Frases de Cora Coralina - Morta... serei árvore, serei ...

Morta... serei árvore, serei tronco, serei fronde e minhas raízes enlaçadas às pedras de meu berço são as cordas que brotam de uma lira.
Cora Coralina
Significado e Contexto
A citação 'Morta... serei árvore, serei tronco, serei fronde e minhas raízes enlaçadas às pedras de meu berço são as cordas que brotam de uma lira' apresenta uma poderosa metáfora sobre a continuidade da existência além da morte física. Coralina descreve uma transformação em que o ser humano se torna parte integrante da natureza – uma árvore – mantendo uma ligação vital com as suas origens ('pedras de meu berço'). As raízes que se entrelaçam com essas pedras não são apenas fixação, mas transformam-se em 'cordas que brotam de uma lira', simbolizando que a essência da pessoa continua a produzir arte, música ou poesia, mesmo após a morte. Esta visão sugere que a verdadeira identidade e criatividade são eternas e inseparáveis das suas raízes culturais e pessoais. Num contexto educativo, esta citação pode ser analisada como uma expressão de resiliência e pertença. A árvore representa crescimento, estabilidade e vida contínua, enquanto a lira evoca a arte e a harmonia. Juntas, estas imagens transmitem a ideia de que a morte não é um fim, mas uma transição para uma forma de existência que permanece produtiva e ligada à terra natal. É uma reflexão sobre como as nossas origens moldam permanentemente quem somos e como a nossa influência pode perdurar através de meios criativos.
Origem Histórica
Cora Coralina (1889-1985) foi uma poetisa e contista brasileira, conhecida por escrever sobre a vida simples, as tradições e a cultura do interior do Brasil, especialmente de Goiás. A sua obra, muitas vezes publicada tardiamente (o seu primeiro livro, 'Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais', saiu quando ela tinha 75 anos), reflete uma profunda conexão com a terra, a família e as memórias. Esta citação exemplifica o seu estilo, que combina elementos do modernismo brasileiro com um lirismo enraizado no quotidiano e na natureza. O contexto histórico inclui o Brasil do século XX, com transformações sociais e urbanas, contra as quais Coralina manteve uma voz que valorizava as raízes rurais e a identidade regional.
Relevância Atual
Esta frase mantém relevância hoje porque aborda temas universais como a sustentabilidade, a identidade cultural e a busca de significado perante a mortalidade. Numa era de globalização e desconexão das origens, a metáfora das raízes enlaçadas às pedras do berço ressoa com quem valoriza a herança familiar e local. Além disso, a ideia de transformação pós-morte em algo natural e criativo alinha-se com preocupações ecológicas contemporâneas e com a noção de legado artístico. Serve como inspiração para reflexões sobre como as nossas ações e criações podem ecoar para além da nossa existência física.
Fonte Original: A citação é atribuída a Cora Coralina, mas a obra específica não é indicada na consulta. É comum em antologias e coletâneas da sua poesia.
Citação Original: Morta... serei árvore, serei tronco, serei fronde e minhas raízes enlaçadas às pedras de meu berço são as cordas que brotam de uma lira.
Exemplos de Uso
- Num discurso sobre preservação ambiental: 'Como disse Cora Coralina, seremos árvores – cuidemos das que já temos para honrar esse legado.'
- Num texto sobre memória familiar: 'As raízes enlaçadas ao berço, na visão de Coralina, lembram-nos que a história da nossa família é a lira da nossa identidade.'
- Num contexto de superação pessoal: 'Transformar adversidades em arte, como as cordas de uma lira brotando das pedras, é a essência da resiliência inspirada por Coralina.'
Variações e Sinônimos
- 'As raízes da alma nunca morrem, apenas se transformam.'
- 'Da terra viemos, à terra retornamos, mas a nossa essência floresce eternamente.'
- 'A morte é apenas uma mudança de forma, como a semente que vira árvore.'
- Ditado popular: 'Quem tem raízes fortes, não teme ventos.'
Curiosidades
Cora Coralina começou a publicar a sua obra majoritariamente após os 70 anos, tornando-se um símbolo de que a criatividade não tem idade. O seu nome verdadeiro era Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas.


