Frases de Fernando Pessoa - A experiência directa é o su

Frases de Fernando Pessoa - A experiência directa é o su...


Frases de Fernando Pessoa


A experiência directa é o subterfúgio, ou o esconderijo, daqueles que são desprovidos de imaginação. Os homens de acção são os escravos dos homens de entendimento. As coisas não valem senão na interpretação delas. Uns, pois, criam coisas para que os outros, transmudando-as em significação, as tornem vidas. Narrar é criar, pois viver é apenas ser vivido.

Fernando Pessoa

Esta citação de Fernando Pessoa desafia a primazia da ação sobre o pensamento, sugerindo que a verdadeira criação reside na interpretação e na narrativa, não na mera experiência. Propõe que viver passivamente é ser vivido, enquanto narrar ativamente é conferir significado e, assim, criar.

Significado e Contexto

A citação estabelece uma hierarquia entre a experiência direta (ação) e a interpretação (entendimento). Pessoa argumenta que aqueles que se limitam à ação são 'escravos' dos que interpretam, pois estes últimos conferem significado à realidade. A frase 'Narrar é criar, pois viver é apenas ser vivido' sintetiza a ideia: a vida passiva (ser vivido) é inferior ao ato consciente de narrar (interpretar), que é um ato criativo por excelência. Esta visão reflete o pensamento de que a realidade é moldada pela perceção e pela linguagem, não sendo um dado objetivo.

Origem Histórica

Fernando Pessoa (1888-1935) escreveu no contexto do modernismo português, um período de crise de valores e questionamento da realidade. A citação reflete influências do simbolismo e do decadentismo, que privilegiavam o mundo interior sobre o exterior. Pessoa, conhecido pelos seus heterónimos (como Álvaro de Campos e Alberto Caeiro), explorava a fragmentação do eu e a construção de realidades através da escrita, temas centrais nesta reflexão.

Relevância Atual

A frase mantém relevância na era digital, onde a informação abundante exige constante interpretação e narrativa. Em contextos como as redes sociais, o jornalismo ou a arte, a ideia de que 'as coisas não valem senão na interpretação delas' ressoa fortemente, alertando para o poder de quem molda significados. Também se aplica à psicologia e ao coaching, onde a narrativa pessoal é vista como ferramenta de transformação.

Fonte Original: A citação é atribuída a Fernando Pessoa, possivelmente proveniente dos seus textos em prosa, como 'Livro do Desassossego' (escrito sob o heterónimo Bernardo Soares) ou de aforismos dispersos na sua obra. Não há uma fonte única confirmada, sendo comum em antologias de pensamentos.

Citação Original: A experiência directa é o subterfúgio, ou o esconderijo, daqueles que são desprovidos de imaginação. Os homens de acção são os escravos dos homens de entendimento. As coisas não valem senão na interpretação delas. Uns, pois, criam coisas para que os outros, transmudando-as em significação, as tornem vidas. Narrar é criar, pois viver é apenas ser vivido.

Exemplos de Uso

  • Num debate sobre fake news, pode-se citar para destacar como a interpretação dos factos molda a realidade percecionada.
  • Em terapia, a frase ilustra a importância de ressignificar experiências passadas para criar uma nova narrativa de vida.
  • Na crítica de arte, serve para argumentar que o valor de uma obra depende da interpretação do espectador, não apenas da intenção do artista.

Variações e Sinônimos

  • A vida é o que fazemos dela, não o que nos acontece.
  • O mundo é a minha representação (Arthur Schopenhauer).
  • Não são os factos que importam, mas o seu significado.

Curiosidades

Fernando Pessoa criou mais de 70 heterónimos, cada um com biografia, estilo e visão de mundo próprios, exemplificando na prática a sua ideia de que narrar (através destas personagens) é um ato de criação superior à experiência comum.

Perguntas Frequentes

O que significa 'homens de ação são escravos dos homens de entendimento'?
Significa que quem age sem refletir (ação) depende de quem interpreta e dá significado (entendimento), pois a ação por si só é vazia sem interpretação.
Como esta citação se relaciona com os heterónimos de Pessoa?
Os heterónimos são exemplos de 'narrar é criar': Pessoa criou personagens com vidas e pensamentos, mostrando que a criação narrativa supera a experiência direta.
Por que a experiência direta é um 'subterfúgio' para Pessoa?
Porque, na visão de Pessoa, quem se apoia apenas na experiência usa-a como desculpa para não exercitar a imaginação e a interpretação criativa.
Esta ideia é pessimista em relação à vida?
Não necessariamente; é uma defesa do poder da mente e da linguagem. Sugere que viver plenamente requer interpretação ativa, não mera passividade.

Podem-te interessar também




Mais vistos