Frases de Marquês de Maricá - A ingratidão dos povos é mai

Frases de Marquês de Maricá - A ingratidão dos povos é mai...


Frases de Marquês de Maricá


A ingratidão dos povos é mais escandalosa que a das pessoas.

Marquês de Maricá

Esta citação confronta-nos com a dimensão coletiva da ingratidão, sugerindo que quando um povo esquece os seus benefícios, a falha moral adquire uma escala mais perturbadora do que nos indivíduos.

Significado e Contexto

A citação do Marquês de Maricá estabelece uma hierarquia moral entre a ingratidão individual e a coletiva. Enquanto a ingratidão de uma pessoa pode ser vista como uma falha de carácter, a de um povo inteiro representa uma falha civilizacional mais profunda. O autor sugere que quando uma sociedade, no seu conjunto, esquece os benefícios recebidos (sejam de líderes, instituições ou gerações passadas), esse esquecimento adquire uma gravidade especial porque reflete um colapso dos valores que sustentam o contrato social. Esta ideia toca no conceito de memória coletiva e responsabilidade histórica. Um povo ingrato não apenas falha em reconhecer contribuições específicas, mas também compromete a sua própria coesão e continuidade. A frase implica que a ingratidão coletiva é mais 'escandalosa' porque é mais visível, tem consequências mais amplas e revela uma crise de identidade partilhada, contrastando com a ingratidão individual que pode permanecer no domínio privado.

Origem Histórica

Mariano José Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá (1773-1848), foi um político, filósofo e escritor brasileiro do período imperial. Viveu durante um tempo de transformações profundas no Brasil, incluindo a independência (1822) e os primeiros anos do Império. As suas 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' (publicadas postumamente) refletem uma visão conservadora e moralista, influenciada pelo Iluminismo e pelo pensamento cristão. O contexto era de construção de uma identidade nacional, onde questões de ética pública e virtude cívica eram centrais.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância pungente no século XXI, especialmente em sociedades marcadas por polarização política, revisionismo histórico e crises de confiança nas instituições. A ideia de 'ingratidão dos povos' pode ser aplicada a fenómenos como o negacionismo de conquistas sociais, o desprezo por avanços científicos ou a desvalorização de património cultural. Num mundo de informação instantânea e memória curta, a reflexão alerta para os perigos do esquecimento coletivo e da falta de reconhecimento pelos esforços que moldaram as sociedades atuais.

Fonte Original: Obra 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' do Marquês de Maricá, uma coleção de aforismos publicada postumamente no século XIX.

Citação Original: A ingratidão dos povos é mais escandalosa que a das pessoas.

Exemplos de Uso

  • Em debates sobre cortes orçamentais na cultura, alguns argumentam que representam 'a ingratidão dos povos' face ao seu património artístico.
  • Quando uma geração mais jovem desconhece as lutas pelos direitos civis, podemos falar de uma forma de ingratidão coletiva.
  • A negação das alterações climáticas, apesar das evidências científicas, é vista por alguns como uma manifestação de ingratidão para com o planeta.

Variações e Sinônimos

  • A ingratidão pública é mais grave que a privada.
  • Um povo que esquece a sua história está condenado a repeti-la.
  • A ingratidão coletiva corrói os alicerces da sociedade.
  • Nenhuma nação sobrevive ao esquecimento dos seus benfeitores.

Curiosidades

O Marquês de Maricá era conhecido pela sua vida austera e pela recusa de honrarias, apesar do seu título nobiliárquico. As suas 'Máximas' foram comparadas às de La Rochefoucauld, mas com um foco distintamente brasileiro nos desafios da nova nação.

Perguntas Frequentes

O que significa exatamente 'ingratidão dos povos'?
Refere-se ao fenómeno coletivo em que uma sociedade, no seu conjunto, falha em reconhecer ou valorizar benefícios, sacrifícios ou contribuições que recebeu, seja do passado, de instituições ou de grupos específicos.
Por que é a ingratidão coletiva mais 'escandalosa'?
Porque tem maior visibilidade, implica uma falha sistémica nos valores sociais e pode levar a consequências mais graves, como a erosão da coesão nacional ou o colapso de instituições.
Como se relaciona esta ideia com a atualidade?
Aplica-se a fenómenos como o revisionismo histórico, a desvalorização de conquistas sociais ou a falta de reconhecimento por avanços científicos, alertando para os riscos do esquecimento coletivo.
O Marquês de Maricá era um pessimista?
Não necessariamente; as suas máximas refletem uma visão realista e moralista, visando alertar para vícios sociais e promover a reflexão ética, dentro de uma perspetiva de melhoria da sociedade.

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