Frases de Fernando Pessoa - Uma criatura de nervos moderno...

Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia.
Fernando Pessoa
Significado e Contexto
A citação descreve o indivíduo contemporâneo como dotado de um sistema nervoso hiperativo ('nervos modernos'), uma inteligência que não se esconde atrás de ilusões ('sem cortinas') e uma sensibilidade permanentemente alerta ('acordada'). Pessoa argumenta que esta condição impõe uma 'obrigação cerebral' – um dever intelectual e ético – de revisitar e alterar convicções múltiplas vezes ao dia. Isto não é visto como instabilidade, mas como um sinal de vitalidade mental e honestidade perante a complexidade do mundo. A frase celebra a dúvida como motor do conhecimento e critica a rigidez dogmática, propondo que a verdadeira sabedoria reside na capacidade de se reinventar constantemente.
Origem Histórica
Fernando Pessoa (1888-1935) escreveu durante um período de profunda transformação na Europa – a Belle Époque, a Primeira Guerra Mundial e o advento da modernidade. A citação reflete o espírito da época, marcado por rápidas mudanças tecnológicas, sociais e filosóficas. Pessoa, através dos seus heterónimos, explorava a fragmentação do eu e a multiplicidade de perspetivas, temas centrais no modernismo português e europeu. A obra insere-se no seu projeto de questionar identidades fixas e verdades absolutas.
Relevância Atual
Num mundo de informação acelerada, redes sociais e debates polarizados, a frase é mais relevante do que nunca. Incentiva o pensamento crítico, a humildade intelectual e a adaptabilidade perante novas evidências. É um antídoto contra o fanatismo e a desinformação, promovendo uma cultura de diálogo e aprendizagem contínua.
Fonte Original: A citação é atribuída a Fernando Pessoa, frequentemente citada em antologias e estudos sobre a sua obra, embora a origem exata (livro ou texto específico) seja por vezes difícil de precisar devido à vastidão e fragmentação da sua produção. É comummente associada aos seus escritos sobre modernidade e introspeção.
Citação Original: Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia.
Exemplos de Uso
- Num debate científico, um investigador revê a sua hipótese após novos dados, exemplificando a 'obrigação cerebral' de evoluir.
- Nas redes sociais, uma pessoa informa-se sobre múltiplas fontes antes de formar uma opinião, praticando a sensibilidade 'acordada'.
- Num contexto empresarial, um líder adapta a estratégia da empresa face a mudanças de mercado, demonstrando 'inteligência sem cortinas'.
Variações e Sinônimos
- A única constante é a mudança. – Heraclito
- Duvidar de tudo ou acreditar em tudo são duas soluções igualmente cômodas. – Henri Poincaré
- A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original. – Albert Einstein
Curiosidades
Fernando Pessoa criou mais de 70 heterónimos (personalidades literárias distintas), cada um com biografia, estilo e visão de mundo próprias, exemplificando na prática a multiplicidade de opiniões que a citação defende.


