Frases de Marquês de Maricá - Unir para desunir, fazer para

Frases de Marquês de Maricá - Unir para desunir, fazer para ...


Frases de Marquês de Maricá


Unir para desunir, fazer para desfazer, edificar para demolir, viver para morrer, eis aqui a sorte e condição de natureza humana.

Marquês de Maricá

Esta citação revela a natureza paradoxal da existência humana, onde cada ação contém em si o germe do seu oposto. Reflete sobre a condição efémera e cíclica da vida, convidando à contemplação filosófica.

Significado e Contexto

A citação do Marquês de Maricá expõe a dualidade intrínseca à experiência humana, onde cada construção carrega a semente da sua destruição e cada união contém o potencial para a desunião. Através de uma estrutura paralela e antitética, o autor sublinha como os opostos são inseparáveis na condição humana, sugerindo que a vida é um processo de constante transformação onde os fins estão implícitos nos começos. Esta perspetiva reflete uma visão filosófica que reconhece a impermanência como característica fundamental da existência. O 'viver para morrer' sintetiza esta conceção, não como um fatalismo negativo, mas como um reconhecimento da natureza transitória que dá significado à ação e à consciência humana. A 'sorte e condição' referidas não são um destino arbitrário, mas a estrutura mesma da realidade experienciada.

Origem Histórica

Mariano José Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá (1773-1848), foi um político, filósofo e escritor brasileiro do período imperial. Viveu durante a transição do Brasil Colónia para o Império, um período marcado por transformações políticas e sociais profundas. As suas 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' (publicadas postumamente) reúnem aforismos que refletem uma filosofia moral e existencial, influenciada pelo Iluminismo e por uma visão estoica da vida, adaptada ao contexto luso-brasileiro.

Relevância Atual

Esta frase mantém relevância por capturar a experiência universal da contradição e da impermanência, temas centrais na psicologia existencial e na filosofia contemporânea. Num mundo de rápidas mudanças, crises ecológicas e incertezas, a noção de que as construções humanas (sociais, tecnológicas, pessoais) carregam os seus próprios limites ou pontos de ruptura é mais pertinente do que nunca. Serve como antídoto contra visões ingénuas de progresso linear e convida a uma reflexão sobre sustentabilidade, aceitação e a busca de significado numa existência finita.

Fonte Original: Obra 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' do Marquês de Maricá (publicações diversas a partir de 1848). A citação é frequentemente incluída em compilações de aforismos brasileiros.

Citação Original: Unir para desunir, fazer para desfazer, edificar para demolir, viver para morrer, eis aqui a sorte e condição de natureza humana.

Exemplos de Uso

  • Na análise de ciclos económicos: 'O boom tecnológico ilustra o princípio de "fazer para desfazer", onde inovações disruptivas tornam obsoletos sistemas anteriormente consolidados.'
  • Em psicologia do desenvolvimento: 'O processo de individuação na adolescência pode ser visto como "unir para desunir", onde se constrói uma identidade separada da família.'
  • No contexto ambiental: 'A urbanização desmedida, ao "edificar para demolir" ecossistemas, revela a paradoxal relação humana com a natureza.'

Variações e Sinônimos

  • "Do pó vieste e ao pó voltarás" (expressão bíblica)
  • "Tudo o que sobe, desce" (princípio físico adaptado)
  • "A vida é uma sucessão de fins e recomeços"
  • "Em cada início está o fim" (T.S. Eliot, adaptado)
  • "A única constante é a mudança" (Heráclito)

Curiosidades

O Marquês de Maricá era conhecido pela sua vida austera e dedicada ao estudo, tendo a sua obra sido comparada, em estilo aforístico, a la Bruyère e Rochefoucauld, mas com um cunho distintamente brasileiro e moralista.

Perguntas Frequentes

Qual é o significado principal da citação do Marquês de Maricá?
A citação expõe a natureza paradoxal e cíclica da condição humana, onde cada ação ou estado contém implicitamente o seu oposto, destacando a impermanência como característica fundamental da existência.
Em que contexto histórico foi escrita esta frase?
Foi escrita no Brasil do século XIX, período imperial de transformações, refletindo influências iluministas e uma visão estoica adaptada à realidade luso-brasileira, presente nas 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' do autor.
Como se aplica esta citação à vida moderna?
Aplica-se à compreensão de ciclos (económicos, relacionais, ecológicos), à aceitação da mudança e à reflexão sobre como projetos e conquistas humanas carregam em si limites ou contradições, sendo relevante para psicologia, filosofia e sustentabilidade.
O Marquês de Maricá era um filósofo reconhecido?
Sim, é considerado um dos primeiros filósofos moralistas brasileiros, cuja obra aforística, embora menos conhecida internacionalmente, é valorizada no pensamento luso-brasileiro pelo seu estilo conciso e reflexões sobre a condição humana.

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