Frases de Clarice Lispector - Cada um de nós é um símbolo...

Cada um de nós é um símbolo que lida com símbolos tudo ponto de apenas referência ao real. Procuramos desesperadamente encontrar uma identidade própria e a identidade do real. E se nos entendemos através do símbolo é porque temos os mesmos símbolos e a mesma experiência da coisa em si: mas a realidade não tem sinónimos.
Clarice Lispector
Significado e Contexto
A citação de Clarice Lispector aborda a relação complexa entre o ser humano e a realidade. Ela propõe que cada indivíduo funciona como um 'símbolo' que opera através de outros símbolos (como a linguagem, conceitos e representações culturais) para aceder ao real. No entanto, este acesso é sempre mediado e limitado, sendo apenas um 'ponto de referência'. A busca desesperada por identidade própria e pela identidade do real revela uma angústia existencial: tentamos definir-nos e compreender o mundo, mas ambos escapam à captura completa através dos símbolos. A compreensão mútua entre seres humanos só é possível porque partilhamos sistemas simbólicos e experiências semelhantes da 'coisa em si' (uma referência kantiana ao númeno). Contudo, Lispector conclui que 'a realidade não tem sinónimos', sublinhando a singularidade e inefabilidade do real – ele resiste à substituição ou equivalência perfeita através da linguagem ou de qualquer representação.
Origem Histórica
Clarice Lispector (1920-1977) foi uma escritora brasileira de origem ucraniana, figura central do modernismo brasileiro e conhecida pela sua prosa introspetiva e filosófica. A citação reflete temas recorrentes na sua obra, como a identidade, a solidão existencial e os limites da linguagem, influenciados pelo existencialismo e pela fenomenologia do século XX. O seu contexto histórico inclui o Brasil pós-Segunda Guerra Mundial, onde questões sobre a condição humana e a subjetividade ganharam relevância literária.
Relevância Atual
Esta frase mantém relevância hoje devido à era digital e das redes sociais, onde as identidades são frequentemente construídas através de símbolos virtuais (perfis, emojis, hashtags). A discussão sobre a perceção da realidade num mundo mediado por ecrãs e a busca por autenticidade ressoa com preocupações contemporâneas. Além disso, em contextos de globalização e diversidade cultural, a partilha de símbolos e a compreensão mútua permanecem desafios cruciais, enquanto a singularidade da experiência individual continua a ser um tema filosófico atual.
Fonte Original: A citação é atribuída a Clarice Lispector, mas a origem exata (livro, entrevista ou obra específica) não é amplamente documentada em fontes públicas. Pode derivar dos seus escritos filosóficos ou de entrevistas, sendo comum em antologias de citações.
Citação Original: Cada um de nós é um símbolo que lida com símbolos tudo ponto de apenas referência ao real. Procuramos desesperadamente encontrar uma identidade própria e a identidade do real. E se nos entendemos através do símbolo é porque temos os mesmos símbolos e a mesma experiência da coisa em si: mas a realidade não tem sinónimos.
Exemplos de Uso
- Na psicoterapia, os pacientes usam símbolos (como metáforas ou sonhos) para explorar a sua identidade, ilustrando a busca por compreensão do real interior.
- Nas redes sociais, os utilizadores criam identidades através de símbolos (fotos, textos), refletindo a tentativa de representar uma realidade pessoal que muitas vezes fica aquém da experiência completa.
- Na educação intercultural, partilhar símbolos (como tradições ou histórias) facilita o entendimento mútuo, mas as realidades culturais únicas resistem a uma tradução perfeita.
Variações e Sinônimos
- 'A realidade é uma ilusão, embora muito persistente.' - Albert Einstein
- 'O mapa não é o território.' - Alfred Korzybski
- 'Vivemos num mundo de símbolos, e os símbolos têm vida própria.' - adaptação de conceitos semióticos
Curiosidades
Clarice Lispector começou a escrever o seu primeiro romance, 'Perto do Coração Selvagem', aos 19 anos, e ele foi publicado quando tinha 23, recebendo aclamação imediata pela sua inovação estilística e profundidade filosófica.