Frases de Charles Ferdinand Ramuz - Sinto que progrido na medida e...

Sinto que progrido na medida em que começo a não entender nada de nada.
Charles Ferdinand Ramuz
Significado e Contexto
Esta citação expressa um paradoxo fundamental do conhecimento humano: o verdadeiro progresso intelectual ocorre quando reconhecemos os limites do nosso entendimento. Ramuz sugere que a sabedoria não reside na acumulação de certezas, mas na consciência crescente da nossa ignorância perante a complexidade da existência. Esta perspetiva alinha-se com tradições filosóficas que valorizam a dúvida como motor do pensamento, onde cada nova compreensão revela novas dimensões do desconhecido. A frase captura a experiência universal de quem se dedica ao estudo ou à criação: quanto mais profundamente se investiga um tema, mais se percebe quanto há por descobrir. Este 'não entender nada de nada' não é derrotista, mas sim uma posição de abertura radical ao mundo. Representa uma maturidade intelectual que rejeita dogmatismos e permanece curiosa perante o mistério da realidade.
Origem Histórica
Charles Ferdinand Ramuz (1878-1947) foi um importante escritor suíço de língua francesa, ativo durante a primeira metade do século XX. A sua obra, marcada pelo regionalismo vau-dois e por profundas reflexões existenciais, emergiu num período de transformações sociais aceleradas, guerras mundiais e questionamento dos valores tradicionais. Esta citação reflete o clima intelectual modernista, onde muitos artistas e pensadores exploravam os limites da compreensão humana perante um mundo cada vez mais complexo.
Relevância Atual
Num mundo sobrecarregado de informação e certezas apressadas, esta frase mantém uma relevância crucial. Lembra-nos que a verdadeira sabedoria começa com o reconhecimento da nossa ignorância, um antídoto contra o fundamentalismo e a arrogância intelectual. É especialmente pertinente na era digital, onde a ilusão de acesso total ao conhecimento pode mascarar a profundidade do que desconhecemos.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Ramuz, embora a obra específica não seja universalmente documentada. Aparece em antologias de citações filosóficas e em estudos sobre a sua obra literária, refletindo temas centrais do seu pensamento.
Citação Original: Je sens que je progresse à mesure que je commence à ne rien comprendre à rien.
Exemplos de Uso
- Um cientista que, após décadas de pesquisa, percebe que cada descoberta abre novas perguntas fundamentais.
- Um artista que atinge um ponto na carreira onde as regras técnicas aprendidas já não explicam a magia da criação.
- Um estudante universitário que, ao aprofundar-se na sua área, descobre que as respostas simples da escola eram apenas a superfície de problemas complexos.
Variações e Sinônimos
- Quanto mais sei, mais sei que nada sei (adaptação de Sócrates)
- A ignorância reconhecida é o princípio da sabedoria
- A verdadeira sabedoria está em saber que não se sabe
- O conhecimento é uma ilha num oceano de ignorância
Curiosidades
Ramuz era conhecido por escrever em francês com fortes influências do dialecto suíço local, criando uma linguagem literária única que muitos consideravam 'incorrecta', mas que acabou por se tornar a sua marca distintiva e um símbolo da identidade cultural suíça.

