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Frases de Michel de Montaigne


A virtude é coisa deveras inútil e frívola, caso apenas tenha a recomendá-la a glória.

Michel de Montaigne

Montaigne desafia-nos a questionar a essência da virtude: será genuína se apenas for praticada para obter reconhecimento? Esta reflexão convida a uma introspeção sobre as motivações por trás das nossas ações.

Significado e Contexto

Montaigne argumenta que a virtude perde o seu valor intrínseco quando é exercida apenas com o objetivo de alcançar fama ou admiração externa. Para ele, uma ação verdadeiramente virtuosa deve emanar de uma convicção pessoal e de um carácter íntegro, não do desejo de aplauso. Se a glória é o único motivo, a virtude torna-se uma mera performance social, 'frívola' e 'inútil' no sentido mais profundo, pois falha em representar uma qualidade moral autêntica. Esta ideia desafia a noção de que as aparências de bondade são suficientes, enfatizando que a intenção por trás do ato é fundamental para o seu valor ético.

Origem Histórica

Michel de Montaigne (1533-1592) foi um filósofo, escritor e humanista francês do Renascimento, conhecido por criar o género literário do ensaio. Viveu durante as Guerras de Religião em França, um período de grande conflito e hipocrisia social. Os seus 'Ensaios' são uma exploração introspetiva da condição humana, onde questiona dogmas, costumes e a própria natureza da moralidade. Esta citação reflete o seu ceticismo em relação às virtudes ostentadas e a sua busca por uma autenticidade pessoal além das convenções sociais.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância acentuada na era das redes sociais e da cultura da imagem, onde ações 'virtuosas' são frequentemente performadas para likes e validação pública. Questiona a autenticidade do ativismo de hashtag, da filantropia para fins de marketing ou de qualquer comportamento ético que vise principalmente o reconhecimento. Incentiva uma reflexão crítica sobre as nossas motivações, seja na vida pessoal, profissional ou cívica, lembrando-nos que o valor real da virtude reside na sua sinceridade, não na sua aparência.

Fonte Original: A citação é retirada da obra 'Ensaios' (em francês: 'Essais'), mais concretamente do Livro I, capítulo 42, intitulado 'Da desigualdade que há entre nós'. Os 'Ensaios' foram publicados pela primeira vez em 1580.

Citação Original: La vertu est chose vaine et frivole, si elle tire sa recommandation de la gloire.

Exemplos de Uso

  • Um influencer que promove causas ambientais apenas para melhorar a sua imagem pública, sem um compromisso real com a sustentabilidade.
  • Um político que defende políticas sociais principalmente para ganhar votos, em vez de por uma convicção genuína de justiça.
  • Um empregado que ajuda colegas apenas quando o chefe está a observar, visando uma promoção e não o espírito de equipa.

Variações e Sinônimos

  • A virtude por aparência é vaidade disfarçada.
  • Quem faz o bem para ser visto, já recebeu a sua recompensa.
  • A verdadeira bondade não precisa de plateia.
  • A ética não é um espetáculo.

Curiosidades

Montaigne mandou gravar no teto da sua biblioteca, onde escrevia os 'Ensaios', várias citações de filósofos clássicos. Este ambiente refletia o seu diálogo constante com as ideias do passado, que ele depois questionava e adaptava à sua experiência pessoal, método central no seu ensaísmo.

Perguntas Frequentes

Montaigne está a dizer que a virtude é inútil?
Não. Ele critica especificamente a virtude que é praticada apenas para alcançar glória ou reconhecimento. Para Montaigne, a virtude autêntica, nascida de uma convicção interior, tem um valor profundo e útil para o indivíduo e a sociedade.
Qual é a principal crítica de Montaigne nesta frase?
A principal crítica é à hipocrisia e à vaidade. Montaigne alerta para o perigo de reduzir a virtude a uma ferramenta para obter admiração social, esvaziando-a do seu significado ético verdadeiro.
Como posso aplicar esta ideia no meu dia a dia?
Refletindo sobre as suas motivações antes de agir. Pergunte-se: 'Estou a fazer isto porque é correto ou porque quero que os outros me vejam como correto?' Ajuda a cultivar uma integridade mais autêntica.
Esta visão contradiz a noção de 'reputação'?
Não necessariamente. Montaigne não condena a boa reputação que resulta naturalmente de ações virtuosas sinceras. O problema surge quando a busca pela reputação (glória) se torna o motor principal, substituindo a intenção virtuosa genuína.

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