Frases de Marquês de Maricá - Somos muitos francos em confes...

Somos muitos francos em confessar e condenar os nossos pequenos defeitos, contanto que possamos salvar e deixar passar sem reparo os mais graves e menos defensáveis.
Marquês de Maricá
Significado e Contexto
Esta citação do Marquês de Maricá expõe um mecanismo psicológico comum: a tendência humana para admitir falhas menores e superficiais, enquanto se evita confrontar os defeitos mais sérios e estruturantes. O autor sugere que esta prática serve como uma estratégia de autoengano, permitindo que as pessoas mantenham uma imagem positiva de si mesmas sem fazer o trabalho difícil de enfrentar as suas verdadeiras limitações morais ou comportamentais. A frase revela como a confissão seletiva pode funcionar como uma cortina de fumo ética. Ao destacar pequenas imperfeições (como a pontualidade ou distração), desvia-se a atenção de falhas mais graves como o preconceito, a desonestidade ou a falta de empatia. Esta dinâmica impede o crescimento pessoal genuíno e perpetua comportamentos problemáticos que não são reconhecidos como tal.
Origem Histórica
Mariano José Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá (1773-1848), foi um político, filósofo e escritor brasileiro do período imperial. As suas 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' foram publicadas postumamente em 1850 e reflectem influências do Iluminismo e do pensamento moralista francês. Vivendo numa época de transição política no Brasil, as suas obras exploram temas éticos e comportamentais com um tom crítico e reflexivo.
Relevância Atual
Esta citação mantém uma relevância extraordinária na era das redes sociais e da cultura da performatividade. Actualmente, observa-se frequentemente a tendência para partilhar 'defeitos' cuidadosamente seleccionados (como ser 'perfeccionista' ou 'trabalhar demais') enquanto se ocultam falhas mais substanciais. A frase ajuda a analisar fenómenos como o 'virtue signaling' e a falta de autenticidade no discurso público e privado.
Fonte Original: Obra 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' do Marquês de Maricá, publicada postumamente em 1850.
Citação Original: Somos muitos francos em confessar e condenar os nossos pequenos defeitos, contanto que possamos salvar e deixar passar sem reparo os mais graves e menos defensáveis.
Exemplos de Uso
- Nas redes sociais, muitas pessoas confessam 'ser desorganizadas' enquanto ignoram atitudes preconceituosas que praticam no dia a dia.
- Em ambientes corporativos, é comum ouvir colegas admitirem 'ser muito exigentes' mas nunca reconhecerem a falta de empatia com a equipa.
- Na política, alguns líderes destacam pequenos erros administrativos para desviar a atenção de graves falhas éticas ou corrupção.
Variações e Sinônimos
- "Confessamos as folhas secas para esconder as raízes podres"
- "Admitimos as nuvens passageiras para ignorar as tempestades interiores"
- "O homem confessa os grãos de areia no sapato, mas não as pedras no coração"
- Ditado popular: "Lavar a cara suja com água limpa" (adaptado)
Curiosidades
O Marquês de Maricá nunca exerceu activamente o título de marquês que recebeu, preferindo ser conhecido como filósofo e escritor. As suas máximas foram comparadas às de La Rochefoucauld, mas com um carácter distintamente brasileiro.


