Frases de Mia Couto - Não aspire ser centro de nada

Frases de Mia Couto - Não aspire ser centro de nada...


Frases de Mia Couto


Não aspire ser centro de nada. A importância aqui é muito mortal. Veja, por exemplo, essas avezitas que pousam no dorso dos hipopótamos. Sua grandeza é o seu tamanho mínimo. É essa a nossa arte, nossa maneira de nos fazermos maiores: catando nas costas dos poderosos.

Mia Couto

Esta citação convida-nos a repensar a noção de poder e grandeza, sugerindo que a verdadeira importância reside na humildade e na capacidade de encontrar valor na simplicidade e na interdependência.

Significado e Contexto

A citação de Mia Couto apresenta uma metáfora poderosa que desafia conceitos tradicionais de importância e grandeza. Através da imagem das 'avezitas' (pequenas aves) que pousam no dorso dos hipopótamos, o autor sugere que a verdadeira grandeza não reside no poder ou no tamanho, mas na capacidade de encontrar significado e utilidade nas relações de interdependência. A frase propõe que a arte humana - 'nossa arte' - consiste precisamente em saber 'catar nas costas dos poderosos', ou seja, em extrair valor, conhecimento e crescimento a partir da observação e interação com aqueles que detêm poder, sem necessariamente aspirar a ocupar o centro desse poder. Esta reflexão enquadra-se numa visão filosófica que valoriza a humildade, a observação atenta e a sabedoria prática. Couto sugere que a 'importância' convencional é 'muito mortal' - efémera e limitada - enquanto a verdadeira grandeza surge da capacidade de reconhecer o valor do pequeno, do aparentemente insignificante. A metáfora evoca uma ecologia de relações onde diferentes seres coexistem e se beneficiam mutuamente, propondo um modelo alternativo de sucesso e realização pessoal.

Origem Histórica

Mia Couto, pseudónimo de António Emílio Leite Couto, é um dos mais importantes escritores moçambicanos contemporâneos, nascido em 1955. A sua obra está profundamente marcada pelo contexto pós-colonial de Moçambique, pela guerra civil e pelo processo de reconstrução nacional. Como biólogo de formação, Couto frequentemente incorpora elementos da natureza e observações ecológicas nas suas metáforas literárias. Esta citação reflete a sua característica fusão entre sabedoria tradicional africana, perspetiva científica e reflexão filosófica, comum na sua produção literária que busca reinterpretar a realidade moçambicana e africana através de linguagem poética e inovadora.

Relevância Atual

Esta frase mantém extrema relevância no mundo contemporâneo, marcado pela cultura do protagonismo individual e pela busca incessante de visibilidade. Num contexto social e profissional onde muitos aspiram a ser 'centro' de atenção ou poder, a reflexão de Couto oferece um contraponto valioso. A metáfora é aplicável a diversas situações modernas: desde a dinâmica nas redes sociais, onde a influência muitas vezes surge da observação e reinterpretação criativa, até às relações de trabalho, onde colaboradores podem encontrar formas inovadoras de contribuir sem necessariamente ocupar posições de liderança formal. A ideia de 'catar nas costas dos poderosos' pode ser interpretada como uma defesa da aprendizagem por observação, da humildade intelectual e da valorização de contribuições aparentemente pequenas mas significativas.

Fonte Original: A citação é atribuída a Mia Couto, mas a fonte específica (livro, discurso ou entrevista) não é identificada com precisão na consulta. É consistente com o estilo e temas recorrentes na sua obra, que inclui romances como 'Terra Sonâmbula', 'A Varanda do Frangipani' e 'Jesusalém'.

Citação Original: Não aspire ser centro de nada. A importância aqui é muito mortal. Veja, por exemplo, essas avezitas que pousam no dorso dos hipopótamos. Sua grandeza é o seu tamanho mínimo. É essa a nossa arte, nossa maneira de nos fazermos maiores: catando nas costas dos poderosos.

Exemplos de Uso

  • Um jovem profissional que aprende observando atentamente os gestores seniores, extraindo lições valiosas sem pretender substituí-los prematuramente.
  • Um ativista social que utiliza as plataformas e recursos de instituições estabelecidas para promover causas marginais, amplificando vozes que de outra forma não seriam ouvidas.
  • Um artista que se inspira nas obras clássicas para criar interpretações contemporâneas, 'catando' nos cânones artísticos para construir algo novo e pessoal.

Variações e Sinônimos

  • "É na simplicidade que se encontra a verdadeira grandeza."
  • "Quem muito se eleva, muito pode cair." (provérbio popular)
  • "A humildade é a base de todas as virtudes."
  • "O sábio aprende com os erros dos outros."
  • "Mais vale ser cabeça de rato que cauda de leão." (variante de provérbio)

Curiosidades

Mia Couto, além de escritor premiado (incluindo o Prémio Camões em 2013), é biólogo de formação. Esta dupla formação - literária e científica - explica frequentemente as metáforas baseadas na natureza que caracterizam a sua obra, como a presente comparação ecológica entre aves e hipopótamos.

Perguntas Frequentes

O que significa 'catar nas costas dos poderosos'?
Significa aprender, observar e extrair conhecimento ou vantagem da proximidade com quem detém poder ou influência, sem necessariamente aspirar a ocupar essa posição de poder.
Qual é a mensagem principal desta citação de Mia Couto?
A mensagem principal é que a verdadeira grandeza e importância não vêm de buscar o centro do poder, mas da humildade, da observação atenta e da capacidade de encontrar valor nas relações de interdependência.
Como aplicar esta filosofia no dia a dia?
Praticando a humildade intelectual, aprendendo com os outros (especialmente com quem tem mais experiência), valorizando contribuições aparentemente pequenas e evitando a busca obsessiva por reconhecimento ou posição central.
Por que Mia Couto usa animais nesta metáfora?
Como biólogo, Couto frequentemente usa metáforas da natureza para explicar relações humanas. A relação ave-hipopótamo ilustra visualmente a ideia de interdependência e benefício mútuo entre diferentes 'tamanhos' ou 'poderes'.

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