Frases de Molière - As línguas têm sempre veneno...

As línguas têm sempre veneno para verter.
Molière
Significado e Contexto
A citação 'As línguas têm sempre veneno para verter' encapsula a visão de Molière sobre a natureza perigosa da linguagem humana. O dramaturgo francês sugere que a capacidade de falar traz consigo inevitavelmente o potencial para o mal - seja através da calúnia, da hipocrisia, da manipulação ou da crítica destrutiva. Esta ideia reflete sua constante observação da sociedade do século XVII, onde as aparências e as palavras frequentemente serviam para mascarar intenções menos nobres. Num sentido mais amplo, Molière alerta para a responsabilidade ética no uso da palavra. Se as línguas 'têm sempre' veneno, isso implica que o perigo é inerente ao ato de comunicar, exigindo vigilância constante sobre o que se diz e como se diz. Esta perspetiva antecipa discussões modernas sobre discurso de ódio, fake news e o impacto psicológico das palavras nas relações interpessoais.
Origem Histórica
Molière (1622-1673), pseudónimo de Jean-Baptiste Poquelin, foi o principal dramaturgo francês do século XVII e mestre da comédia satírica. Viveu durante o reinado de Luís XIV, numa França marcada por rigorosas hierarquias sociais, convenções rígidas e hipocrisia religiosa. Suas peças frequentemente ridicularizavam as fraquezas humanas e os vícios da sociedade, o que lhe trouxe tanto fama como conflitos com autoridades religiosas e grupos poderosos.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância extraordinária no mundo contemporâneo, onde a comunicação digital amplifica exponencialmente o poder das palavras. As redes sociais, os comentários online e a disseminação de desinformação demonstram diariamente como 'o veneno' das línguas pode intoxicar o debate público, destruir reputações e polarizar sociedades. A reflexão de Molière serve como alerta atemporal sobre a necessidade de responsabilidade comunicativa.
Fonte Original: A citação provém da peça 'As Preciosas Ridículas' (Les Précieuses ridicules), uma comédia em um ato escrita e representada pela primeira vez em 1659.
Citação Original: Les langues ont toujours du venin à répandre.
Exemplos de Uso
- Nas discussões políticas atuais, vemos como as línguas têm sempre veneno para verter, intoxicando o debate público com ataques pessoais.
- O cyberbullying é a manifestação moderna do princípio de Molière - demonstrando como as palavras digitais podem conter veneno destrutivo.
- Nas empresas, os rumores negativos exemplificam que as línguas têm sempre veneno para verter, minando a confiança entre colegas.
Variações e Sinônimos
- A língua é o chicote da alma
- As palavras podem ferir mais que espadas
- Quem tem boca vai a Roma, mas também pode destruir
- A língua não tem ossos, mas quebra muitos
- Palavras são como flechas: uma vez lançadas, não voltam atrás
Curiosidades
Molière morreu poucas horas após representar o papel principal na sua peça 'O Doente Imaginário', ironicamente uma sátira sobre a hipocondria e os excessos da medicina da época - um final que alguns interpretam como a última e mais cruel das ironias do destino para o mestre da comédia.


