Frases de Marquês de Maricá - Fazemos ordinariamente mais fe...

Fazemos ordinariamente mais festa às pessoas que tememos do que àquelas a quem amamos.
Marquês de Maricá
Significado e Contexto
A citação do Marquês de Maricá explora uma dinâmica psicológica e social profunda: a tendência humana para privilegiar relações baseadas no medo ou no poder em detrimento daquelas fundamentadas no afeto genuíno. 'Fazer festa' aqui simboliza a atenção, o cuidado e a deferência que dedicamos aos outros. O autor sugere que, muitas vezes, investimos mais energia em agradar ou apaziguar aqueles que nos inspiram temor (seja por autoridade, poder ou ameaça) do que naqueles que simplesmente amamos, cuja relação presumimos ser segura e incondicional. Esta observação toca em questões de sobrevivência social e pragmatismo. Historicamente, alinhar-se com figuras poderosas ou temíveis podia garantir proteção ou vantagens, enquanto o amor, sendo percebido como estável, não exigiria o mesmo esforço contínuo de manutenção. No entanto, a frase também critica subtilmente esta prioridade, questionando se não estamos a negligenciar o que é verdadeiramente valioso (o amor) em favor do que é meramente utilitário ou intimidante.
Origem Histórica
Mariano José Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá (1773-1848), foi um político, filósofo e escritor brasileiro do período imperial. Viveu numa época de transição política, com a independência do Brasil (1822) e a consolidação do Império sob D. Pedro I e II. A sua obra mais conhecida é 'Máximas, Pensamentos e Reflexões', uma coleção de aforismos publicada postumamente, onde esta citação provavelmente se encontra. O contexto do Brasil oitocentista, com suas hierarquias sociais rígidas, relações de poder e clientelismo, influenciou profundamente as suas reflexões sobre a natureza humana e as dinâmicas sociais.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância impressionante na atualidade, pois ilumina fenómenos contemporâneos como o 'culto à personalidade' em líderes autoritários, a síndrome do 'chefe temido' em ambientes de trabalho, ou a atenção desmedida dada a figuras públicas controversas nas redes sociais. Num mundo onde o medo (seja de exclusão, falhanço ou violência) muitas vezes molda comportamentos coletivos, a reflexão do Marquês de Maricá serve como um alerta para reavaliarmos a quem dedicamos a nossa energia e lealdade. Ela questiona se, na era da informação, continuamos a 'fazer mais festa' ao que nos assusta ou ameaça do que ao que nos nutre e conecta genuinamente.
Fonte Original: Provavelmente da obra 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' do Marquês de Maricá, uma coleção de aforismos publicada postumamente.
Citação Original: Fazemos ordinariamente mais festa às pessoas que tememos do que àquelas a quem amamos.
Exemplos de Uso
- No ambiente corporativo, muitos funcionários dedicam mais atenção a agradar um chefe autoritário do que a apoiar colegas leais.
- Nas redes sociais, influencers polémicos que geram medo ou indignação costumam receber mais engajamento do que aqueles que promovem mensagens de amor e união.
- Em política, eleitores por vezes votam por medo de um candidato, em vez de por amor às propostas de outro, moldando campanhas negativas.
Variações e Sinônimos
- Quem teme, obedece mais do que quem ama.
- O medo é um conselheiro mais persuasivo do que o afeto.
- Ditado popular: 'Mais vale um inimigo forte do que um amigo fraco' (variante sobre pragmatismo).
- Provérbio: 'Cão que ladra não morde, mas assusta' (sobre a atenção dada às ameaças).
Curiosidades
O Marquês de Maricá era conhecido por sua vida discreta e dedicada ao estudo, contrastando com a vida política agitada da época. As suas 'Máximas' foram comparadas às de La Rochefoucauld, refletindo um ceticismo aguçado sobre a natureza humana.


