Frases de Mahatma Gandhi - Se ages contra a justiça e eu...

Se ages contra a justiça e eu te deixo agir, então a injustiça é minha.
Mahatma Gandhi
Significado e Contexto
Esta citação de Gandhi articula um princípio fundamental da responsabilidade ética: a omissão perante a injustiça constitui uma forma de cumplicidade. O pensador argumenta que a justiça não é apenas um ideal abstrato, mas uma obrigação prática que requer ação ativa. Quando testemunhamos um ato injusto e optamos por não intervir, assumimos parte da culpa pela perpetuação desse mal, transformando a nossa passividade num ato de injustiça por omissão. A frase enfatiza que a moralidade não se limita a evitar fazer o mal diretamente, mas inclui o dever positivo de impedir que o mal ocorra. Esta visão está profundamente enraizada na filosofia da não-violência (ahimsa) de Gandhi, que defendia a resistência ativa contra a opressão através da desobediência civil não-violenta. A citação desafia-nos a refletir sobre o nosso papel como agentes morais num mundo onde a indiferença pode ser tão danosa quanto a ação direta.
Origem Histórica
Mahatma Gandhi (1869-1948) foi o líder do movimento de independência da Índia contra o domínio britânico, desenvolvendo a filosofia da satyagraha (força da verdade) e ahimsa (não-violência). Esta citação emerge do seu contexto de luta contra a injustiça colonial e social, onde enfatizava a responsabilidade individual e coletiva na construção de uma sociedade justa. Embora a data exata da sua pronúncia não seja registada com precisão, reflete os princípios que guiaram toda a sua vida e campanhas, desde a luta pelos direitos dos indianos na África do Sul até à independência da Índia.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância profunda no mundo contemporâneo, onde questões como desigualdade social, discriminação, crises ambientais e abusos de poder exigem posicionamento ético. Num era de globalização e redes sociais, onde as injustiças são amplamente visíveis, a citação lembra-nos que a neutralidade perante a opressão é uma ilusão moral. Inspira movimentos sociais, ativistas e cidadãos comuns a assumirem responsabilidade, seja através do ativismo, do consumo consciente ou do simples ato de não silenciar perante discriminações. A sua mensagem ressoa em debates sobre privilégio, dever cívico e a ética da intervenção.
Fonte Original: Atribuída a discursos e escritos de Gandhi, mas sem uma fonte documentada única específica. A frase circula amplamente em compilações das suas citações e reflecte os princípios centrais da sua filosofia.
Citação Original: If you act contrary to justice and I do not stop you, then the injustice is mine.
Exemplos de Uso
- Num contexto empresarial: Uma empresa que ignora práticas laborais exploradoras na sua cadeia de abastecimento, tornando-se cúmplice da injustiça ao não agir.
- Nas redes sociais: Um utilizador que testemha cyberbullying e opta por não denunciar ou apoiar a vítima, partilhando a responsabilidade pelo dano causado.
- Na política internacional: Um país que permanece neutro perante genocídios ou violações de direitos humanos noutra nação, assumindo culpa por omissão.
Variações e Sinônimos
- Quem cala, consente.
- A neutralidade perante a injustiça é cumplicidade.
- O preço da indiferença é a injustiça.
- Não intervir é permitir.
- O silêncio dos bons fortalece os maus.
Curiosidades
Gandhi era advogado de formação, o que influenciou a sua compreensão profunda de justiça e responsabilidade legal e moral. Muitas das suas citações, incluindo esta, foram originalmente proferidas em inglês ou gujarati, e depois traduzidas para português, por vezes com pequenas variações.


