Frases de Jean-Jacques Rousseau - As nossas paixões são os pri

Frases de Jean-Jacques Rousseau - As nossas paixões são os pri...


Frases de Jean-Jacques Rousseau


As nossas paixões são os principais instrumentos da nossa conservação.

Jean-Jacques Rousseau

Rousseau sugere que as paixões humanas, longe de serem obstáculos, são forças vitais que nos impulsionam a preservar a nossa existência e a buscar significado. Esta visão desafia a ideia tradicional de que as emoções devem ser reprimidas pela razão.

Significado e Contexto

Esta citação de Jean-Jacques Rousseau, extraída da sua obra 'Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens' (1755), propõe uma visão inovadora sobre o papel das paixões na existência humana. Rousseau argumenta que as paixões – como o amor, o medo, a ambição ou a compaixão – não são meras fraquezas ou distrações, mas sim mecanismos essenciais que nos motivam a agir, a adaptar-nos e, em última análise, a preservar a nossa vida e bem-estar. Ele contrapõe-se à tradição racionalista que privilegiava a razão como guia supremo, sugerindo que são os nossos impulsos emocionais mais profundos que nos levam a procurar alimento, a formar comunidades, a proteger os nossos e a evoluir. Neste sentido, as paixões são os 'instrumentos' primários através dos quais a natureza assegura a conservação do indivíduo e da espécie.

Origem Histórica

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) foi um dos principais filósofos do Iluminismo, embora muitas das suas ideias fossem críticas em relação ao otimismo racionalista da época. Esta citação surge no contexto do seu 'Segundo Discurso', onde investiga a transição do 'estado de natureza' para a sociedade civil. Rousseau via o homem natural como guiado por um 'amor de si' (instinto de autoconservação) e pela piedade, paixões que garantiam a sua sobrevivência harmoniosa. A frase reflete a sua crença de que a civilização, ao corromper essas paixões naturais com vícios como a vaidade, criou a desigualdade e a infelicidade.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância profunda na atualidade, especialmente nas áreas da psicologia, neurociência e desenvolvimento pessoal. A ciência moderna confirma que as emoções são fundamentais para a tomada de decisões, a motivação e a sobrevivência (por exemplo, o medo protege-nos do perigo, o amor promove a vinculação). Em contextos educativos e de coaching, reconhece-se a importância de compreender e canalizar as paixões, em vez de as suprimir, para alcançar realização e resiliência. Num mundo marcado pelo burnout e pela alienação, a ideia de Rousseau serve como um lembrete para reavaliar o papel das nossas emoções mais autênticas no nosso bem-estar.

Fonte Original: Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens (1755), também conhecido como 'Segundo Discurso'.

Citação Original: Nos passions sont les principaux instruments de notre conservation.

Exemplos de Uso

  • Na psicologia positiva, a 'paixão' por um hobby é vista como um instrumento de conservação da saúde mental, combatendo o stress e promovendo a satisfação.
  • No empreendedorismo, a paixão por resolver um problema motiva a inovação e a perseverança, sendo um instrumento crucial para a conservação e crescimento de um negócio.
  • Nas relações humanas, a paixão (afeto, cuidado) pela família e comunidade é um instrumento fundamental para a conservação dos laços sociais e do apoio mútuo.

Variações e Sinônimos

  • As emoções são o motor da vida.
  • O coração tem razões que a própria razão desconhece. (Blaise Pascal)
  • Seguir a sua paixão é a chave para a realização pessoal.
  • O instinto de sobrevivência é a paixão mais primária.

Curiosidades

Rousseau, apesar de ser uma figura central do Iluminismo, viveu uma vida marcada por conflitos passionais e uma relação tumultuosa com a sociedade de Paris, o que talvez tenha influenciado a sua reflexão profunda sobre o tema das paixões.

Perguntas Frequentes

Rousseau considerava todas as paixões como positivas?
Não. Rousseau distinguia entre as paixões naturais e simples (como o amor de si e a piedade), que são instrumentos de conservação, e as paixões artificiais ou sociais (como a vaidade e a inveja), que nascem na sociedade e podem ser destrutivas.
Como é que esta ideia se relaciona com o conceito de 'bom selvagem' de Rousseau?
O 'bom selvagem' de Rousseau é, em parte, bom porque as suas paixões são puras e direcionadas para a autoconservação e a compaixão, sem a corrupção dos desejos sociais complexos. As paixões são, portanto, os instrumentos que mantêm o homem natural em equilíbrio com o seu meio.
Esta citação contradiz a valorização da razão no Iluminismo?
Sim, em parte. Rousseau não rejeitava a razão, mas atribuía um papel primário e fundacional às paixões. Ele argumentava que a razão desenvolve-se mais tarde e sobre a base das nossas necessidades e emoções passionais, desafiando assim uma visão puramente racionalista do ser humano.
Onde posso ler mais sobre esta citação no contexto da obra de Rousseau?
A análise mais direta encontra-se no 'Discurso sobre a Origem da Desigualdade' (Segundo Discurso). Recomenda-se também a leitura do 'Emílio' ou 'Da Educação', onde Rousseau explora como educar uma criança respeitando e orientando as suas paixões naturais.

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