Frases de Fernando Pessoa - O que nós temos por verdade �...

O que nós temos por verdade é apenas a mais provável, ou a menos improvável, de várias probabilidades.
Fernando Pessoa
Significado e Contexto
Esta frase encapsula uma visão cética e probabilística do conhecimento. Pessoa sugere que não possuímos verdades absolutas, mas apenas interpretações que consideramos mais plausíveis face às evidências disponíveis. A 'verdade' torna-se assim um grau de probabilidade, sempre sujeita a revisão perante novas informações ou perspetivas. Esta abordagem reflete uma atitude científica e filosófica que valoriza a dúvida metodológica e rejeita dogmatismos, reconhecendo os limites do entendimento humano perante a complexidade da realidade.
Origem Histórica
Fernando Pessoa (1888-1935) escreveu no contexto do Modernismo português, período de questionamento das certezas tradicionais. Influenciado pelo ceticismo filosófico, simbolismo e pelas transformações científicas do início do século XX (como a teoria da relatividade e a mecânica quântica), Pessoa desenvolveu uma visão fragmentada da realidade, expressa através dos seus heterónimos. Esta citação reflete essa sensibilidade moderna face à relatividade do conhecimento.
Relevância Atual
A frase mantém extrema relevância na era da pós-verdade e da desinformação. Num mundo saturado de informações contraditórias, lembra-nos a importância de avaliar probabilidades, questionar certezas absolutas e manter uma atitude crítica. É particularmente pertinente em debates científicos, políticos e éticos, onde o dogmatismo frequentemente substitui o diálogo fundamentado.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Fernando Pessoa em contextos filosóficos, embora a origem exata na sua vasta obra (incluindo textos inéditos e fragmentos) possa ser difícil de precisar. Aparece em antologias de aforismos e em discussões sobre o seu pensamento cético.
Citação Original: O que nós temos por verdade é apenas a mais provável, ou a menos improvável, de várias probabilidades.
Exemplos de Uso
- Na ciência, as teorias são aceites não como verdades absolutas, mas como as explicações mais prováveis face aos dados disponíveis.
- Num tribunal, o veredicto baseia-se na versão mais provável dos factos, não numa verdade inquestionável.
- Nas decisões de investimento, os analistas trabalham com cenários probabilísticos, escolhendo a opção menos improvável.
Variações e Sinônimos
- A verdade é filha do tempo, não da autoridade (Galileu Galilei)
- Nada é certo excepto a incerteza (provérbio adaptado)
- A dúvida é o princípio da sabedoria (Aristóteles)
- Conhecemos a verdade não só pela razão, mas também pelo coração (Blaise Pascal)
Curiosidades
Fernando Pessoa criou mais de 70 heterónimos (personalidades literárias completas com biografias e estilos próprios), sendo Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos os mais conhecidos. Esta multiplicidade de 'eus' reflete a sua visão da identidade e do conhecimento como realidades plurais e probabilísticas.


