Frases de Miguel Torga - Não me sinto um destruidor; o

Frases de Miguel Torga - Não me sinto um destruidor; o...


Frases de Miguel Torga


Não me sinto um destruidor; o que quero é que tudo nasça com a força que as cousas verdadeiras e naturais merecem, e que o ranço velho não estrague o azeite novo.

Miguel Torga

Esta citação de Miguel Torga celebra a renovação autêntica, defendendo que o novo deve emergir com vigor genuíno, sem ser contaminado pela decadência do passado. É um apelo à pureza e à força inerente às coisas verdadeiras.

Significado e Contexto

A citação utiliza a metáfora do 'azeite novo' e do 'ranço velho' para expressar uma filosofia de renovação. Torga não se considera um destruidor, mas sim um defensor do nascimento autêntico: o novo deve emergir com a força e a integridade que caracterizam as coisas verdadeiras e naturais. O 'ranço velho' representa as ideias, costumes ou estruturas decadentes que podem contaminar ou impedir o desenvolvimento saudável do que é fresco e promissor. A frase defende que a verdadeira evolução não consiste em destruir por destruir, mas em permitir que o novo floresça com o seu vigor intrínseco, livre dos vícios e da corrupção do passado obsoleto. Num contexto mais amplo, esta reflexão aplica-se a diversas esferas: artística, social, política e pessoal. Torga advoga por uma mudança que respeite a essência e a autenticidade, onde a inovação não seja uma mera rejeição do antigo, mas sim a afirmação de um novo ciclo com valor próprio. A imagem do azeite, produto natural e valioso na cultura mediterrânica, reforça a ideia de que o que é genuíno merece proteção contra a deterioração.

Origem Histórica

Miguel Torga (pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, 1907-1995) foi um dos mais importantes escritores portugueses do século XX, conhecido pela sua obra literária diversificada (poesia, conto, diário) e pelo profundo humanismo. A citação reflete o seu pensamento independente e a sua ligação à terra e às coisas simples, características marcantes da sua escrita. Viveu durante o Estado Novo em Portugal, um período de conservadorismo e repressão, o que pode contextualizar a sua defesa de um 'novo' autêntico face a um 'ranço' institucionalizado. A sua obra é frequentemente associada a um regionalismo universalista, onde o local e o natural se elevam a valores universais.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância acentuada na sociedade contemporânea, marcada por rápidas transformações tecnológicas, culturais e ambientais. Num mundo onde a inovação é constantemente celebrada, Torga lembra-nos da importância de preservar a autenticidade e a qualidade intrínseca do novo. A metáfora alerta para os perigos de 'contaminar' ideias frescas com vícios antigos (como burocracia, corrupção, preconceitos) ou de adotar mudanças superficiais sem substância. É um apelo à sustentabilidade e à integridade, seja na política, na arte, na educação ou no desenvolvimento pessoal, incentivando uma renovação que seja verdadeiramente revitalizadora e não apenas cosmética.

Fonte Original: A citação é atribuída a Miguel Torga, possivelmente proveniente da sua vasta obra em prosa ou dos seus 'Diários', onde frequentemente refletia sobre a condição humana, a natureza e a sociedade. A expressão metafórica é característica do seu estilo literário.

Citação Original: Não me sinto um destruidor; o que quero é que tudo nasça com a força que as cousas verdadeiras e naturais merecem, e que o ranço velho não estrague o azeite novo.

Exemplos de Uso

  • Na gestão empresarial, inovar não significa descartar todos os processos antigos, mas garantir que as novas metodologias nasçam com eficácia genuína, sem serem prejudicadas por hábitos burocráticos obsoletos (o 'ranço velho').
  • No debate ambiental, defender energias renováveis implica promover tecnologias limpas com vigor próprio, evitando que interesses económicos tradicionais (o 'ranço') as corrompam ou limitem o seu potencial.
  • Na educação, reformar o sistema exige que novas pedagogias floresçam com autenticidade, sem serem sufocadas por estruturas rígidas e mentalidades antiquadas que possam 'estragar o azeite novo'.

Variações e Sinônimos

  • "Não deites fora a água suja sem teres água limpa."
  • "Renovar sem destruir a essência."
  • "O novo que brota da terra pura."
  • "A tradição é a salvaguarda da inovação." (adaptação)

Curiosidades

Miguel Torga escolheu o seu pseudónimo combinando 'Miguel' (em homenagem a Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno) e 'Torga' (uma planta brava e resistente do nordeste de Portugal), simbolizando a sua ligação à terra e a uma identidade forte e natural – valores que ecoam nesta citação.

Perguntas Frequentes

O que significa 'ranço velho' na citação de Torga?
"Ranço velho" é uma metáfora para ideias, costumes, instituições ou atitudes que se tornaram decadentes, obsoletas ou corruptas, e que podem contaminar ou impedir o desenvolvimento saudável do que é novo e promissor.
Como se aplica esta frase ao contexto atual?
Aplica-se a qualquer área onde haja renovação (tecnologia, política, educação), lembrando que a inovação deve nascer com autenticidade e vigor, sem ser prejudicada por vícios antigos como burocracia excessiva, preconceitos ou interesses estabelecidos.
Por que Torga usa a imagem do azeite?
O azeite, produto natural, valioso e simbólico na cultura mediterrânica, representa algo puro, genuíno e essencial. A metáfora reforça a ideia de que o novo deve ter qualidade intrínseca e merece proteção contra a deterioração.
Esta citação defende a destruição do passado?
Não. Torga explicitamente diz não se sentir um destruidor. A frase defende que o novo deve emergir com força própria, sem ser estragado pelo que está decadente, mas não implica aniquilar todo o passado – apenas superar o que se tornou 'ranço'.

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