Frases de Fernando Pessoa - Nenhum homem, digno de nome hu...

Nenhum homem, digno de nome humano, pode concordar ou colaborar com outro homem, excepto em coisas absolutamente inúteis, como as ordens religiosas, os ministérios, o canto coral, e as fitas cinematográficas.
Fernando Pessoa
Significado e Contexto
Esta citação, atribuída a Fernando Pessoa, apresenta uma visão profundamente cínica sobre a capacidade humana de colaboração genuína. O autor sugere que os indivíduos verdadeiramente dignos do nome 'humano' só conseguem concordar ou trabalhar em conjunto em atividades que classifica como 'absolutamente inúteis', enumerando exemplos como ordens religiosas, ministérios, canto coral e fitas cinematográficas. A ironia reside no facto de que muitas destas atividades são tradicionalmente valorizadas pela sociedade, mas Pessoa as reduz a meras distrações sem substância real. A frase pode ser interpretada como uma crítica à superficialidade das instituições humanas e à dificuldade de alcançar consenso em questões fundamentais, sugerindo que a verdadeira colaboração significativa é rara ou mesmo impossível.
Origem Histórica
Fernando Pessoa (1888-1935) escreveu durante um período de grande agitação política e social em Portugal e na Europa, incluindo a Primeira República Portuguesa, a Primeira Guerra Mundial e o crescimento dos movimentos modernistas. Esta citação reflete o seu cepticismo característico face às instituições estabelecidas e a sua tendência para questionar as convenções sociais. Embora a origem exata desta citação não seja totalmente clara, ela alinha-se com o pensamento heterónimo de Álvaro de Campos e com o tom crítico que Pessoa frequentemente adotava em seus escritos mais filosóficos e aforísticos.
Relevância Atual
Esta frase mantém relevância hoje como um comentário perspicaz sobre a sociedade contemporânea. Num mundo hiperconectado onde a colaboração é frequentemente celebrada, a citação desafia-nos a questionar a qualidade e o propósito real do nosso trabalho conjunto. A referência a 'fitas cinematográficas' (cinema) é particularmente atual, considerando a ubiquidade do entretenimento digital. A frase convida à reflexão sobre se as nossas colaborações modernas - desde projetos corporativos até movimentos sociais - são verdadeiramente significativas ou meras distrações elaboradas.
Fonte Original: A origem exata desta citação não é completamente documentada nas obras principais de Pessoa, mas aparece frequentemente em coletâneas de aforismos e citações atribuídas ao autor. Pode derivar de seus escritos dispersos ou correspondência.
Citação Original: Nenhum homem, digno de nome humano, pode concordar ou colaborar com outro homem, excepto em coisas absolutamente inúteis, como as ordens religiosas, os ministérios, o canto coral, e as fitas cinematográficas.
Exemplos de Uso
- Num debate sobre política moderna, alguém pode citar Pessoa para criticar a aparente incapacidade dos partidos de colaborar em reformas substantivas.
- Numa discussão sobre trabalho em equipa nas empresas, a citação pode ser usada para questionar se os projetos colaborativos realmente produzem resultados significativos.
- Em contextos artísticos, pode servir para ironizar sobre colaborações criativas que resultam em obras consideradas superficiais pela crítica.
Variações e Sinônimos
- "Os homens só concordam no trivial"
- "A verdadeira colaboração é uma ilusão"
- "Concordamos apenas no que não importa"
- "Ditado: 'Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão' (contrastando com a ideia de desacordo fundamental)"
Curiosidades
Fernando Pessoa criou mais de 70 heterónimos (personagens literárias completas com biografias e estilos próprios), e esta citação poderia facilmente ser atribuída a um deles, como Álvaro de Campos, conhecido pelo seu tom mais cínico e desiludido.