Frases de Romain Rolland - Não se faz o que se quer. Que

Frases de Romain Rolland - Não se faz o que se quer. Que...


Frases de Romain Rolland


Não se faz o que se quer. Quer-se e vive-se: e lá vão dois.

Romain Rolland

Esta citação de Romain Rolland captura a tensão entre o desejo humano e a realidade da existência. Sugere que a vida não é uma simples execução de vontades, mas um processo complexo onde o querer e o viver coexistem e se influenciam mutuamente.

Significado e Contexto

A citação 'Não se faz o que se quer. Quer-se e vive-se: e lá vão dois' expressa uma visão subtil sobre a natureza da ação humana. Rolland sugere que não há uma correspondência direta entre o que desejamos e o que conseguimos realizar. Em vez disso, propõe que o 'querer' (nossas aspirações, desejos e intenções) e o 'viver' (a experiência concreta da existência, com suas limitações e imprevistos) são duas dimensões distintas que coexistem. A expressão 'e lá vão dois' enfatiza esta separação, quase como se fossem dois rios paralelos que correm juntos mas não se misturam completamente. Isto não é necessariamente pessimista, mas realista, reconhecendo que a vida envolve uma negociação constante entre ideais e realidade. Num sentido mais amplo, a frase questiona noções simplistas de liberdade e autodeterminação. Em vez de ver o ser humano como um agente que simplesmente executa a sua vontade, Rolland apresenta-o como alguém que navega entre o domínio dos desejos e o domínio das experiências vividas. Esta perspetiva ecoa temas existencialistas e convida à reflexão sobre como construímos significado: não apenas através da realização dos nossos desejos, mas através do próprio processo de viver, com todas as suas contingências.

Origem Histórica

Romain Rolland (1866-1944) foi um escritor, dramaturgo e musicólogo francês, laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 1915. A sua obra é marcada por um profundo humanismo, pacifismo e interesse pela espiritualidade. Esta citação reflete o seu pensamento maduro, desenvolvido num contexto histórico turbulento que incluiu a Primeira Guerra Mundial e o período entre guerras. Rolland era crítico do nacionalismo exacerbado e defendia valores universais de fraternidade. A frase pode ser lida à luz da sua busca por um sentido de vida que transcendesse os conflitos e ilusões do seu tempo, enfatizando a aceitação da complexidade da existência humana.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância notável na sociedade contemporânea, marcada por culturas de produtividade, realização pessoal e a pressão para 'fazer acontecer'. Num mundo onde as redes sociais muitas vezes projetam narrativas de sucesso linear e controlo absoluto sobre o destino, a citação de Rolland serve como um antídoto saudável. Recorda-nos que a vida é inerentemente imprevisível e que o valor da existência não reside apenas na concretização de objetivos, mas também na riqueza da experiência vivida, com os seus acasos e aprendizagens. É particularmente pertinente em discussões sobre saúde mental, equilíbrio vida-trabalho e a busca de autenticidade numa era de hiperconexão.

Fonte Original: A citação é atribuída a Romain Rolland, mas a obra específica de onde foi extraída não é amplamente documentada em fontes comuns. Faz parte do seu corpus de pensamentos e aforismos, frequentemente citados em antologias e coletâneas de frases filosóficas.

Citação Original: On ne fait pas ce qu'on veut. On veut et on vit : et voilà deux.

Exemplos de Uso

  • Um jovem que planeia uma carreira específica, mas acaba por encontrar realização num caminho profissional completamente diferente, ilustrando como 'querer' e 'viver' seguiram trajetórias separadas.
  • Num relacionamento, os parceiros podem desejar (querer) uma convivência perfeita, mas a realidade do dia a dia (viver) traz desafios e ajustes constantes, mostrando a dinâmica entre os dois aspetos.
  • Um artista que idealiza uma obra-prima, mas no processo criativo descobre novas direções inesperadas, exemplificando como a ação de viver o processo altera o querer inicial.

Variações e Sinônimos

  • O homem propõe, Deus dispõe.
  • A vida é o que acontece enquanto fazemos outros planos.
  • Nem tudo o que reluz é ouro.
  • Quem quer vai, quem não quer manda.
  • Entre o querer e o poder, há um grande mar.

Curiosidades

Romain Rolland foi um grande admirador de Beethoven e escreveu uma biografia influente sobre o compositor, vendo nele um exemplo de luta heroica contra o destino – um tema que ressoa com a tensão entre querer e viver presente nesta citação.

Perguntas Frequentes

O que significa exatamente 'e lá vão dois' na citação?
A expressão 'e lá vão dois' simboliza que o 'querer' (desejos, intenções) e o 'viver' (experiência real, ação) são duas entidades distintas que avançam lado a lado, mas não necessariamente se fundem ou coincidem.
Esta citação é pessimista sobre a liberdade humana?
Não necessariamente. Mais do que pessimista, é realista. Reconhece as limitações da ação humana sem negar o valor do desejo ou da experiência. Sugere que a liberdade pode residir na forma como navegamos essa tensão, não no controlo absoluto sobre os resultados.
Em que contexto Romain Rolland escreveu esta frase?
Embora a origem exata seja incerta, a frase reflete o pensamento humanista e existencial de Rolland, desenvolvido num período histórico de grandes convulsões (Primeira Guerra Mundial, ascensão dos totalitarismos), onde a reflexão sobre a ação individual face a forças maiores era premente.
Como posso aplicar esta ideia no meu dia a dia?
Pode servir como um lembrete para equilibrar planeamento com flexibilidade. Em vez de se frustrar quando os planos não saem como desejado, valorize a experiência do processo e as aprendizagens que surgem do 'viver', mesmo quando difere do 'querer' inicial.

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