Frases de Émile-Auguste Chartier - No mundo apenas devemos recear...

No mundo apenas devemos recear o homem que se aborrece.
Émile-Auguste Chartier
Significado e Contexto
A citação de Émile-Auguste Chartier, mais conhecido pelo pseudónimo Alain, convida a uma reflexão profunda sobre a natureza humana. O 'homem que se aborrece' não representa apenas alguém entediado, mas sim um indivíduo desligado das suas emoções, da sua curiosidade e do seu envolvimento com o mundo. Esta condição pode levar a uma passividade perigosa, onde a falta de interesse se transforma em indiferença perante o sofrimento alheio ou em ações impensadas por pura falta de propósito. Filosoficamente, alerta-nos que a maior ameaça pode não vir da maldade ativa, mas da ausência de paixão, cuidado e atenção, que são fundamentos da ética e da convivência social. Num contexto educativo, esta ideia é crucial para compreender a importância do engajamento cívico e intelectual. Um indivíduo ou uma sociedade 'aborrecida' torna-se vulnerável à manipulação, à estagnação e à negligência dos valores comuns. Chartier, como pedagogo, enfatizava a necessidade de cultivar a curiosidade e o pensamento crítico para combater esta apatia. A frase serve assim como um aviso: devemos temer não apenas os que agem com ódio, mas também os que, por indiferença, permitem que o mal prospere.
Origem Histórica
Émile-Auguste Chartier (1868-1951), conhecido como Alain, foi um filósofo, ensaísta e professor francês do século XX. Figura proeminente do radicalismo e do pacifismo, era conhecido pelos seus 'Propos' – breves ensaios publicados na imprensa diária que abordavam temas filosóficos de forma acessível. Viveu num período marcado por duas guerras mundiais e profundas transformações sociais, o que influenciou a sua preocupação com a liberdade individual, a educação e os perigos da massificação e da apatia política. A citação reflete a sua visão humanista e a crença de que a participação ativa no mundo é um antídoto contra os totalitarismos e a decadência moral.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância impressionante no mundo contemporâneo. Na era digital, onde o excesso de informação pode levar à desatenção e ao desinteresse ('scroll' infinito sem reflexão), o 'aborrecimento' tornou-se uma condição quase crónica. A apatia política, o 'burnout' profissional e o isolamento social são manifestações modernas deste fenómeno. A citação alerta-nos para os riscos de uma sociedade onde os cidadãos, aborrecidos, se tornam espectadores passivos da corrupção, das injustiças ambientais ou dos conflitos globais. Relembra-nos que a democracia e o progresso dependem do envolvimento ativo e da paixão pelo bem comum.
Fonte Original: A citação é atribuída a Alain (Émile-Auguste Chartier) nos seus numerosos 'Propos' (ensaios breves), mas não está identificada num livro específico. Faz parte do seu corpus de pensamentos dispersos publicados em jornais como 'Libres Propos' ou compilados postumamente.
Citação Original: Dans le monde, il ne faut avoir peur que de l'homme qui s'ennuie.
Exemplos de Uso
- Num contexto de trabalho: 'Na equipa, devemos recear o colega que se aborrece, pois a sua desmotivação pode contagiar os outros e comprometer projetos importantes.'
- Na política: 'Os regimes autoritários prosperam quando os cidadãos se aborrecem com a democracia e deixam de participar ativamente.'
- Na educação: 'Um aluno que se aborrece na aula pode tornar-se disruptivo ou, pior, desligar-se completamente da aprendizagem, perdendo oportunidades de crescimento.'
Variações e Sinônimos
- O tédio é o pai de todos os vícios.
- A indiferença é o peso morto da história.
- Nada é mais perigoso do que um homem sem paixões.
- O aborrecimento é a raiz da maldade passiva.
Curiosidades
Alain era tão popular como colunista que, durante a Primeira Guerra Mundial, os soldados franceses nas trincheiras liam os seus 'Propos' em jornais que lhes eram enviados, encontrando neles um conforto filosófico e uma ligação ao mundo civil.


