga um centro cultural com o seu nome.


