Frases de Marquês de Maricá - Os sábios duvidam mais que os...

Os sábios duvidam mais que os ignorantes; daqui provém a filáucia destes e a modéstia daqueles.
Marquês de Maricá
Significado e Contexto
A citação do Marquês de Maricá estabelece um contraste fundamental entre a atitude do sábio e a do ignorante perante o conhecimento. O sábio, por possuir um entendimento mais amplo, reconhece os limites do seu saber e a complexidade do mundo, o que o leva a duvidar constantemente. Esta dúvida não é fraqueza, mas sim um motor para a investigação e para o aprofundamento do conhecimento. Em contrapartida, o ignorante, por ter uma visão limitada e superficial da realidade, tende a confiar cegamente nas suas poucas certezas, desenvolvendo uma filáucia (confiança excessiva) que o impede de questionar e aprender. A modéstia do sábio resulta, portanto, desta consciência das próprias limitações e da vastidão do desconhecido. É uma humildade intelectual que o torna aberto a novas perspetivas e ao diálogo. A filáucia do ignorante, por outro lado, gera uma falsa segurança que pode levar ao dogmatismo, à intolerância e à estagnação intelectual. A frase sugere assim que o verdadeiro conhecimento não se mede pela quantidade de certezas, mas pela capacidade de questionar e pela postura humilde perante o que ainda não se sabe.
Origem Histórica
Mariano José Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá (1773-1848), foi um político, filósofo e escritor brasileiro do período imperial. A sua obra mais conhecida é 'Máximas, Pensamentos e Reflexões', uma coleção de aforismos publicada postumamente em 1850, onde se insere esta citação. Viveu numa época de transição no Brasil (fim do período colonial e início do Império), marcada por debates intelectuais e pela influência do Iluminismo e do Liberalismo. Os seus escritos refletem uma filosofia moral e política, muitas vezes crítica, com influências de pensadores como La Rochefoucauld.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância profunda no mundo contemporâneo, marcado pela sobrecarga de informação e pela polarização de opiniões. Num contexto de redes sociais e 'fake news', a atitude do sábio – duvidar, verificar fontes, reconhecer a complexidade – é um antídoto crucial contra a desinformação e o pensamento simplista. A 'filáucia' do ignorante pode ser observada em fenómenos como o negacionismo científico ou o fanatismo ideológico, onde a confiança cega substitui o pensamento crítico. A modéstia intelectual é, hoje mais do que nunca, uma virtude necessária para o diálogo construtivo e para o avanço do conhecimento em áreas complexas como a ciência, a ética e a política.
Fonte Original: Obra 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' (publicada postumamente em 1850).
Citação Original: Os sábios duvidam mais que os ignorantes; daqui provém a filáucia destes e a modéstia daqueles.
Exemplos de Uso
- Num debate científico, o investigador experiente prefere dizer 'não sabemos ainda' a afirmar com certeza absoluta, exemplificando a modéstia do sábio.
- Nas redes sociais, a rápida partilha de notícias sem verificação é um sintoma da 'filáucia' criticada pelo Marquês de Maricá.
- Um bom líder, perante um problema complexo, ouve várias opiniões e admite dúvidas, seguindo o princípio da humildade intelectual.
Variações e Sinônimos
- Quanto mais sei, mais sei que nada sei. (atribuído a Sócrates)
- A ignorância afirma; a dúvida pensa; o saber duvida. (Victor Hugo)
- O tolo tem pressa em afirmar; o sábio hesita e pondera.
- A presunção é o vício do ignorante.
Curiosidades
A palavra 'filáucia', usada na citação, é um termo arcaico que significa 'confiança excessiva em si mesmo' ou 'presunção'. O seu uso pelo Marquês de Maricá reflete o vocabulário culto e preciso da época.


