Frases de Agostinho da Silva - O sofrimento ainda pode servir

Frases de Agostinho da Silva - O sofrimento ainda pode servir...


Frases de Agostinho da Silva


O sofrimento ainda pode servir para alguma coisa, desde que o tomemos sobre nós com o espírito de amor que o torna fecundo; mas fazer sofrer deixa na história um rasto de satanismo que dificilmente poderemos apagar.

Agostinho da Silva

Esta citação de Agostinho da Silva distingue o sofrimento aceite com amor, que pode ser transformador, do sofrimento infligido aos outros, que deixa uma marca profunda de mal. É um convite à reflexão sobre a responsabilidade ética das nossas ações.

Significado e Contexto

A citação estabelece uma distinção fundamental entre duas atitudes perante o sofrimento. Por um lado, o sofrimento que nos acontece pode ter valor se for aceite com um 'espírito de amor' – uma atitude de resiliência, compreensão e abertura que permite transformar a dor em crescimento pessoal ou ação positiva, tornando-a 'fecunda'. Por outro lado, 'fazer sofrer' – infligir dor intencionalmente a outros – é descrito como um ato de natureza quase demoníaca ('satanismo'), cujas consequências negativas permanecem na história de forma indelével, difíceis de reparar. A frase sublinha a responsabilidade humana: a dor que suportamos pode ter significado; a dor que causamos raramente o tem.

Origem Histórica

Agostinho da Silva (1906-1994) foi um filósofo, poeta e pedagogo português, uma figura central do pensamento lusófono e do humanismo cristão heterodoxo do século XX. A sua obra, marcada por um profundo idealismo, pacifismo e uma visão espiritual e comunitária da vida, reflete frequentemente sobre temas como a liberdade, a educação e a condição humana. Esta citação enquadra-se na sua reflexão ética sobre o bem e o mal e a capacidade humana de escolha.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância pungente num mundo marcado por conflitos, injustiças sociais, bullying digital e debates sobre a legitimidade do sofrimento infligido (como em certas políticas ou ações de guerra). Serve como um lembrete ético poderoso: enquanto a resiliência perante a adversidade é valorizada, a crueldade ativa e a indiferença ao sofrimento alheio deixam cicatrizes coletivas duradouras. É um apelo à compaixão e à responsabilidade individual e coletiva.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Agostinho da Silva em antologias e coletâneas do seu pensamento, embora a obra específica de onde foi extraída (como um ensaio ou discurso) não seja sempre claramente identificada nas fontes comuns. É parte do seu corpus filosófico e ético amplamente divulgado.

Citação Original: A citação já está fornecida em português, presumivelmente a sua língua original.

Exemplos de Uso

  • Num debate sobre justiça restaurativa vs. punitiva, pode citar-se para defender que o sistema deve evitar 'fazer sofrer' e buscar caminhos 'fecundos'.
  • Num contexto de superação pessoal, para ilustrar como uma doença grave, aceita com coragem e amor pela vida, pode levar a novas prioridades e ações solidárias.
  • Na análise de conflitos históricos ou contemporâneos, para criticar ações que, sob pretexto algum, justifiquem infligir sofrimento desnecessário a populações civis, deixando um 'rasto' de ódio.

Variações e Sinônimos

  • "A dor que suportamos nos fortalece; a dor que causamos nos corrompe."
  • "É melhor sofrer o mal do que praticá-lo." (Eco de pensamento socrático/cristão)
  • "O que não nos mata, torna-nos mais fortes." (Nietzsche) – variação sobre o sofrimento suportado.
  • "A crueldade é o pior tipo de estupidez." (John Ruskin)

Curiosidades

Agostinho da Silva foi um defensor ardoroso da Comunidade Lusófona e viveu exilado no Brasil durante o Estado Novo, onde se dedicou ao ensino e à promoção cultural, exemplificando na sua vida uma postura de 'amor' ativo perante as adversidades políticas.

Perguntas Frequentes

O que significa 'espírito de amor' na citação?
Refere-se a uma atitude interior de aceitação, compaixão por si e pelos outros, e uma vontade de extrair significado ou ação positiva da experiência dolorosa, em vez de revolta ou amargura estéreis.
Por que usar a palavra 'satanismo'?
Agostinho da Silva, de formação cristã, usa uma metáfora religiosa forte para qualificar o ato de 'fazer sofrer' como uma inversão radical do bem, um mal ativo e consciente que corrompe a história, tal como a figura de Satanás representa a oposição à criação divina.
Esta ideia é otimista ou pessimista?
É realista e exigente. Reconhece o potencial transformador do sofrimento suportado (otimismo na resiliência humana), mas é profundamente pessimista em relação às consequências duradouras e quase irreparáveis do sofrimento infligido, alertando para a gravidade ética desta ação.
Como aplicar esta visão na educação?
Promovendo uma pedagogia que ensine a empatia, a gestão construtiva do sofrimento (resiliência) e a crítica severa a qualquer forma de bullying ou violência, destacando as consequências a longo prazo ('rasto') de causar dor aos outros.

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