Frases de Oscar Wilde - Não aprovo nada que espolie a

Frases de Oscar Wilde - Não aprovo nada que espolie a...


Frases de Oscar Wilde


Não aprovo nada que espolie a ignorância natural. A ignorância é semelhante a um delicado fruto exótico: o mínimo contacto faz-lhe desaparecer o aroma.

Oscar Wilde

Esta citação de Wilde convida-nos a contemplar a ignorância não como um defeito, mas como um estado natural e precioso que a educação deve respeitar, não destruir. Compara-a a uma fruta exótica cujo valor reside na sua pureza intocada.

Significado e Contexto

A citação de Oscar Wilde apresenta uma visão paradoxal e poética da ignorância. Em vez de a condenar, o autor sugere que a ignorância natural (aquela que não resulta da negligência, mas do estado puro e não contaminado do conhecimento) possui um valor intrínseco, uma inocência que deve ser preservada. A metáfora do 'fruto exótico' sublinha esta ideia: a ignorância é rara, delicada e perde a sua essência ('o aroma') ao menor contacto, ou seja, ao ser exposta a explicações grosseiras, dogmas ou uma educação que a 'espolia' em vez de a cultivar. Wilde critica, assim, formas de educação ou persuasão que, ao pretenderem iluminar, acabam por destruir a beleza e o potencial do estado natural do ser humano.

Origem Histórica

Oscar Wilde (1854-1900) foi um escritor, poeta e dramaturgo irlandês, figura central do esteticismo e conhecido pelo seu humor ácido, ironia fina e crítica aos valores vitorianos da sua época. A citação reflete a sua postura contra a moralidade convencional e hipócrita, e a sua defesa da beleza, da arte e da experiência individual acima das normas sociais rígidas. O período vitoriano era marcado por um forte moralismo e uma confiança cega no progresso e na educação formal, contextos que Wilde frequentemente satirizava.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância acentuada na era da informação e da hiperconexão. Num mundo sobrecarregado de dados, opiniões e 'factos' instantâneos, a citação lembra-nos do valor da contemplação, da dúvida saudável e da preservação de certos espaços de inocência ou mistério. Questiona as pedagogias agressivas, a pressão para ter sempre uma opinião formada e a forma como a exposição prematura ou brutal à realidade pode 'espoliar' a capacidade de maravilhar-se. É um alerta contra o cinismo e a perda da sensibilidade.

Fonte Original: A citação é retirada da obra "O Retrato de Dorian Gray", publicada em 1890. É proferida pela personagem Lord Henry Wotton, que frequentemente expressa visões cínicas e hedonistas que influenciam o protagonista.

Citação Original: "I don't approve of anything that tampers with natural ignorance. Ignorance is like a delicate exotic fruit; touch it and the bloom is gone."

Exemplos de Uso

  • Num debate sobre educação infantil, pode-se usar a citação para defender métodos que preservem a curiosidade natural em vez de a sobrecarregar com informação.
  • Pode ser citada para criticar a forma como os media sensacionalistas 'espoliam' a ingenuidade do público com explicações simplistas de eventos complexos.
  • Num contexto artístico, serve para defender que a interpretação de uma obra não deve ser totalmente dissecada, mantendo-se algum mistério ('o aroma') para o espectador.

Variações e Sinônimos

  • "A inocência é uma flor que não deve ser colhida." (ditado popular)
  • "Há uma sabedoria na não-sabedoria."
  • "Às vezes, não saber é a maior das sabedorias."
  • "A curiosidade matou o gato, mas a satisfação trouxe-o de volta." (provérbio adaptado)

Curiosidades

Oscar Wilde era conhecido por construir frases aparentemente paradoxais (como esta) que continham uma verdade profunda. Muitas das suas citações mais famosas foram originalmente ditas pelas personagens dos seus livros e peças de teatro, e não por ele diretamente em discursos.

Perguntas Frequentes

O que significa 'ignorância natural' para Oscar Wilde?
Refere-se a um estado de inocência, de não conhecimento prévio, que não é culposo mas sim uma condição pura e potencialmente bela do ser humano, anterior à corrupção por ideias preconcebidas ou educação dogmática.
Esta citação defende a ignorância?
Não defende a ignorância como estupidez ou falta de educação. Pelo contrário, alerta para a forma como o processo de 'iluminação' ou educação pode ser grosseiro e destruir a beleza e o potencial contidos no estado natural de desconhecimento.
Em que contexto da obra 'O Retrato de Dorian Gray' aparece esta frase?
É dita por Lord Henry Wotton, uma personagem cínica e influente, durante um dos seus discursos filosóficos e provocadores. Reflete a sua visão hedonista e crítica sobre a sociedade e a moralidade convencional.
Como aplicar esta ideia na educação moderna?
Incentivando pedagogias que valorizem a descoberta, a curiosidade autêntica e o questionamento, em vez da mera transmissão mecânica de informação que pode 'espoliar' o encanto natural pelo aprender.

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