Frases de Fernando Pessoa - Ser imoral não vale a pena, p

Frases de Fernando Pessoa - Ser imoral não vale a pena, p...


Frases de Fernando Pessoa


Ser imoral não vale a pena, porque diminui, aos olhos dos outros, a vossa personalidade, ou a banaliza. Ser imoral dentro de si, cercada do máximo respeito alheio.

Fernando Pessoa

Esta citação de Fernando Pessoa explora a dualidade entre a moralidade pública e privada, sugerindo que o verdadeiro valor pessoal reside na coerência interior, mesmo quando dissimulada pela aparência social.

Significado e Contexto

Esta citação de Fernando Pessoa distingue entre a imoralidade manifesta publicamente e a imoralidade íntima. O poeta argumenta que a imoralidade visível aos outros é prejudicial porque diminui ou banaliza a personalidade perante a sociedade, corroendo o respeito alheio. Em contraste, sugere que a imoralidade mantida no foro íntimo, enquanto se preserva a aparência de respeito social, pode ser uma posição mais vantajosa ou menos danosa. A reflexão revela uma visão pragmática e quase cínica das relações sociais: Pessoa parece valorizar mais a imagem pública do que a pureza moral absoluta. Não defende a imoralidade em si, mas alerta para as consequências sociais da sua exibição. A frase explora a tensão entre o eu autêntico (com suas possíveis falhas morais) e o eu social (que deve manter certas aparências para ser respeitado).

Origem Histórica

Fernando Pessoa (1888-1935) escreveu durante um período de grande transformação em Portugal (Primeira República, Ditadura Militar). A sociedade portuguesa da época era marcada por fortes convenções sociais e moralismo público, contrastando com correntes modernistas que questionavam valores tradicionais. Pessoa, criador de múltiplos heterónimos, tinha especial interesse pela fragmentação do eu e pelas máscaras sociais.

Relevância Atual

Esta citação mantém relevância na era das redes sociais e da cultura da exposição pública. Num tempo onde a vida privada é frequentemente tornada pública, a reflexão de Pessoa alerta para os riscos de revelar fragilidades ou transgressões morais em espaços onde a opinião alheia pode ser implacável. Também questiona a autenticidade versus a performance social, tema central em discussões sobre saúde mental e pressão social contemporâneas.

Fonte Original: A citação é atribuída a Fernando Pessoa em vários compêndios de citações e antologias, mas a obra específica de origem não é consensualmente identificada. Aparece frequentemente associada aos seus textos de reflexão filosófica e aforismos.

Citação Original: Ser imoral não vale a pena, porque diminui, aos olhos dos outros, a vossa personalidade, ou a banaliza. Ser imoral dentro de si, cercada do máximo respeito alheio.

Exemplos de Uso

  • Um político que mantém aparência de integridade pública enquanto tem dúvidas éticas privadas sobre certas decisões.
  • Uma pessoa que critica moralmente os outros nas redes sociais, mas comete falhas semelhantes na sua vida privada.
  • Um artista que explora temas transgressores na sua obra, mas mantém uma vida pessoal convencional para preservar sua reputação.

Variações e Sinônimos

  • "A hipocrisia é o tributo que o vício paga à virtude" (La Rochefoucauld)
  • "Entre o dizer e o fazer há muito mar a navegar" (provérbio português)
  • "Faça o que eu digo, não faças o que eu faço"
  • "Aparências enganam"

Curiosidades

Fernando Pessoa criou mais de 70 heterónimos (personalidades literárias completas com biografias próprias), o que reflete sua fascinação pela multiplicidade do eu e pelas máscaras que usamos socialmente - tema diretamente relacionado com esta citação.

Perguntas Frequentes

Fernando Pessoa defende a imoralidade nesta citação?
Não, Pessoa não defende a imoralidade, mas faz uma observação pragmática sobre suas consequências sociais. Ele contrasta a imoralidade visível (que prejudica a imagem pública) com a imoralidade íntima (que pode ser ocultada para preservar o respeito social).
Esta citação reflete o pensamento de algum heterónimo de Pessoa?
Embora não seja atribuída a um heterónimo específico, a reflexão alinha-se com temas comuns em Alberto Caeiro (simplicidade versus complexidade social) e Bernardo Soares (observação das contradições humanas), ambos heterónimos pessoanos.
Como aplicar esta reflexão na vida moderna?
A citação convida a refletir sobre a gestão da imagem pública versus a vida privada, especialmente relevante na era digital. Sugere ponderar quando e como partilhar aspectos íntimos que possam ser moralmente ambíguos, considerando o impacto na perceção social.
Esta visão é considerada cínica?
Sim, muitos interpretam esta posição como cínica ou pragmática, pois parece valorizar mais as aparências sociais do que a coerência moral absoluta. No entanto, também pode ser lida como uma observação realista sobre o funcionamento das sociedades humanas.

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