Frases de Fernando Pessoa - O futurismo vem a ser uma foto

Frases de Fernando Pessoa - O futurismo vem a ser uma foto...


Frases de Fernando Pessoa


O futurismo vem a ser uma fotografia abstracta das coisas. Ora toda arte, seja como for, vá até onde for, é antifotográfica e concreta.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa desafia a noção de futurismo como mera representação abstrata, defendendo que toda a arte verdadeira deve ser concreta e resistir à simples reprodução fotográfica. Esta afirmação reflete a sua busca por uma expressão artística que transcenda o efêmero e capture a essência humana.

Significado e Contexto

Na citação, Fernando Pessoa critica o futurismo, movimento artístico do início do século XX que celebrava a velocidade, a tecnologia e a modernidade, comparando-o a uma 'fotografia abstracta das coisas'. Para Pessoa, esta abordagem é insuficiente porque reduz a realidade a uma representação superficial e despersonalizada. Ele defende que toda a arte genuína deve ser 'antifotográfica e concreta', ou seja, deve ir além da mera aparência ou imitação, capturando a substância, a emoção e a complexidade da experiência humana de forma tangível e significativa. Esta visão reflete a sua crença na arte como um meio de explorar verdades interiores e universais, em contraste com movimentos que privilegiavam a novidade técnica ou a fragmentação.

Origem Histórica

Fernando Pessoa (1888-1935) foi um dos maiores poetas e escritores portugueses, figura central do modernismo em Portugal. A citação provavelmente surge no contexto das suas reflexões estéticas no início do século XX, quando movimentos como o futurismo (fundado por Filippo Tommaso Marinetti em 1909) ganhavam destaque na Europa. Pessoa, conhecido pelos seus heterónimos (como Álvaro de Campos, que tinha inclinações futuristas), frequentemente explorava tensões entre tradição e modernidade, razão e emoção, numa época de rápidas transformações sociais e tecnológicas.

Relevância Atual

Esta frase mantém relevância hoje porque questiona a natureza da arte na era digital, onde imagens e representações virtuais são omnipresentes. Num mundo saturado de 'fotografias abstractas' (como filtros digitais ou inteligência artificial geradora de conteúdo), a defesa de Pessoa pela arte 'concreta' lembra-nos da importância da autenticidade, da profundidade emocional e do engajamento humano na criação artística. É um alerta contra a superficialidade e uma chamada para que a arte continue a desafiar, a emocionar e a conectar-se com a realidade essencial.

Fonte Original: A citação é atribuída a Fernando Pessoa em escritos e reflexões sobre estética, possivelmente incluída em textos críticos ou correspondência, embora a obra específica possa não ser amplamente documentada. Faz parte do seu legado filosófico e literário.

Citação Original: O futurismo vem a ser uma fotografia abstracta das coisas. Ora toda arte, seja como for, vá até onde for, é antifotográfica e concreta.

Exemplos de Uso

  • Na crítica a uma exposição de arte digital, um curador pode usar a frase para defender obras que privilegiam a interação física em vez de projeções virtuais.
  • Num debate sobre educação artística, um professor pode citar Pessoa para enfatizar a importância do processo criativo manual sobre a mera reprodução técnica.
  • Num artigo sobre redes sociais, um escritor pode aplicar a ideia para criticar a cultura de selfies como 'fotografia abstracta' da identidade, em contraste com narrativas pessoais profundas.

Variações e Sinônimos

  • A arte deve ser substância, não sombra.
  • O verdadeiro criador evita a mera imitação.
  • Modernidade não significa abandono da concretude.
  • Fernando Pessoa: contra a superficialidade na arte.

Curiosidades

Fernando Pessoa criou mais de 70 heterónimos, cada um com personalidade e estilo literário distintos, o que demonstra a sua busca por 'concretude' através de múltiplas vozes artísticas, em vez de uma visão única e abstracta.

Perguntas Frequentes

O que Fernando Pessoa quis dizer com 'fotografia abstracta'?
Pessoa referia-se a uma representação superficial e despersonalizada da realidade, como a que via no futurismo, que focava na aparência e na novidade em vez da essência humana.
Por que é a arte 'antifotográfica' para Pessoa?
Porque a arte verdadeira deve ir além da mera reprodução ou imitação (como uma fotografia), capturando emoções, ideias e realidades interiores de forma única e concreta.
Como esta citação se relaciona com o modernismo?
Reflete as tensões do modernismo entre inovação e tradição, com Pessoa a defender uma arte que, mesmo moderna, mantenha profundidade e concretude em oposição a correntes mais radicais como o futurismo.
Esta ideia aplica-se à arte contemporânea?
Sim, é relevante para discutir arte digital, inteligência artificial e cultura visual, lembrando-nos de valorizar a autenticidade e o impacto humano na criação artística.

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