Frases de Marquês de Maricá - A vitória de uma facção pol...

A vitória de uma facção política é ordinariamente o princípio da sua decadência pelos abusos que a acompanham.
Marquês de Maricá
Significado e Contexto
A citação do Marquês de Maricá expressa uma observação profunda sobre a dinâmica do poder político. Ela sugere que o momento de triunfo de um grupo político – seja um partido, uma facção ou uma ideologia – não é o culminar da sua jornada, mas sim o início de um período perigoso. A vitória, ao conferir poder e influência, cria condições propícias para que os vencedores, confiantes no seu sucesso, cometam excessos, negligenciem princípios ou se afastem dos ideais que os levaram ao poder. Este processo de 'abuso' – que pode ser corrupção, autoritarismo, nepotismo ou simples arrogância – corrói a legitimidade e a eficácia do grupo, preparando o terreno para a sua eventual queda. É um aviso sobre a fragilidade inerente ao sucesso e a necessidade constante de vigilância ética e moderação, mesmo (ou especialmente) nos momentos de maior glória.
Origem Histórica
Mariano José Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá (1773-1848), foi um político, filósofo e escritor brasileiro do período imperial. Viveu durante um tempo de grandes transformações, incluindo a Independência do Brasil e os primeiros anos do Império, marcados por intensas lutas políticas entre facções liberais e conservadoras. As suas 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' são uma coleção de aforismos que refletem sobre moral, política e sociedade, influenciadas pelo Iluminismo e pelo pensamento clássico. Esta citação provém dessa obra e espelha a sua observação crítica dos jogos de poder da sua época.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância impressionante na política contemporânea. Ela serve como um lembrete atemporal para partidos políticos, movimentos sociais e governos em todo o mundo. Observa-se frequentemente que, após vitórias eleitorais ou revoluções bem-sucedidas, os grupos no poder podem sucumbir à tentação de consolidar o seu controlo de formas questionáveis, ignorar promessas feitas ou envolver-se em escândalos. Este ciclo de 'vitória-abusos-decação' é visível em democracias e autocracias, tornando a citação uma ferramenta valiosa para analisar crises políticas, a erosão da confiança pública e a importância de instituições fortes e de uma oposição vigilante para conter os excessos do poder.
Fonte Original: Obra 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' do Marquês de Maricá.
Citação Original: A vitória de uma facção política é ordinariamente o princípio da sua decadência pelos abusos que a acompanham.
Exemplos de Uso
- Após a vitória esmagadora nas eleições, o partido no poder envolveu-se em vários casos de corrupção, ilustrando o princípio de que a vitória pode ser o início da decadência.
- Analistas políticos usam a citação para explicar a queda de governos que, após vencerem com grandes maiorias, se tornaram arrogantes e perderam o contacto com a população.
- Em debates sobre ética política, a frase é citada para defender a necessidade de limites ao poder e de mecanismos de controlo, mesmo para os vencedores.
Variações e Sinônimos
- O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente. (Lord Acton)
- Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
- A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda. (Provérbios bíblicos)
- Nenhum poder é eterno.
- A história ensina que os impérios caem por dentro, pelos seus próprios vícios.
Curiosidades
O Marquês de Maricá, além de político, era um ávido colecionador de livros e possuía uma das maiores bibliotecas privadas do Brasil no seu tempo. As suas 'Máximas' foram publicadas postumamente e são consideradas uma importante contribuição para o pensamento filosófico brasileiro do século XIX.


