Frases de Thomas Hobbes - A razão é o passo, o aumento

Frases de Thomas Hobbes - A razão é o passo, o aumento...


Frases de Thomas Hobbes


A razão é o passo, o aumento da ciência o caminho, e o benefício da humanidade é o fim.

Thomas Hobbes

Esta citação de Hobbes apresenta uma visão teleológica do progresso humano, onde a razão e a ciência não são fins em si mesmas, mas instrumentos para um propósito maior: o bem-estar coletivo. É uma declaração otimista sobre o potencial da humanidade quando guiada pelo conhecimento.

Significado e Contexto

A citação estrutura-se como uma metáfora de viagem: 'a razão é o passo' representa a ação individual fundamentada no pensamento lógico, o ponto de partida essencial. 'O aumento da ciência o caminho' simboliza o progresso coletivo e acumulativo do conhecimento, que direciona e alarga o percurso. Finalmente, 'o benefício da humanidade é o fim' estabelece o objetivo último e moral de todo este esforço. Hobbes, frequentemente associado a uma visão pessimista da natureza humana ('homo homini lupus'), apresenta aqui uma faceta menos conhecida: a crença no potencial da razão e da ciência como ferramentas para melhorar a condição humana, antecipando ideias do Iluminismo. A frase sugere uma hierarquia de valores: a razão individual (o passo) é necessária, mas insuficiente sem o desenvolvimento sistemático do conhecimento (o caminho). Este, por sua vez, só encontra justificação plena se servir a um propósito ético superior (o fim). É uma visão instrumental da ciência, subordinada a uma finalidade humanitária, que contrasta com perspetivas onde o conhecimento é buscado por si mesmo ou para poder.

Origem Histórica

Thomas Hobbes (1588-1679) foi um filósofo inglês do século XVII, mais conhecido pela sua obra 'Leviatã' (1651), onde defende um contrato social e um soberano absoluto para evitar a 'guerra de todos contra todos'. Esta citação, no entanto, reflete outro aspeto do seu pensamento, influenciado pelo desenvolvimento científico da sua época (como os trabalhos de Galileu). Viveu num período de grandes convulsões políticas (Guerra Civil Inglesa) e de revolução científica, onde a confiança na razão e no método começava a desafiar autoridades tradicionais.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância pungente no debate contemporâneo sobre a ética na ciência e tecnologia. Num mundo de avanços rápidos em IA, biotecnologia ou alterações climáticas, a questão 'a ciência serve a humanidade ou outros interesses?' é central. A citação lembra-nos que o progresso técnico e científico deve ser avaliado pelo seu impacto humano final, servindo como um apelo à responsabilidade social dos investigadores, políticos e da sociedade. É um antídoto contra o tecnicismo desprovido de propósito ético.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Thomas Hobbes, mas a sua origem exata numa obra específica é difícil de precisar. Pode ser uma paráfrase ou síntese de ideias presentes em várias das suas obras, como 'Leviatã' ou 'Elementos da Lei', onde discute a razão, a ciência (ou 'filosofia') e os fins da sociedade civil.

Citação Original: Reason is the pace; Encrease of Science, the way; and the Benefit of mankind, the end.

Exemplos de Uso

  • Num discurso sobre financiamento da investigação: 'Devemos lembrar Hobbes: a ciência é o caminho, mas o fim último deve ser sempre o benefício da humanidade.'
  • Num debate sobre ética da inteligência artificial: 'O desenvolvimento da IA não pode ser só um 'aumento da ciência'; tem de ter como 'fim' claro o benefício humano.'
  • Num artigo sobre políticas públicas: 'As inovações tecnológicas devem ser avaliadas não só pela sua engenhosidade (o passo), mas pelo seu contributo para o bem comum (o fim).'

Variações e Sinônimos

  • 'O conhecimento é poder' (Francis Bacon) – partilha a ênfase no poder instrumental do saber.
  • 'A ciência sem consciência é a ruína da alma' (Rabelais) – alerta semelhante sobre a necessidade de um fim ético.
  • 'Saber para prever, prever para prover' (Auguste Comte) – ecoa a ideia de ciência como meio para um fim prático.
  • 'O verdadeiro objetivo da ciência é aliviar a fadiga da existência humana.' (Bertolt Brecht)

Curiosidades

Apesar da sua fama como defensor do absolutismo político, Hobbes tinha um grande interesse pela geometria e pelo método científico. Ele foi secretário de Francis Bacon, outro grande defensor do método empírico, o que pode ter influenciado esta visão otimista sobre o potencial da ciência.

Perguntas Frequentes

Thomas Hobbes não era pessimista sobre a natureza humana?
Sim, na sua filosofia política, Hobbes via os humanos como egoístas e em conflito potencial. Esta citação mostra outra dimensão do seu pensamento: a crença de que a razão e a ciência, produtos da mesma natureza humana, podem ser canalizadas para um fim benéfico e cooperativo.
Esta citação é do livro 'Leviatã'?
Não de forma literal. A frase é atribuída a Hobbes e resume ideias suas, mas não é uma citação textual verificada no 'Leviatã'. É mais provavelmente uma síntese de pensamentos dispersos pelas suas obras.
Qual é a diferença entre 'razão' e 'ciência' nesta citação?
Aqui, 'razão' refere-se à capacidade individual de pensar logicamente (o 'passo' inicial). 'Ciência' (ou 'aumento da ciência') refere-se ao corpo de conhecimento sistemático e acumulado coletivamente ao longo do tempo (o 'caminho' mais amplo). Uma é a ferramenta, a outra é o edifício construído com ela.
Por que esta citação é importante hoje?
Porque coloca uma questão crucial: o progresso científico e tecnológico deve servir a quem? Num mundo com desafios globais, a citação lembra que a inovação deve ter como objetivo final o benefício da humanidade, não apenas o lucro, o poder ou o conhecimento pelo conhecimento.

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