Você que inventou a tristeza, ora, tenh...

Você que inventou a tristeza, ora, tenha a fineza de desinventar.
Significado e Contexto
A citação 'Você que inventou a tristeza, ora, tenha a fineza de desinventar' opera através de uma personificação poderosa. Ao atribuir a invenção da tristeza a um 'você' (possivelmente a humanidade, a sociedade ou até um interlocutor específico), sugere que esta emoção não é um estado natural inevitável, mas sim uma construção. O verbo 'desinventar' é particularmente genial – não se trata apenas de esquecer ou superar, mas de desfazer ativamente a própria criação, como se a tristeza fosse um artefacto que pode ser desmontado. A expressão 'tenha a fineza' introduz um tom de cortesia irónica ou de súplica educada, contrastando com a profundidade do pedido, o que acrescenta uma camada de sofisticação retórica. No fundo, é uma afirmação sobre o poder humano de moldar a experiência emocional.
Origem Histórica
A citação é frequentemente atribuída ao poeta, compositor e cantor brasileiro Chico Buarque, sendo um verso da canção 'Você Não Entende Nada', composta em parceria com o também músico Caetano Veloso. A canção foi lançada no álbum 'Chico Buarque' de 1978, um período fértil da carreira do artista, marcado por letras poéticas e socialmente engajadas. O contexto da MPB (Música Popular Brasileira) dos anos 70 e 80, com sua riqueza lírica e frequentemente carregada de duplos sentidos e críticas sociais, fornece o terreno para este tipo de construção linguística sofisticada.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância pungente na sociedade contemporânea, onde a saúde mental e a gestão emocional são temas centrais. Num mundo com taxas elevadas de ansiedade e depressão, o apelo a 'desinventar' a tristeza ressoa como um manifesto pela agência pessoal e pela desconstrução de narrativas emocionais negativas que por vezes internalizamos. É usada em contextos de autoajuda, terapia e discussões sobre bem-estar, representando a esperança de que os estados emocionais dolorosos não são permanentes e podem ser ativamente transformados. A sua forma poética torna-a mais memorável e poderosa do que um conselho direto.
Fonte Original: Canção 'Você Não Entende Nada', de Chico Buarque e Caetano Veloso, do álbum 'Chico Buarque' (1978).
Citação Original: Você que inventou a tristeza, ora, tenha a fineza de desinventar. (A citação já está na sua língua original, o português.)
Exemplos de Uso
- Num contexto terapêutico, pode-se usar a frase para encorajar um paciente a questionar a permanência da sua tristeza e a buscar formas ativas de a 'desconstruir'.
- Nas redes sociais, a citação é partilhada em imagens ou posts como um lembrete poético de resiliência e esperança em momentos difíceis.
- Num ensaio literário, pode ser analisada como exemplo da capacidade da linguagem poética de reinventar e desafiar conceitos emocionais abstractos.
Variações e Sinônimos
- "Desfaça o que fez, desinvente a dor." (paráfrase livre)
- "Quem semeou vento, colhe tempestade." (ditado popular com lógica causal oposta)
- "Contra factos não há argumentos, mas contra sentimentos pode haver poesia." (reflexão semelhante no espírito)
- "A esperança é a última que morre." (ditado popular sobre persistência perante adversidade)
Curiosidades
A canção 'Você Não Entende Nada' foi composta para a peça teatral 'Ópera do Malandro', de Chico Buarque. A colaboração entre Chico Buarque e Caetano Veloso, dois gigantes da MPB, nesta canção é celebrada como um momento singular da música brasileira.