Frases de David Hume - A ideia de existência, caso s

Frases de David Hume - A ideia de existência, caso s...


Frases de David Hume


A ideia de existência, caso seja unida à ideia de um objecto qualquer, nada lhe acrescenta.

David Hume

Hume desafia-nos a questionar o próprio conceito de existência. Para ele, afirmar que algo 'existe' não acrescenta qualquer propriedade nova ao objeto em si.

Significado e Contexto

Esta afirmação de David Hume, um dos principais filósofos do empirismo britânico, reflete uma posição radical sobre a natureza da existência. Hume argumenta que a 'existência' não é uma qualidade ou propriedade que se possa acrescentar a um objeto, como a cor ou o peso. Quando concebemos um objeto – por exemplo, um cavalo – já o concebemos como existente na nossa mente. Afirmar posteriormente que 'o cavalo existe' não introduz nenhum novo elemento ao conceito original. Isto coloca em questão tradições metafísicas que tratam a existência como um predicado real, uma ideia que seria mais tarde desenvolvida por filósofos como Kant e influenciaria a filosofia analítica do século XX.

Origem Histórica

David Hume (1711-1776) desenvolveu as suas ideias no contexto do Iluminismo escocês e do empirismo. A sua obra principal, 'Tratado da Natureza Humana' (1739-40), e a sua versão mais acessível, 'Investigação sobre o Entendimento Humano' (1748), procuraram estabelecer uma ciência da mente humana baseada na experiência e observação, rejeitando noções metafísicas não fundamentadas na impressão sensorial. Esta citação enquadra-se na sua crítica mais ampla aos conceitos tradicionais de causalidade, substância e identidade pessoal.

Relevância Atual

A frase mantém relevância em debates contemporâneos sobre linguagem, lógica e metafísica. Na filosofia da linguagem, discute-se se a existência é um predicado. Em lógica, a análise de frases existenciais é fundamental. No quotidiano, a ideia convida a uma postura crítica perante afirmações vazias ou tautológicas, sendo útil em áreas como o direito (definição de factos), a ciência (operacionalização de conceitos) e até no pensamento crítico aplicado aos media e à publicidade, onde se deve separar a descrição de um produto da mera afirmação da sua existência.

Fonte Original: Provavelmente da obra 'Tratado da Natureza Humana' (Livro I, Parte III) ou de 'Investigação sobre o Entendimento Humano'. A formulação exata pode variar entre traduções.

Citação Original: The idea of existence, when join'd to the idea of any object, makes no addition to it.

Exemplos de Uso

  • Em debates filosóficos: 'Afirmar que Deus existe, segundo uma leitura humeana, não acrescenta nada ao conceito de Deus que já temos na mente.'
  • Na crítica literária: 'Dizer que o herói da história é 'corajoso e existe' é redundante; a existência não é um atributo da coragem.'
  • No discurso político: 'Prometer 'um futuro que existe' é vazio; o que importa são as qualidades concretas desse futuro.'

Variações e Sinônimos

  • A existência não é um predicado real.
  • Ser não se acrescenta ao ente.
  • Dizer que algo é, não diz o que é.
  • A afirmação da existência é tautológica.

Curiosidades

Hume escreveu o seu revolucionário 'Tratado da Natureza Humana' ainda muito jovem, entre os 23 e os 26 anos. Na sua própria avaliação, o livro 'caiu morto da imprensa', não recebendo a atenção imediata que esperava, embora mais tarde se tornasse uma das obras mais influentes da filosofia ocidental.

Perguntas Frequentes

O que Hume quis dizer com 'a existência não acrescenta nada'?
Hume quis dizer que o conceito de 'existência' não é uma qualidade (como a cor ou tamanho) que se possa juntar à ideia de um objeto para a enriquecer. Quando imaginamos um objeto, imaginamo-lo já como existente.
Esta ideia contradiz a prova ontológica de Deus?
Sim, indirectamente. A prova ontológica argumenta que a existência é uma perfeição inerente ao conceito de Deus. Hume nega precisamente que a existência seja um predicado ou perfeição que se possa acrescentar a qualquer conceito.
Como se aplica esta ideia no dia a dia?
Aplica-se ao desenvolver um pensamento mais preciso. Ajuda a identificar afirmações vazias ou redundantes, como 'precisamos de uma solução que exista', focando a atenção nas qualidades reais da solução em vez da sua mera existência.
Que filósofos desenvolveram esta ideia depois de Hume?
Immanuel Kant, na 'Crítica da Razão Pura', argumentou de forma semelhante que 'existência' não é um predicado real. No século XX, filósofos analíticos como Gottlob Frege e Bertrand Russell analisaram logicamente as proposições existenciais, dando continuidade a esta linha de pensamento.

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