Frases de Machado de Assis - Está morto: podemos elogiá-l...

Está morto: podemos elogiá-lo à vontade.
Machado de Assis
Significado e Contexto
A frase 'Está morto: podemos elogiá-lo à vontade' encapsula uma crítica mordaz à natureza humana e às convenções sociais. Machado de Assis aponta para a tendência de só valorizarmos plenamente as pessoas quando já não estão presentes, eliminando assim qualquer risco de conflito ou obrigação. Esta observação revela como a morte transforma o falecido num objeto seguro de admiração, libertando os vivos das complexidades dos relacionamentos em vida. Num nível mais profundo, a citação questiona a autenticidade dos elogios póstumos e sugere que muitas homenagens são mais sobre o conforto dos que ficam do que sobre o verdadeiro reconhecimento do falecido. Machado explora a ironia de que a morte, em vez de silenciar, muitas vezes amplifica vozes que se calaram em vida, criando uma distorção memorial onde só se recordam virtudes.
Origem Histórica
Machado de Assis (1839-1908) escreveu durante o período de transição do Brasil Imperial para a República, numa sociedade marcada por hierarquias rígidas e hipocrisias sociais. Como mulato num país escravocrata que apenas abolira a escravidão em 1888, desenvolveu uma perspetiva única sobre as contradições humanas. A frase reflete o seu estilo irónico característico, presente em obras como 'Memórias Póstumas de Brás Cubas' (1881), onde já explorava temas de morte, memória e falsidade social.
Relevância Atual
Esta frase mantém-se relevante porque continua a descrever comportamentos contemporâneos: desde homenagens públicas a figuras controversas apenas após a sua morte, até à tendência nas redes sociais de glorificar pessoas que em vida foram criticadas. Num mundo de cancel culture e opiniões polarizadas, a observação de Machado lembra-nos como a morte simplifica narrativas complexas e como muitas vezes só nos sentimos confortáveis para expressar admiração quando não há risco de resposta.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Machado de Assis, embora a obra específica seja difícil de identificar com certeza. Aparece em contextos similares em várias das suas crónicas e contos, refletindo um tema recorrente na sua obra.
Citação Original: Está morto: podemos elogiá-lo à vontade.
Exemplos de Uso
- Nas redes sociais, após a morte de um artista controverso, surgem milhares de homenagens - 'está morto: podemos elogiá-lo à vontade'.
- Na política, muitos opositores só reconhecem o valor de um adversário após o seu falecimento, exemplificando a frase de Machado.
- Em reuniões familiares, quando alguém menciona um familiar falecido com admiração exagerada, aplica-se perfeitamente esta observação irónica.
Variações e Sinônimos
- Só se dá valor à água quando o poço seca
- De mortuis nihil nisi bonum (dos mortos, nada a não ser o bem)
- A morte lava todas as faltas
- Ninguém é profeta na sua terra
- A distância (ou a morte) engrandece
Curiosidades
Machado de Assis sofria de epilepsia e gaguez, o que pode ter aguçado a sua observação das dinâmicas sociais e da hipocrisia humana, já que experienciou marginalização durante parte da sua vida.


