Frases de Platão - Quem comete uma injustiça é

Frases de Platão - Quem comete uma injustiça é ...


Frases de Platão


Quem comete uma injustiça é sempre mais infeliz que o injustiçado.

Platão

Esta citação de Platão revela uma verdade profunda sobre a natureza humana: o verdadeiro dano da injustiça recai sobre quem a pratica, corrompendo a sua própria alma. A infelicidade do injusto é mais duradoura que a dor do injustiçado.

Significado e Contexto

Esta afirmação de Platão vai além da simples condenação moral da injustiça. Ela propõe que o ato de cometer uma injustiça causa um dano interno ao agente, corrompendo a sua alma e afastando-a da harmonia e da virtude. Para Platão, a verdadeira felicidade (eudaimonia) só é alcançada através de uma alma ordenada e justa. Portanto, quem pratica o mal, mesmo que escape a consequências externas, condena-se a uma existência de desordem interior e infelicidade essencial, que é pior do que qualquer sofrimento infligido a outrem. O injustiçado pode sofrer uma dor temporária, mas o injusto carrega consigo a corrupção permanente do seu carácter.

Origem Histórica

Platão (428/427–348/347 a.C.) foi um filósofo grego, discípulo de Sócrates e fundador da Academia de Atenas. A sua filosofia centra-se na teoria das Formas, na imortalidade da alma e na busca da justiça ideal, tanto no indivíduo como na cidade-Estado (polis). Esta visão emerge num contexto de crise política e moral na Atenas do século V a.C., após a Guerra do Peloponeso e a condenação de Sócrates.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância profunda na sociedade contemporânea, onde a justiça e a responsabilidade moral são temas centrais. Ela desafia a noção de que o sucesso obtido através de meios injustos é verdadeiramente vantajoso. Em debates sobre ética nos negócios, política, relações interpessoais e justiça social, a ideia de que a corrupção moral prejudica primeiro o corruptor ressoa fortemente. Serve como um lembrete de que o bem-estar psicológico e a integridade são inseparáveis.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Platão e reflete o cerne do seu pensamento ético, embora a localização exata na sua vasta obra (como nos diálogos "A República" ou "Górgias") possa variar conforme a tradução e interpretação. A ideia é central ao seu diálogo "Górgias", onde Sócrates debate que é pior cometer uma injustiça do que sofrê-la.

Citação Original: Em grego antigo, a ideia é expressa em passagens como no diálogo "Górgias". Uma formulação próxima é: "Ἀδικοῦντα ἀνθρώπων ἀθλιώτερον εἶναι ἢ ἀδικούμενον." (Adikoûnta anthrópōn athliṓteron eînai ḕ adikoúmenon).

Exemplos de Uso

  • Um gestor que promove um colega com base em favoritismo, em vez de mérito, pode alcançar um objetivo a curto prazo, mas vive com a culpa e o desrespeito pela sua própria integridade, tornando-se mais infeliz do que o colega preterido.
  • Nas redes sociais, espalhar um boato falso pode dar uma sensação passageira de poder, mas a pessoa fica presa numa teia de mentiras e perde a confiança em si mesma, um sofrimento mais profundo do que a reputação temporariamente manchada do alvo.
  • Um político que aceita subornos para aprovar legislação prejudicial vive com medo constante de ser descoberto e com a consciência de ter traído o seu dever, uma infelicidade mais intensa do que o descontentamento dos cidadãos afetados.

Variações e Sinônimos

  • "É pior cometer uma injustiça do que sofrê-la." (Formulação comum em Platão)
  • "A maldade corrói primeiro quem a pratica."
  • "Quem semeia ventos colhe tempestades." (Ditado popular com ideia de consequência)
  • "A consciência pesada é o pior castigo."

Curiosidades

Platão não era o seu nome verdadeiro. O seu nome de batismo era Aristócles. 'Platão' era uma alcunha que significava 'largo', possivelmente devido aos seus ombros largos ou à sua testa ampla.

Perguntas Frequentes

Platão realmente disse esta frase exata?
A formulação exata pode variar nas traduções, mas a ideia central é autêntica e está presente em diálogos como "Górgias", onde Sócrates (personagem de Platão) argumenta vigorosamente que é pior e mais vergonhoso cometer uma injustiça do que sofrê-la.
Esta visão não é ingénua perante injustiças graves?
Não. Platão não nega a dor do injustiçado. A sua tese é filosófica e psicológica: o injusto danifica irremediavelmente a sua própria alma (carácter, virtude), que para ele é a essência do ser humano, tornando a sua infelicidade mais fundamental e duradoura.
Como se aplica esta ideia no dia a dia?
Aplica-se sempre que agimos contra a nossa consciência ou valores éticos, mesmo em pequenos atos. Mentir, enganar ou tratar mal alguém pode trazer um benefício imediato, mas gera culpa, arrependimento e uma erosão da autoestima, fontes de infelicidade interior.
Qual a diferença para o conceito cristão de pecado?
Ambos enfatizam o dano interno ao agente. Porém, para Platão, a infelicidade resulta de uma alma desordenada e afastada da Verdade e do Bem (conceitos metafísicos), enquanto no cristianismo está ligada à ofensa a Deus e à consequente separação d'Ele.

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