Frases de Carl von Clausewitz - A guerra não é um fenómeno

Frases de Carl von Clausewitz - A guerra não é um fenómeno ...


Frases de Carl von Clausewitz


A guerra não é um fenómeno independente, senão a continuação da politica por diferentes meios.

Carl von Clausewitz

Esta frase revela que a violência organizada não surge do vácuo, mas emerge como expressão extrema dos conflitos políticos que permeiam as relações humanas. Clausewitz convida-nos a ver a guerra não como anomalia, mas como prolongamento lógico das tensões sociais.

Significado e Contexto

A afirmação de Clausewitz desmonta a perceção comum da guerra como fenómeno isolado ou irracional. Ele argumenta que a guerra representa a aplicação de meios violentos para alcançar objetivos políticos que não puderam ser realizados através da diplomacia ou negociação pacífica. Esta visão situa a guerra dentro de um continuum de ações políticas, onde a violência organizada surge quando outros instrumentos de política falham. Clausewitz propõe que a guerra possui uma 'gramática' própria (os meios militares), mas a sua 'lógica' (os fins) permanece política. Esta distinção é crucial para compreender que os líderes políticos, não apenas os militares, devem manter o controlo sobre os objetivos da guerra. A frase sublinha que a guerra nunca é um fim em si mesma, mas sempre um instrumento ao serviço de interesses políticos mais amplos.

Origem Histórica

Carl von Clausewitz (1780-1831) foi um general e teórico militar prussiano que viveu durante as Guerras Napoleónicas. A sua obra principal, 'Da Guerra' (Vom Kriege), publicada postumamente pela sua esposa em 1832, revolucionou o pensamento estratégico. A citação surge no Livro I, onde Clausewitz estabelece os fundamentos teóricos da sua análise. O contexto das guerras revolucionárias e napoleónicas, que transformaram a natureza dos conflitos de limitados a totais, influenciou profundamente o seu pensamento.

Relevância Atual

Esta frase mantém extrema relevância porque fornece uma lente para analisar conflitos contemporâneos, desde guerras convencionais até ciberguerra e guerra económica. Ajuda a compreender como ações militares servem objetivos políticos como mudança de regime, controlo de recursos ou projeção de influência. Na era da informação, a frase também se aplica a 'guerras híbridas' onde meios não militares e militares se combinam para fins políticos.

Fonte Original: Obra 'Da Guerra' (Vom Kriege), Livro I, Capítulo 1, Seção 24.

Citação Original: Der Krieg ist eine bloße Fortsetzung der Politik mit anderen Mitteln.

Exemplos de Uso

  • As sanções económicas contra um país podem ser vistas como continuação da política por meios não militares, seguindo a lógica de Clausewitz.
  • A ciberguerra entre nações ilustra como conflitos políticos se manifestam através de novos 'meios diferentes'.
  • As operações de informação nas redes sociais durante eleições estrangeiras representam uma continuação da política por meios digitais.

Variações e Sinônimos

  • A guerra é a política com derramamento de sangue
  • A diplomacia é a guerra por outros meios
  • Se queres a paz, prepara-te para a guerra
  • A política é guerra sem derramamento de sangue, a guerra é política com derramamento de sangue

Curiosidades

Clausewitz nunca considerou 'Da Guerra' como uma obra completa - morreu durante uma epidemia de cólera enquanto trabalhava nas revisões. A sua esposa, Marie von Brühl, uma condessa culta, foi fundamental na edição e publicação póstuma do manuscrito.

Perguntas Frequentes

Clausewitz defendia a guerra como algo positivo?
Não. Clausewitz via a guerra como um mal necessário e instrumento político, não como algo desejável. A sua análise era descritiva, não prescritiva.
Esta teoria aplica-se a guerras civis?
Sim. Clausewitz considerava que o conceito se aplicava a qualquer conflito organizado onde grupos usam violência para objetivos políticos, incluindo conflitos internos.
Como difere esta visão de outras teorias sobre guerra?
Diferencia-se ao rejeitar explicações baseadas apenas em instinto agressivo, destino ou causas económicas, enfatizando em vez disso o cálculo político racional.
A frase justifica qualquer guerra?
Absolutamente não. Clausewitz descreve como as guerras surgem, não as justifica. A distinção entre análise causal e justificação moral é fundamental.

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