Frases de Marquês de Maricá - Ter privança com os que gover

Frases de Marquês de Maricá - Ter privança com os que gover...


Frases de Marquês de Maricá


Ter privança com os que governam é contrair responsabilidade no mal que fazem, sem partilhar o louvor do bem que operam.

Marquês de Maricá

Esta citação do Marquês de Maricá revela uma profunda reflexão sobre a ambiguidade moral das relações de poder. Sugere que a proximidade com governantes pode implicar uma cumplicidade silenciosa nos seus erros, sem oferecer a contrapartida de partilhar os méritos das suas boas ações.

Significado e Contexto

A citação do Marquês de Maricá explora a dinâmica assimétrica das relações de proximidade com figuras de poder. Por um lado, argumenta que quem mantém 'privança' (intimidade ou ligação estreita) com os governantes acaba por contrair uma responsabilidade moral pelos males que estes praticam, mesmo que não participe diretamente neles. Esta responsabilidade surge da associação e da possível omissão ou conivência. Por outro lado, essa mesma proximidade não garante uma partilha equitativa dos louros quando os governantes realizam boas ações. O mérito tende a ficar centralizado na figura de poder, enquanto a culpa se difunde entre os seus próximos. É uma crítica subtil à natureza muitas vezes tóxica e desequilibrada das relações no exercício do poder.

Origem Histórica

Mariano José Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá (1773-1848), foi um político, filósofo e escritor brasileiro do período imperial. Viveu numa época de transição política, testemunhando a independência do Brasil e a construção do Estado imperial. As suas 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' (publicadas postumamente) são uma coleção de aforismos que refletem sobre moral, política e sociedade, muitas vezes com um ceticismo refinado em relação ao poder e às elites. Esta citação insere-se nessa tradição de pensamento moralista e crítico.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância acentuada no mundo contemporâneo, onde a transparência e a responsabilização são temas centrais. Aplica-se a assessores, lobistas, aliados políticos ou mesmo amigos próximos de líderes: a associação a um governo ou figura poderosa pode trazer culpa por escândalos ou políticas prejudiciais, enquanto os sucessos são frequentemente atribuídos apenas ao líder. Nas redes sociais e no jornalismo, discute-se a 'culpa por associação' e a responsabilidade moral de quem está próximo do poder sem o questionar. A citação alerta para os riscos éticos da proximidade com o poder sem uma postura crítica independente.

Fonte Original: Obra 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' do Marquês de Maricá (publicação póstuma, século XIX).

Citação Original: Ter privança com os que governam é contrair responsabilidade no mal que fazem, sem partilhar o louvor do bem que operam.

Exemplos de Uso

  • Um assessor de um político corrupto pode ser moralmente responsabilizado pela omissão, mesmo sem lucrar diretamente, enquanto os benefícios de boas políticas raramente lhe são atribuídos.
  • Nas empresas, executivos próximos do CEO podem ser associados a decisões éticas questionáveis da liderança, sem partilharem o crédito público pelos sucessos da empresa.
  • Jornalistas ou comentadores muito próximos de um governo podem ver a sua credibilidade manchada por escândalos desse governo, sem que a sua análise seja valorizada em períodos de sucesso.

Variações e Sinônimos

  • Quem anda com porcos, farela come.
  • Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
  • A culpa é do sapateiro, o louro é do freguês.
  • Perto do poder, longe da glória.
  • A sombra do poder também projecta culpa.

Curiosidades

O Marquês de Maricá era conhecido pela sua vida discreta e pelo hábito de anotar pensamentos em cadernos pessoais. As suas 'Máximas' só foram publicadas após a sua morte, revelando um pensador agudo que preferiu a reflexão privada à exposição pública.

Perguntas Frequentes

O que significa 'privança' nesta citação?
'Privança' refere-se a uma relação de intimidade, proximidade ou familiaridade estreita com alguém, neste caso, com aqueles que detêm o poder governativo.
Esta citação aplica-se apenas a contextos políticos?
Não. Embora o exemplo seja político, o princípio aplica-se a qualquer relação de poder ou influência, como em empresas, organizações ou mesmo grupos sociais, onde a proximidade com líderes pode trazer responsabilidades sem méritos correspondentes.
Qual é a principal lição ética desta frase?
A lição ética é a necessidade de consciência crítica e independência moral quando se está próximo do poder, para evitar ser cúmplice por omissão e para não esperar reconhecimento injusto.
O Marquês de Maricá era contra a governação?
Não necessariamente. As suas máximas reflectem um ceticismo informado sobre o exercício do poder e as relações humanas, alertando para os seus perigos morais, sem ser necessariamente anárquico ou anti-governação.

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